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terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

CHINA: NATUREZA E SOCIEDADE

  A China possui a maior população do mundo, com mais de 1,3 bilhão de habitantes, e uma área com mais de 9,5 milhões de km². Em razão das grandes dimensões do seu território, abriga diferentes tipos climáticos e paisagens vegetais extremamente diversificadas.
A NATUREZA DA CHINA
  A República Popular da China possui fronteiras com catorze nações, mais do que qualquer outro país do mundo, que são: Vietnã, Laos, Myanmar, Índia, Butão, Nepal, Paquistão, Afeganistão, Tadjiquistão, Quirguistão, Cazaquistão, Federação Russa, Mongólia e Coreia do Norte. Além disso, a fronteira entre a República Popular da China e a República da China (Taiwan) está localizada em águas territoriais. A China tem uma fronteira terrestre de 22.117 km², a maior do mundo.
  O território da China possui uma grande variedade de paisagens. No leste, ao longo da costa do Mar Amarelo e do Mar da China Oriental, há extensas planícies aluviais densamente povoadas, enquanto que nas bordas do planalto da Mongólia Interior, no norte, campos podem ser vistos. O sul da China é dominado por colinas e cordilheiras baixas. No centro-leste estão os deltas dos dois maiores rios chineses, o Rio Amarelo e o Rio Yang-tsé, ou Rio Azul. Outros rios importantes são o Xi-Jiang, o Mekong, o Brahmaputra e o Amur. Para o oeste estão as cordilheiras importantes, especialmente o Himalaia, com o ponto mais alto da China na metade oriental do Monte Everest, sendo caracterizado por altos planaltos entre as paisagens mais áridas, como o Taklamakan e o deserto de Góbi.
Mapa do relevo da China
  Uma questão importante é a contínua expansão dos desertos, principalmente o deserto de Góbi. Embora as linhas de barreira de árvores, plantadas desde 1970, tenham reduzido a frequência de tempestades de areia, secas prolongadas e resultados negativos nas práticas agrícolas, tempestades de poeira ainda assolam o norte da China a cada primavera, se espalhando para outras partes do leste da Ásia, incluindo o Japão e a Coreia. De acordo com a fiscalização ambiental da China, a SEPA, o país está perdendo quatro mil quilômetros quadrados por ano para a desertificação. Água, erosão e controle da poluição têm se tornado questões importantes nas relações da China com outros países. O derretimento das geleiras do Himalaia, também pode levar à escassez de água para centenas de milhões de pessoas.
  A China tem um clima dominado principalmente por estações secas e monções úmidas, o que leva a diferenças de temperatura no inverno e no verão. No inverno, os ventos do norte, provenientes de áreas de altas latitudes, são frios e secos; no verão, os ventos do sul, de zonas marítimas em baixa latitude, são quentes e úmidos. O clima na China é diferente de região para região por causa da extensa e complexa topografia do país.
  Para entender melhor a China, é fundamental conhecer as particularidades de seu território, que pode ser dividido em importantes regiões.
MANCHÚRIA
  No nordeste da China fica a região da Manchúria ou Manchúria Inferior (a Manchúria Exterior foi cedida à Rússia no século XIX). A posição geográfica em latitudes relativamente elevadas acarreta invernos muito rigorosos, caracterizando um clima temperado, frio e úmido. Apesar do forte calor do verão, a temperatura média na maior parte do ano é baixa.
  O território da Manchúria é formado principalmente por extensas planícies e baixos planaltos, povoados há milhares de anos. Por essa razão, sua vegetação original foi praticamente destruída e substituída, há muito tempo, por uma importante atividade agrícola.
  Aproveitando as características naturais favoráveis da Manchúria, especialmente o relevo aplainado, ali se desenvolveram, ao longo do tempo, grandes plantações de trigo, entre outros alimentos. Esse cereal, em sua variedade primitiva - ou seja, sem as alterações e as adaptações promovidas pelo ser humano -, produz melhor em regiões com temperaturas mais baixas, que possibilitam uma ótima germinação de suas sementes.
Graças ao solo fértil, a agricultura na Manchúria é bastante desenvolvida
  A Manchúria assenta-se sobre gigantescas bacias sedimentares, formadas ao longo de milhões de anos. Enormes camadas de sedimentos orgânicos soterrados, inclusive restos de antigas florestas, acabaram se decompondo e originando espessas camadas de carvão mineral. Esse recurso natural é explorado em jazidas profundas, que são atingidas por túneis de grande extensão.
  Numerosas siderúrgicas e metalúrgicas, que produzem aço e ligas metálicas para os outros setores industriais, instalaram-se nessa região. Desse modo, ficaram próximas das minas de carvão mineral, sua principal fonte de energia, o que barateou bastante seus custos de produção.
Névoa de fumaça na cidade de Changchun, província de Jilin - Manchúria
  Em contrapartida, a enorme concentração industrial na Manchúria acarretou uma grande poluição ambiental, que é um dos problemas mais preocupantes da China nas últimas décadas.
MONGÓLIA INTERIOR
Mapa da Mongólia Interior
  A Mongólia Interior recebe esse nome porque é a região que faz fronteira com a vizinha Mongólia, país situado entre a China e a Federação Russa. Nos dois lados da fronteira, tanto no chinês quanto no mongol, a paisagem é dominada pelo deserto de Góbi.
 
Mapa do Deserto de Góbi
  Essa região é uma das mais áridas do mundo. Muito distante de qualquer oceano, não recebe nenhuma influência da maritimidade e fica longos períodos sem chuvas.
  Sua população, historicamente nômade, vagueia pela região em busca de raros campos férteis onde é possível cultivar alimentos. A economia destaca-se pelo pastoreio, especialmente de bovinos, caprinos e ovinos.
Paisagem do Deserto de Góbi
  Nas últimas décadas, o governo chinês implantou diversos projetos de irrigação na Mongólia Interior, para atrair população de outras regiões do país que estão muito povoadas, ou seja, que apresentam alta densidade demográfica.
  O governo oferece terras gratuitas e perfura poços artesianos para famílias que queiram instalar na região.
Cultivo agrícola no deserto de Góbi
XINJIANG
  A região mais ocidental da China chama-se Sin Kiang (também denominada de Xinjiang). É formada por enormes planaltos áridos e é pouco povoada. Esses planaltos estão separados por áreas mais baixas, que constituem típicas depressões. É uma região dominada por extremos de temperatura. No verão, o calor é intenso, e no inverno as temperaturas descem bem abaixo de zero.
Paisagem de Xinjiang
  A população dessa região é formada principalmente por pastores que ainda praticam o nomadismo, sempre em busca de pastagens para os seus rebanhos, formados geralmente por caprinos e ovinos.
  No entanto, nos últimos 30 anos o governo chinês tem permitido a entrada de empresas estrangeiras nessa região para explorar as jazidas de petróleo e gás que se formaram em suas bacias sedimentares.
  A indústria petroquímica promoveu a construção de gasodutos e oleodutos, fato que deu maior dinamismo à economia local.
  Recentemente, o governo chinês tem investido em energia eólica na região, objetivando a instalação de fontes alternativas de energia.
Fazenda eólica em Xinjiang
PLANÍCIES ORIENTAIS
  Sem dúvida, a região chinesa mais importante são as Planícies Orientais. Essas terras rebaixadas e aplainadas concentram mais de 70% da população  e da economia do país.
  As Planícies Orientais chinesas possuem solos férteis chamados de loess. O solo de loess encontra-se em algumas regiões do sul e do sudeste da Europa, em certas partes do continente americano e numa grande área da China. O loess é formado por uma argila muito fina, praticamente pó. Esse solo resulta da erosão que ocorre ininterruptamente há milhões de anos nas regiões planálticas da Mongólia Interior. O vento que sopra da Mongólia Interior traz esses sedimentos, que se depositam principalmente nas margens dos rios chineses, em especial do rio Amarelo. Eles se misturam com os nutrientes naturais da terra e, assim, formam um dos solos mais férteis do mundo.
Área de ocorrência de solo de loess na China
  No Vale do Rio Amarelo foi desenvolvida uma importante produção de arroz, que é uma das bases alimentares da população chinesa. Nas planícies estão os trechos mais longos, não apenas do Yang-Tsé-Kiang (rio Azul), como também do Huang-Ho (rio Amarelo) e do Zhu Jiang (rio das Pérolas). Além de possuírem extensas camadas de solo de loess em suas margens, esses rios irrigam suas várzeas durante o verão, quando ocorrem as chuvas torrenciais chamadas de monções.
Rio Li na Região Autônoma de Guangxi
  Esses grandes rios nascem nas regiões mais elevadas do interior da China, onde o potencial hidrelétrico é muito grande.
  Recentemente, a China inaugurou no Yang-Tsé-Kiang uma das maiores usinas hidrelétricas do mundo. Sua barragem inundou uma gigantesca área, obrigando mais de 1 milhão de pessoas a abandonar suas casas e atividades rurais.
  Esse lago não alagou apenas terras cultiváveis. Muitos arqueólogos afirmam que verdadeiros tesouros históricos, como monumentos e peças de um passado muito distante, ficaram sob água.
Usina Hidrelétrica de Três Gargantas
  Em razão da vastidão do território, os governantes chineses sempre se preocuparam com os deslocamentos e os transportes. Para se ter uma ideia, há mais de 1400 anos o imperador Yang Guang ordenou a construção de um canal artificial ligando os principais rios chineses.
  O Grande Canal, como é conhecido, vai de Pequim (Beijing) até as proximidades de Hangzhou, ao sul, estendendo-se por aproximadamente 1.800 quilômetros. Como é uma obra muito antiga, existem trechos que não são facilmente navegáveis, por causa do acúmulo de lodo.
Mapa do Grande Canal da China
  Mas os chineses continuam construindo canais para levar água para as regiões mais secas.
O TERRITÓRIO CHINÊS E O SEU PERFIL DE UMA ESCADA
  Quando viajamos da costa litorânea para o interior dos países, sempre subimos morros. Na China, a alteração do relevo é bem visível. Quando percorremos um traçado que vai das praias, situadas no leste, para o interior, no oeste, notamos o relevo subir até atingir altitudes maiores, geralmente formados por planaltos e montanhas.
Mapa altimétrico da China
  As Planícies Orientais são dominadas pelo clima de monções. Durante o verão, o ar quente e úmido procedente do mar provoca chuvas intensas que, muitas vezes, causam grandes tragédias, quando as águas invadem campos e cidades. No inverno, o vento sopra do interior para o litoral, trazendo para as planícies o ar frio e seco das montanhas e dos desertos.
Esquema do regime de monções
AS TRANSFORMAÇÕES DO PAÍS
  Nos últimos 100 anos, a China se transformou profundamente. Embora suas tradições culturais estejam extremamente vivas entre a população, a cada dia desenvolvem-se novas atividades que incrementam o dinamismo da economia. Essas mudanças atingem grande parte dos chineses.
  Mas nem sempre foi assim. Há pouco mais de um século, os chineses viviam em uma situação completamente diferente.
NO PASSADO, UM PAÍS DOMINADO POR ESTRANGEIROS
  Durante séculos, desde que os europeus chegaram ao Extremo Oriente - por volta do século XIII -, a China representou para os estrangeiros uma oportunidade de lucrar com a comercialização de mercadorias exóticas, como seda, porcelana e especiarias. Eram adquiridas a preços baixos e revendida na Europa com lucros enormes.
  Interessava aos imperadores chineses, aos altos funcionários, aos ricos senhores de terras e aos comerciantes que os estrangeiros explorassem o país.
  Essas lideranças não se preocupavam com a imensa maioria da população chinesa, que viveu em péssimas condições até meados do século XX.
Há muitos séculos, os mercadores europeus visitavam a China utilizando a Rota da Seda. Consta que o primeiro a percorrer esse caminho foi o veneziano Marco Polo, que chegou à China por volta do século XIII. Na gravura, chegada da família Polo a uma cidade da China.
  Essas lideranças não se preocupavam com a imensa maioria da população chinesa, que viveu em péssimas condições até meados do século XX.
  A China era chamada de "quintal do mundo", e as potências europeias tinham presença marcante na região. Os portugueses, por exemplo, tinham estreitos contatos com os chineses desde 1553, quando estabeleceram uma feitoria em Macau. 
Vista de Macau em 1900.
  Outro exemplo da presença europeia na China é Hong Kong. Localizada na província de Cantão, a cidade sempre foi um importante entreposto comercial, onde mercadorias como tecidos, porcelanas e alimentos eram negociadas com o exterior.
  No século XIX, a Inglaterra tinha interesse nesse rico comércio com a China. Mas as lideranças chinesas daquele período, não concediam as facilidades comerciais que os ingleses tinham em outras regiões do planeta. Uma das poucas mercadorias que os ingleses conseguiam vender na China era o ópio.
Hong Kong
  O ópio é um produto extraído da papoula e transformado em pó ou barras para ser consumido. Durante séculos foi usado pela Medicina, em pequeninas quantidades, como medicamento contra a dor, principalmente como anestésico. Mas o fato é que o consumo dessa droga causa dependência e as pessoas que ficam viciadas não conseguem mais viver normalmente e trabalhar, perdendo o controle de sua vontade e de seus atos. Essa dependência pode levar à morte em pouco tempo.
  No século XIX os ingleses produziam ópio na Índia e decidiram vender para os chineses, que, na época, foram forçados a aceitar o comércio da droga.
  Hoje, em vários países pobres, como Afeganistão e Myanmar, a falta de emprego e de renda leva muitos camponeses a cultivar a papoula, bem como a produzir e a traficar o ópio.
Agricultores afegãos em plantação de papoula
  No século XIX, os governantes chineses tentaram combater o tráfico, e os ingleses reagiram, enviando uma frota de guerra em 1839. Derrotados em 1842, os chineses foram obrigados a assinar um acordo pelo qual se sujeitavam a pagar indenização, abrir cinco portos para o comércio e ceder Hong Kong aos ingleses. Anos depois, de 1856 a 1860, uma nova guerra aconteceu por causa da insistência da Inglaterra em comercializar o ópio, prejudicando milhões de famílias chinesas. No fim do século XIX, a China já havia sido obrigada a assinar tratados concedendo livre comércio do ópio aos ocidentais em mais de 50 portos.
  Logo depois, no início do século XX, as invasões japonesas estabeleceram um outro domínio estrangeiro na China. Naquela época, o Japão expandia seus domínios rapidamente, e um dos territórios que mais cobiçava era a Manchúria.
Invasões japonesas no século XX
AS REVOLTAS
  Ao longo da primeira metade do século XX, em diversos pontos do seu território, muitos chineses iniciaram uma longa luta para acabar com o domínio estrangeiro. Na década de 1920, destacaram-se dois grupos nacionalistas. Um deles, liderado pelo general Chiang Kai-shek, pregava a expulsão de todos os estrangeiros do país e contava com o apoio dos ricos proprietários rurais e das tradicionais famílias chinesas.
  O outro grupo nacionalista tinha o comando do líder socialista Mao Tsé-tung, que acreditava que a expulsão dos estrangeiros deveria ser acompanhada de uma mudança na economia, com a implantação do socialismo.
Chiang Kai-shek
A DIVISÃO DO TERRITÓRIO DÁ ORIGEM A "DUAS CHINAS"
  A guerra civil entre os dois grupos nacionalistas se espalhou por todo o território chinês. No final de 1948, as tropas lideradas por Mao Tsé-tung conseguiram grandes vitórias, cercando os comandados do general Chiang Kai-shek.
  Após muitas negociações, o general Chiang Kai-shek e seus seguidores se refugiaram na ilha de Formosa e declararam a independência daquele território, que passou a se chamar República da China, também conhecida como Taiwan. Apoiada pelos Estados Unidos e pela Inglaterra, a ilha adotou o capitalismo, permitindo a presença de empresas privadas e estrangeiras.
Palácio Presidencial em Taipé. Sede oficial do presidente da República da China desde 1950.
A CHINA MAOÍSTA
  Na parte continental do território chinês, Mao Tsé-tung tomou as terras dos grandes proprietários, mas os pequenos agricultores puderam continuar trabalhando nas próprias terras.
  Entre 1949 e 1955 conviveram na China diversas formas de produção agrícola e industrial. Existiam desde algumas pequenas propriedades familiares que se ajudavam mutuamente até grupos de 50 famílias que formavam cooperativas. O modelo econômico que mais se expandiu foi o das Comunas Populares, nas quais não existiam propriedade particular e tudo era dividido coletivamente.
Agricultores em uma Comuna Popular na China
  Após declarar-se socialista, em 1949, a China passou a receber ajuda da União Soviética para promover a sua industrialização. A partir de 1950, a organização socioeconômica do país baseou-se nos Planos Quinquenais. Elaborados a cada cinco anos, esses programas dedicavam-se ao desenvolvimento da indústria pesada (ou de base), das ferrovias, à expansão da rede elétrica e aos temas sociais, como habitação, educação e emprego.
  No entanto, as relações entre a China e a União Soviética não eram tão boas. Por exemplo, os chineses exigiam a ajuda soviética para desenvolver armas nucleares e não eram atendidos.
  Em 1953 morreu o líder da União Soviética, Josef Stalin. Seu sucessor, Nikita Krushev criticava duramente o governo de Mao Tsé-tung, e este retrucava no mesmo tom. Poucos anos depois, em 1960, as relações entre os dois países foram rompidas.
Mao Tsé-tung e Nikita Krushev em 1958
  Sem a forte ajuda soviética, as indústrias não cresciam o suficiente para promover o desenvolvimento social da China. Faltava absolutamente tudo.
  Para tentar reerguer o país, em 1955 os líderes chineses iniciaram a coletivização total da agricultura e da economia. Desapareceram as pequenas propriedades, e permaneceram somente as Comunas Populares.
  Essa medida radical foi adotada por meio de uma campanha que se estendeu de 1958 a 1960 e ficou conhecida como o "Grande Salto para Frente". Nessa época, 80% da população chinesa vivia no campo. E a meta desse plano era tornar cada Comuna Popular autossuficiente, produzindo seus próprios alimentos e as ferramentas para o trabalho.
Chineses saem às ruas para comemorar "o Grande Salto para Frente"
  Mas todo esse esforço não deu o resultado que se esperava. Ansiosos para acelerar o desenvolvimento, os governantes não planejaram corretamente a produção, e o país teve que enfrentar uma enorme desorganização produtiva. O carvão mineral era explorado em todo o território, poluindo solos e rios; florestas inteiras foram devastadas, causando a desertificação de grandes regiões; lagos foram drenados e transformados em campos de cultivo; as máquinas agrícolas não tinham peças de reposição; pássaros foram exterminados para aumentar as colheitas, o que gerou a proliferação de pragas nas plantações.
  Esse cenário catastrófico acarretou falta de alimentos e remédios, levando à morte milhões de chineses. O período crítico estendeu-se do fim de 1959 ao início de 1961 e ficou conhecido como Grande Fome.
Com o programa Grande Salto para Frente, o governo chinês incentivou o aumento da produção agrícola, especiamente do arroz.
  Para reverter politicamente o impacto desses insucessos, Mao Tsé-tung lançou a Revolução Cultural, em 1966. Mobilizando grandes massas de jovens, conclamou os chineses a lutar contra as pessoas que não acreditavam no socialismo, que passaram a ser chamadas de traidoras.
  Nesse período, Mao foi muito criticado internamente, ao mesmo tempo em que a China ficou praticamente isolada do resto do mundo.
  No início da década de 1970, ocorreu uma aproximação entre a China e os Estados Unidos. Os norte-americanos queriam aproveitar as rivalidades entre a União Soviética e a China para se fortalecerem internacionalmente.
  Em meio a essa transição, em 1976, Mao Tsé-tung morreu, e um novo grupo assumiu o poder no país.
Funeral de Mao Tsé-tung em 1976
A ERA DENG
  Em 1978, após dois anos de discussão política voltadas à escolha do novo dirigente, assumiu o poder do país um antigo líder do Partido Comunista Chinês, Deng Xiaoping (1904-1997).
  Deng herdou um país onde o salário era de apenas U$ 7 por mês e havia falta de alimentos, remédios, roupas, transportes etc.
  A única forma de tirar a China dessa situação, segundo seus líderes, era atrair empresas estrangeiras ineressadas em investir no país.
  Desse modo, em 1978, foi aprovado o Programa das Quatro Modernizações, que deveria promover o desenvolvimento da indústria, da agricultura, da ciência e da defesa militar.
Deng Xiaoping
  A meta desse plano era construir um país socialista e próspero. Para isso, o governo permitiria que a economia capitalista se instalasse no país.
  Mas a solução chinesa previa que o governo controlasse tudo. Por exemplo, estabeleceria onde, quando e como cada empresa estrangeira poderia investir no país.
  Esse modelo diferente foi chamado de Economia Socialista de Mercado. Assim, o governo manteve o poder de autorizar ou não a instalação de empresas estrangeirass, enquanto elas ficaram encarregadas de gerar empregos e pagar salários. Isso permitiu à população adquirir poder de compra, transformando-se em um grande mercado consumidor.
Modernos edifícios no Zhujiang New Town, novo centro financeiro da cidade de Guangzhou
  O governo chinês criou as ZEE (Zonas Econômicas Especiais), isto é, escolheu determinadas regiões para receber os investimentos estrangeiros, especialmente indústrias voltadas para a exportação.
  Desde a década de 1970, indústrias do mundo inteiro têm se instalado nas ZEE, atraídas pelos baixos impostos e pela mão de obra barata, além dos incentivos para exportar.
Zonas Econômicas Especiais da China
O DECLÍNIO DAS COMUNAS POPULARES
  Com essas reformas, o modelo de Comunas Populares não cabia mais na China. Criou-se um sistema de responsabilidade familiar pela terra. Essa nova forma de organização permitiu às famílias o controle das terras e ficar com os lucros da produção, pagando ao Estado impostos e taxas.
  Como os agricultores podiam ficar com os lucros, o interesse direto deles era que a produção aumentasse. Graças a esse estímulo, em poucos anos houve um aumento espantoso da produção agrícola na China.
  Nos últimos anos, ocorreu também uma impressionante modernização da atividade agrícola chinesa. Houve um sensível aumento do uso de máquinas e equipamentos, que têm ampliado ainda mais a produtividade no campo. Um exemplo dessa modernização são os projetos de irrigação implantados nas regiões áridas e desprovidas de solos férteis, como a Mongólia Interior e o Sinjiang.
  Hoje, a China tem uma produção agrícola muito diversificada, embora ainda exista o predomínio de alguns produtos.
Mapa agropecuário da China
  No extremo norte, onde predomina o clima semiárido, há grandes cultivos de algodão. Na Manchúria e no Vale do Rio Amarelo, o clima temperado e o solo de loess favorece os plantios de trigo, beterraba e soja. Mais ao sul, a proximidade com os trópicos propicia temperaturas mais elevadas e favoráveis à fruticultura, bem como às plantações de milho, arroz e cana-de-açúcar.
  Atualmente, a pecuária tem crescido bastante. Prevalecem os rebanhos tradicionais da China - suínos (maior rebanho mundial) e aves (segundo maior produtor mundial).
Plantação de arroz em Longsheng - Guangxi. A China é o maior produtor mundial.
  Apesar do sucesso de sua agropecuária, a China precisa importar alimentos, uma vez que o volume produzido não é suficiente para alimentar mais de 1,3 bilhão de habitantes.
AS CONSEQUÊNCIAS DA MODERNIZAÇÃO RURAL PARA OS CHINESES
  Os recentes avanços da agropecuária têm criado sérios problemas para o país. A modernização deixou uma enorme população rural desempregada, ao mesmo tempo que as cidades crescem numa velocidade espantosa em decorrência da multiplicação das indústrias.
  Essa situação faz com que muitos camponeses sejam atraídos para as cidades. Esses migrantes geralmente são jovens com baixa escolaridade que buscam uma vaga nos setores da construção civil ou das manufaturas.
O problema do Hukou
  O Hukou é um dos principais documentos oficiais dos chineses. Trata-se de uma caderneta oficial de residência, atribuída pelo governo a cada família. Nessa caderneta estão anotados os nomes dos familiares, o grau de parentesco, o estado civil, a moradia, o nome do empregador etc.
  Todas as famílias têm um Hukou. O camponês somente pode migrar para as cidades se houver uma autorização governamental registrada no Hukou. Caso ele esteja numa cidade e não tenha autorização registrada no Hukou, não terá direito de frequentar escolas, a trabalhar, a possuir bens e nem mesmo a usar um hospital.
  Calcula-se que existam mais de 200 milhões de chineses vivendo em situação ilegal nas cidades. Sem essa autorização, só conseguem trabalhar em serviços informais, que pagam salários menores. Mesmo assim, esses rendimentos são maiores do que os rendimentos que poderiam obter se continuassem trabalhando numa propriedade familiar rural.
Hukou certificado da RPC
  O êxodo rural tem alterado radicalmente a distribuição da população chinesa. Em 1979, cerca de 75% dos chineses moravam e trabalhavam no campo. Em 2000, esse número havia diminuído para 65%. Em 2012, o governo chinês divulgou um censo que apontava 51% dos chineses habitando nas cidades e 49% no campo.
  Mesmo antes dessa tendência à migração para as cidades, a China já tinha uma distribuição irregular da população pelo território. Nos últimos tempos, esse fenômeno somente se acentuou, já que a maioria das ZEE se localizam na faixa litorânea que margeia as Planícies Orientais, região que sempre foi a mais densamente povoada do país.
Mapa da densidade demográfica da China
  Hoje existem dezenas de cidades gigantescas, que crescem à medida que chegam as empresas estrangeiras. Suas regiões metropolitanas concentram mais de 80% de tudo que é produzido na China. Xangai possui mais de 18 milhões de habitantes, e na sua região metroplitana concentram-se mais de 24 milhões de pessoas; a capital, Pequim, conta com uma população de mais de 20 milhões na sua região metropolitana; a capital da província de Cantão, Guangzhou, possui mais de 15 milhões de habitantes. A mais antiga ZEE, Shenzhen, cuja população em 1970 era de pouco mais de 100 mil pessoas, já tem cerca de 13 milhões de habitantes em sua área metropolitana. Por sua vez, Hong Kong, importante porto e grande centro financeiro, ultrapassou os 7 milhões de habitantes.
Avenida em Shenzhen, China
A CHINA NA OMC
  Em função do aumento acelerado co comércio mundial, em 1955 um grupo de países criou a Organização Mundial do Comércio (OMC), um órgão regulador do comércio capaz de tomar decisões após as rodadas de discussões relacionadas a esse tema.
  A China passou a fazer parte da OMC em 2001, o que obrigou o governo chinês a adotar uma série de medidas para se adequar às regras dessa organização. Por exemplo, o país não pôde mais cobrar tarifas de importação exorbitantes e teve de reduzir as barreiras alfandegárias que impediam o ingresso de produtos agrícolas estrangeiros. Além disso, deve combater os monopólios e não pode oferecer incentivos que dão vantagens para seus produtos no mercado externo.
Mapa do nível de vida e desenvolvimento econômico na China
  Mesmo assim, a China é constantemente criticada, porque seus trabalhadores recebem salários tão baixos que muitas empresas preferem produzir seus produtos na China, em vez de fabricá-los em seus próprios países.
  Também é motivo de críticas a questão da pirataria. Muitas empresas deixam de lucrar bilhões de dólares anualmente por causa da existência de mercadorias falsificadas produzidas na China. O volume dessas cópias piratas é cada vez maior, apesar de elas não possuírem a mesma qualidade de mercadorias originais.
  O governo chinês diz que é muito difícil combater as fábricas de mercadorias piratas, alegando que são clandestinas e estão instaladas em porões. Para piorar a situação, a polícia chinesa afirma que essas fábricas muitas vezes usam matéria-prima de procedência duvidosa. Por exemplo, roupas e calçados piratas eventualmente são feitos com restos de lixo hospitalar, ou seja, fronhas, lençóis e aventais provenientes de um ambiente que pode conte micróbios. Esses produtos piratas poderiam contaminar os usuários.
Panda gigante - animal endêmico da China. Apesar das severas leis de proteção desse animal, muitas vezes, a sua matança clandestina pode contribuir para as indústrias piratas, que usam sua pele para fabricar produtos como ursos de pelúcia.
O CRESCIMENTO DA POPULAÇÃO CHINESA
Muitos especialistas afirmam que a população chinesa só vai estabilizar seu crescimento por volta de 2030. Até lá, continuam sendo tomadas medidas para deter o aumento populacional. Desde meados da década de 1970, por exemplo, vigora a "Campanha do Filho Único".
  Tradicionalmente ligados às atividades rurais, os chineses acreditavam que uma família só seria completa com um grande número de filhos, por isso representava mais pessoas trabalhando e elevando a renda da família.
  Para romper com esse pensamento, o governo chinês promoveu uma intensa campanha para conscientizar os chineses sobre a necessidade de deter o crescimento da população. A televisão e os jornais ressaltavam que a família feliz tem somente um filho, porque assim pode proporcionar a ela mais conforto. As regras são rígidas. O governo oferece auxílio aos casais que têm um único filho, mas cobra taxas elevadas daqueles que têm dois. Nesse caso, é comum a perda total dos benefícios.
Cartaz incentivando a Política do Filho Único na China
  Na década de 1980, essa campanha usava frases grosseiras que em nada contribuíam para a conscientização da população. Frases como "um novo bebê significa um novo túmulo" ou "tenha menos crianças e mais porcos" não são mais utilizadas.
  Hoje a campanha usa frases mais delicadas , como "a mãe Terra está cansada de sustentar tantas crianças", que mostram a preocupação que o governo tem com o sustento dessa crescente população.
  Mas a campanha tem gerado inúmeros problemas. Muitas crianças que são "segundo filho" são abandonadas e entregues a orfanatos que, muitas vezes não oferecem bons cuidados. Além disso, surgiu na China uma verdadeira indústria clandestina de abortos. Essa situação é particularmente grave, pois os casais mais tradicionalistas preferem filhos homens e chegam a pagar por ultrassons clandestinos para saber o sexo do bebê. Eles acreditam que o filho homem trabalha e pode sustentar seus pais na velhice; já as meninas, ao se casarem, deixam a casa dos pais, que ficam sem a sua ajuda.
Controlar o crescimento da população era o principal objetivo da Política do Filho Único.
  Essas motivações deixaram marcas na sociedade chinesa. O número de homens já é bem maior que o número de mulheres: calcula-se que são necessárias mais de 30 milhões de meninas para equilibrar a situação. Isso sem contar que muitas crianças chinesas que são "segundo filho" não têm registro porque suas mães deram à luz em regiões afastadas e não declararam seu nascimento para o governo. Desse modo, está nascendo e crescendo na China uma enorme massa de pessoas sem nome oficial.
  Nos últimos anos, o governo chinês tem analisado casos de casais que dispõe de recursos financeiros e gostariam de ter um segundo filho. Em 2008, por exemplo, vários casais tiveram autorização para ter mais filhos nas zonas atingidas por tragédias como terremotos, que mataram milhares de crianças.
Criança chinesa embaixo de escombros após um terremoto que atingiu a província de Sichuan, em maio de 2008.
O MASSACRE DA PRAÇA DA PAZ CELESTIAL
  Durante todo o processo de mudanças na China, a única coisa que não mudou foi o poder exercido pelo Partido Comunista Chinês, que monopoliza a vida política e econômica. O país vivia e ainda vive sob forte censura.
  No início da década de 1980, os jovens chineses lutavam por mais liberdade em seu país. Eles queriam que a China fosse uma democracia de fato, e não somente uma promissora potência econômica. A maioria dos líderes chineses achava que a posição dos jovens era uma ameaça, e o governo começou a reprimir cada vez mais duramente qualquer manifestação estudantil.
  Mas o líder Hu Yaobang (1915-1989) não concordou com isso e renunciou em 1987, transformando-se num símbolo da luta dos jovens. No início de 1989, seu estado de saúde era muito grave, e milhares de jovens se reuniram para homenageá-lo na Praça Tiananmen (Paz Celestial), que passou a ser o centro de resistência estudantil.
Hu Yaobang
  Naquele mesmo ano, em maio, o líder soviético Mikhail Gorbatchev visitou a China, e os jovens o receberam com festa, pois ele tinha feito a abertura política na União Soviética (Glasnost), tão ambicionada por eles.
  Alguns jovens acampados na praça iniciaram greve de fome contra a ditadura comunista e outros, formando grupos de até 100 mil pessoas, desfilaram em passeata, exigindo democracia. Numa última tentativa de contornar a situação, líderes do governo foram às emissoras de rádio e televisão pedir que os jovens abandonassem a praça.
  Sem ter alcançado êxito nessa tentativa e acusando os estudantes de baderneiros, o governo decretou lei marcial e ordenou que as tropas tomassem a praça. Nos confrontos morreram entre 800 e 2.600 estudantes chineses em menos de meia hora. A repressão foi violentíssima, e, até hoje, o mundo relembra com tristeza aquele 4 de junho de 1989.
Jovem desarmado diante de tanques durante o protesto na Praça da Paz Celestial em 1989
  Nos últimos anos, o governo chinês tem prestado homenagens à memória de Ho Yaobang. Aparentemente, tenta acalmar aqueles que ainda lutam por mais democracia na China.
A DEVOLUÇÃO DE HONG KONG
  Hong Kong foi adquirido da China pela Inglaterra em três estágios: a ilha de Hong Kong, pelo Tratado de Nanking em 1842, a península de Kowloon, pela Convenção de Pequim (Beijing) em 1860 (ambas as regiões em caráter definitivo), e os Novos Territórios - abrangendo a área continental próxima a Kowloon e cerca de 235 ilhotas - pela Segunda Convenção de Pequim em 1898, por um período restrito a 99 anos.
  Em dezembro de 1984, a Declaração Conjunta Sino-Britânica, pela qual Hong Kong voltaria a pertencer à China em 1º de julho de 1997, foi assinada em Pequim, sendo ratificada em maio de 1985. A Lei Básica, uma mini-constituição da Região Administrativa Especial de Hong Kong, foi promulgada pelo Congresso Nacional do Povo Chinês em abril de 1990. O principal objetivo da Declaração Conjunta e da Lei Básica é a manutenção, por 50 anos, do modo de vida característico de Hong Kong, incluindo seus sistemas econômicos e legais. Assim, Hong Kong como uma Região Administrativa Especial da República Popular da China mantém "uma alto grau de autonomia", com poder total sobre seus assuntos internos. A Lei Básica prevê que o sistema e políticas socialistas não serão praticadas em Hong Kong; que as leis nacionais chinesas não deverão, com pequenas exceções, serem aplicadas em Hong Kong; a RAE possui seu próprio governo com poderes próprios e independentes (legislativo, executivo e judiciário). Hong Kong possui, ainda, finanças independentes, liberdade das taxas chinesas e um sistema próprio de taxação, sua própria moeda e o status de porto livre.

Mapa de Hong Kong
  Após a Revolução Comunista de Mao Tsé-tung, que assumiu o comando da China continental em 1949, diversos países capitalistas manifestaram apoio à Inglaterra ante a possibilidade de um ataque das tropas de Mao contra Hong Kong. Durante a Guerra da Coreia, em 1950, os Estados Unidos boicotaram o comércio com a China comunista, medida que afetou consideravelmente a atividade comercial de Hong Kong. Para enfrentar esse embargo, promoveu-se o desenvolvimento da indústria nos anos 1950 e 1960. Com forte apoio de bancos ingleses, surgiram muitas indústrias em Hong Kong. Setores industriais de eletroeletrônicos, tecidos e roupas fizeram de Hong Kong um dos polos econômicos mais importantes do mundo. Para isso, também contribuíram os baixos impostos, as tarifas de importação e exportação mínimas, a ampla liberdade para os investimentos, além da mão de obra barata proporcionada pelos chineses refugiados.
Rua comercial em Hong Kong
  No início da década de 1980, a China começou a pressionar a Inglaterra para que Hong Kong fosse devolvida. Após 15 anos de negociações, os ingleses cederam às pressões e assinaram um acordo que devolvia Hong Kong aos chineses sob algumas condições.
  Finalmente, no dia 1º de julho de 1997, a China recuperou o controle de Hong Kong, após 155 anos de domínio colonial britânico. Hong Kong passou a ser uma Região Administrativa Especial da China e poderá manter seu sistema social e econômico sem intervenção do governo chinês até pelo menos 2047. 
Visão noturna de Hong Kong
A DEVOLUÇÃO DE MACAU
  A cidade de Macau era outra possessão estrangeira na China. Localizada na foz do rio das Pérolas, vizinha a Hong Kong, Macau era uma das mais antigas colônias e possessões portuguesas.
  Sendo uma vila de pescadores e um pequeno centro comercial, Macau nunca foi tão poderosa quanto a sua vizinha Hong Kong.
  A influência dos chineses era cada vez maior, pois Portugal nunca exerceu grandes restrições nas fronteiras. Em 1965, começou a crescer em Macau um movimento favorável à sua anexação pela China, que, na época, passava pela Revolução Cultural de Mao Tsé-tung. 
Mapa de Macau - China
  Em 1974, com o fim do regime ditatorial de Antônio de Oliveira Salazar em Portugal, os novos líderes portugueses estabeleceu como meta devolver todas as colônias, tanto na África como na Ásia, inclusive Macau. A China não aceitou a devolução imediatamente; preferiu realizar estudos na década de 1980, para que a devolução fosse feita de forma organizada. A devolução ocorreu formalmente em 20 de dezembro de 1999, quando Macau também se transformou numa Região Administrativa Especial, dotada de governo próprio.
  Macau foi colonizada e administrada por Portugal durante mais de 400 anos; foi o primeiro entreposto e também a última colônia europeia na China. Hoje, a influência portuguesa em Macau é pequena. De qualquer forma, a língua portuguesa ainda é falada por uma minoria da população.
  Atualmente, a riqueza gerada em Macau provém, em grande parte, do turismo, atraído por um enorme complexo de hotéis luxuosos e cassinos, que renderam uma apelido a Macau: "Las Vegas da Ásia".
Visão da ilha de Macau
A QUESTÃO DO TIBETE
  O Tibete sempre foi uma região com grande autonomia. Relatos históricos confirmam que já existia uma unidade política na região desde o século VII a.C. Seu governo era exercido por um líder espiritual, conhecido como Dalai Lama.
  No governo de Mao Tsé-tung, essa região começou a ser cobiçada pelos chineses, que, durante a década de 1950, ampliaram sua presença militar na região. Nesse mesmo período, os tibetanos escolheram como novo líder, ou seja, Dalai Lama, um jovem de 15 anos chamado de Tenzin Gyatso, que passou a exigir a libertação do país.
Em laranja a região do Tibete
  Em 1959, temendo ser preso e assassinado pelas tropas chinesas, o Dalai Lama fugiu para a Índia, país que apoia a independência do Tibete.
  Desde então, os chineses ampliaram sua presença militar e econômica na região. Por isso, passaram a ser hostilizados pela população tibetana, que acusa os militares chineses de destruírem templos, sequestrarem e matarem monges.
  Do exílio, o Dalai Lama iniciou uma campanha internacional pela libertação do Tibete, exercendo forte pressão sobre a China.
  Nos últimos anos, a China tem convidado o Dalai Lama para conversar sobre a região, mas o líder tibetano exige a total autonomia do Tibete. Essa pretensão, provavelmente, jamais será atendida, pois a região é extremamente estratégica para a China. Encravado na cordilheira do Himalaia, o Tibete abriga as nascentes de alguns dos mais importantes rios da Ásia, alimentados pelo derretimento das geleiras montanhosas no verão.
Monte Everest no Tibete
A QUESTÃO DE TAIWAN
  Desde 1949, a China e Taiwan mantêm uma relação muito tensa. Taiwan se autodenominou República da China. Por sua vez, a China continental usa o nome de República Popular da China. Desde o governo de Mao Tsé-tung, a China continental, socialista, considera a ilha uma província rebede que deve ser anexada ao país.
  Os líderes de Taiwan rejeitam essa possibilidade e se declaram totalmente independentes da China. Desde o início da década de 1990, Taiwan acusa a China de estar planejando a invasão da ilha.
  Em 2000, surgiram alguns grupos em Taiwan que pregam um maior diálogo com a China continental. Existem também taiwaneses que defendem a abertura de negociações para uma integração plena dos dois territórios. Certamente, esses grupos estão sendo atraídos pelo grande desenvolvimento econômico da China nos últimos anos.
Mapa de Taiwan
O TURISMO NA CHINA
  A indústria do turismo é um dos setores que crescem mais rapidamente dentro da economia chinesa, e é também um dos setores com uma linha de competição global muito distinta. Os fatores que têm contribuído para o grande desenvolvimento dessa atividade são as belezas arquitetônicas, históricas, culturais e naturais que o país dispõe. Atualmente são cerca de 15 mil atrações naturais, culturais e artificiais no país, que atraem milhões de turistas todos os anos.
Grande Muralha da China
  Atualmente, os investidores de Hong Kong são os principais participantes do estabelecimento de atrações turísticas da China.
  A Organização Mundial do Turismo prevê que a China vai se tornar a maior indústria turística do mundo, e que representará 8,6% do mercado de turismo mundial em 2002.
Cidade Proibida em Pequim
ALGUNS DADOS SOBRE A CHINA
NOME: República Popular da China
CAPITAL: Pequim
Templo do Céu - um dos símbolos de Pequim - capital da China
LÍNGUA OFICIAL: chinês mandarim
ESTABELECIMENTO:
Unificação da China sob a Dinastia Qin: 221 a.C.
Estabelecimento da República: 1 de janeiro de 1912
Proclamação da República Popular: 1 de outubro de 1949
GENTÍLICO: chinês
LOCALIZAÇÃO: Ásia Oriental
ÁREA: 9.596.961 km² (3º)
POPULAÇÃO (ONU - 2011): 1.388.612.968  habitantes (1º) 

DENSIDADE DEMOGRÁFICA: 139,48 hab./km² (54°)
MAIORES CIDADES: 
Xangai - maior cidade da China
Xangai (Estimativa 2012): 24.315.895 habitantes
Pequim (Estimativa 2012): 20.612.658 habitantes.
Pequim - capital e segunda maior cidade da China
Tianjin (Estimativa 2012): 12.987.478 habitantes
Tianjin - terceira maior cidade da China
PIB (FMI - 2011): US$ 7,298 trilhões (2º)
IDH (ONU - 2011): 0,687 (101º)
EXPECTATIVA DE VIDA (ONU - 2005/2010): 73,0 anos (82º) 
CRESCIMENTO VEGETATIVO: 0,58% (156°)
MORTALIDADE INFANTIL (ONU - 2005/2010): 24,63/mil (94°)
TAXA DE URBANIZAÇÃO (CIA WORLD FACTBOOK - 2008): 46,9% (125°) 
TAXA DE ALFABETIZAÇÃO (PNUD - 2009/2010): 93,3% (80°) 
PIB PER CAPITA (FMI - 2011): U$ 5.414 (89°) 
MOEDA: Renminbi (Yuan) 
RELIGIÃO (2010): agnosticismo e ateísmo (42%), religiões tradicionais e taoísmo (30%), budismo (18%), cristianismo (4%), religiões étnico-minoritárias (4%), islamismo (2%).
DIVISÃO: a República Popular da China (RPC) tem o controle administrativo sobre 22 províncias  e considera Taiwan como a sua 23ª província, apesar da ilha ser administrada pela República da China (RC), que contesta a alegação da RPC. A China também tem cinco subdivisões oficialmente denominadas de regiões autônomas (cada uma com um grupo étnico minoritário designado); quatro municípios e duas Regiões Administrativas Especiais (RAE), que possuem um alto grau de autonomia política. Estas 22 províncias, cinco regiões autônomas e quatro municípios podem ser referidos coletivamente como "China Continental", um termo que geralmente exclui as RAE de Hong Kong e Macau. Nenhuma dessas divisões são reconhecidas pelo governo da RC, que reivindica a totalidade do território da RPC. As províncias da China são: Anhui, Cantão, Fujian, Gansu, Guizhou, Hainan, Hebei, Heilongjiang, Henan, Hubei, Hunan, Jiangsu, Jiangxi, Jilin, Liaoning, Qinghai, Shaanxi, Shanxi, Sichuan, Taiwan, Xantum, Yunnan e Zhejiang. As regiões autônomas são: Guangxi, Mongólia Interior, Ningxia, Xinjiang e Tibete. Os municípios são: Pequim, Chongqing, Xangai e Tianjin. As Regiões Administrativas Especiais são: Hong Kong e Macau.
Divisão administrativa da China
FONTE: Tamdjian, James Onnig. Estudos de geografia: o espaço do mundo II, 9º ano / James Onnig Tamdjian, Ivan Lazzari Mendes. - São Paulo: FTD, 2012.