ALDANN CONSTRUÇÕES

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segunda-feira, 29 de julho de 2013

AS REDES DA ILEGALIDADE

  O crime organizado, também denominado de organização criminosa, é toda organização cujas atividades são destinadas a obter poder e lucro, transgredindo a lei das autoridades locais, como o tráfico de drogas, os jogos de azar, a corrupção, entre outros. Em cada país, as facções do crime organizado costumam a receber um nome próprio.
  Atuando em escala global, o crime organizado mantém em funcionamento o tráfico de mercadorias ilícitas, como os produtos contrabandeados e as drogas. As rotas da ilegalidade são constituídas também por um negócio igualmente lucrativo e perverso: o comércio ilegal de seres humanos, no qual pessoas são sequestradas ou aliciadas em seus países de origem para ser vendidas e exploradas fora do seu país. As mulheres e as meninas, que são a maioria das vítimas, são forçadas à servidão doméstica, e muitas vezes, à prostituição. Os homens são utilizados, principalmente, nas minas e nos campos agrícolas. Crianças de ambos os sexos são utilizadas no trabalho fabril, sobretudo no setor têxtil.
  O tráfico de pessoas intercontinental é originado principalmente na Ásia Oriental, na região do Pacífico e na África, de acordo com o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODOC).
Mapa da rota do tráfico mundial de humanos
O CRIME ORGANIZADO
  Em 1919, uma emenda à Constituição dos Estados Unidos, conhecida como Lei Seca, proibiu a produção e comercialização de bebidas alcoólicas em todo o país. Os políticos conservadores e as organizações religiosas esperavam que essa medida radical resolvesse o problema do alcoolismo, já que era, naquela época, a maior ameaça ao bem-estar da sociedade norte-americana. Porém, a estratégia não surtiu efeito. As bebidas continuaram a ser controladas e disputada por criminosos rivais. Dessa forma, uma nova ameaça ganhou força com a proibição: o crime organizado.
  O personagem mais conhecido desse período é Al Capone, imigrante italiano que chegou aos Estados Unidos e começou a participar de organizações criminosas, até deter o controle dos pontos de venda de bebidas alcoólicas, da prostituição e do jogo ilegal na cidade de Chicago na década de 1920.
Alphonsus Gabriel Capone, mais conhecido como Al Capone, um dos mais famosos líderes do crime organizado no mundo na década de 1920
  Depois de anos agindo ilegalmente na cidade, assassinando adversários, participando de corrupção com policiais e juízes e expandindo seus "negócios", Al Capone foi preso em 1931. Apesar da justiça não apresentar provas concretas do seu envolvimento com o contrabando e assassinatos, ele acabou sendo preso por não pagar impostos ao governo dos Estados Unidos.
  Mesmo tendo se tornado uma figura quase mítica do mundo do crime, o italiano exercia o poder apenas em algumas cidades. Isso ocorria porque, com a Lei Seca favorecendo o contrabando de bebidas, cada cidade possuía sua própria "família" mafiosa comandando as atividades criminosas locais. Essas famílias poucas vezes ultrapassavam as fronteiras regionais.
Agentes do governo norte-americano confiscando e descartando bebidas clandestinas em Chicago - 1921
  O sul da Itália foi o berço histórico de várias organizações criminosas. Sua origem remonta à Idade Média, quando famílias se uniam para manter, com o uso da violência, o controle sobre a economia de determinadas regiões.
  As máfias italianas mais importantes são a Cosa Nostra, com sede na ilha da Sicília; a Camorra, localizada na cidade de Nápoles; e a Ndranghetta, da região da Calábria. A relação entre essas facções criminosas sempre foi marcada pelo respeito mútuo, apesar de ocorrerem episódios de violência entre seus membros.
  As "famílias" mafiosas italianas mantêm rituais de iniciação e rígidos códigos de conduta. O apadrinhamento garante laços que se igualam ao de parentesco. A lealdade deve ser total, e qualquer traição é punida com violência. Além disso, há um pacto de silêncio, conhecido como omertá, que dificulta muito a captura dos grandes chefes.
Regiões controladas pela máfia italiana
  Organizações criminosas semelhantes à máfia não se desenvolvem apenas na Europa e nos Estados Unidos. As máfias orientais são também muito antigas.
  A Yakuza, famosa máfia japonesa, possui rígidas normas de conduta originadas da distorção dos códigos de comportamento dos samurais (os guerreiros do Japão feudal). Seus membros passam por diversos rituais de iniciação e têm o corpo coberto por tatuagens que simbolizam a força e a lealdade do grupo. Quando falham em alguma missão, perdem a falange do dedo mindinho; falhando novamente, perdem a vida.
Integrantes do Yakuza participando de um festival local no Japão
  As máfias também se desenvolveram na China, oriundas de antigas sociedades secretas. São as chamadas tríades chinesas, que, além de extorquir pessoas e explorar a prostituição, obtiveram poder e dinheiro com o controle da venda de drogas como o ópio e a heroína.
  Nos séculos XIX e XX, as máfias tradicionais ampliaram muito seus negócios devido aos fluxos migratórios. Os mafiosos italianos se estabeleceram em várias cidades dos Estados Unidos, principalmente em Nova York, Chicago e São Francisco. Já os chineses e os japoneses passaram a controlar atividades criminosas por todo o Sudeste Asiático e também em bairros orientais das cidades mais importantes da América do Norte, como o Chinatown de São Francisco.
  Há outros bairros denominados "Chinatown" também nas cidades estadunidenses de Nova York, Portland, Boston, Los Angeles, Chicago, Detroit, Houston e Honolulu (no Havaí), e nas cidades canadenses de Toronto, Montreal, Vancouver e Edmonton.
Chinatown de Montreal - Canadá
A GLOBALIZAÇÃO DO CRIME
  Muita coisa mudou desde o tempo da Lei Seca estadunidense e das primeiras máfias europeias e asiáticas. Os meios de comunicação sofreram uma verdadeira modificação, que repercutiu nas relações econômicas e sociais. Os mercados tornaram-se mundiais e as bolsas de valores passaram a atuar on line, tornando-se possível a ampliação dos fluxos internacionais de comércio, capitais e bens culturais.
  Acompanhando a tendência da globalização econômica e da mundialização dos capitais, o crime organizado não possui mais fronteiras: está presente em todo o mundo com uma notoriedade que nunca teve antes. Jamais em toda a história da humanidade, constatou-se tamanha ampliação da criminalidade. O crime global não apenas se expandiu, mas também, graças à sua capacidade de acumular riquezas, transformou-se em uma poderosa força política.
  A tecnologia diminuiu significativamente os custos de transporte e possibilitou que produtos ilegais, antes inviáveis de ser transportados - como órgãos humanos e grandes quantidades de outras mercadorias ilegais - passassem a ser comercializados. Possibilitou, também, uma enorme quantidade de produtos até então inexistentes, como softwares piratas, produtos falsificados e até geneticamente modificados.
A comercialização de CDs e DVDs piratas faz parte da pirataria moderna
A DIVERSIFICAÇÃO DA ILEGALIDADE
  As organizações criminosas atuais não se limitaram a apenas um ramo de atividade. Além de atuar em todos os ramos já dominados pelo crime - como tráfico de drogas, tráfico de pessoas, sequestros e cobrança de taxas de proteção -, investem em negócios "limpos", especulando no mercado financeiro, construindo hotéis e centros de lazer, realizando empreendimentos no mundo da moda e da alta costura, abrindo empresas de construção civil e até mesmo financiando campanhas políticas em vários países.
  O combate ao crime tornou-se ainda mais difícil, pois o dinheiro obtido de forma ilegal passa muito rápido de um país para outro, e a rede de produção e consumo de mercadorias ilícitas abrange praticamente o mundo todo.
  Aliado a isso tudo, existe ainda um imenso mercado de tecnologias militares, armas e equipamentos, setor que antes era controlado pelos Estados e hoje está nas mãos de empresas privadas. Apesar dessas empresas serem importantes para as operações legais, grande parte do comércio de armas é realizada de maneira ilícita, à margem das regulamentações internacionais. É o comércio ilegal de armas o responsável, em grande parte, por conflitos civis no mundo inteiro, especialmente na África e nas favelas brasileiras.
Na África, grande parte das armas que abastecem os grupos rebeldes entram de forma ilegal, sendo trocadas principalmente por pedras preciosas
O NARCOTRÁFICO
  Atualmente, a maior fonte de renda do crime organizado é o tráfico de drogas, o chamado narcotráfico. A maconha é a droga ilícita mais consumida, mas o tráfico de cocaína e heroína é o que representa o maior negócio, movimentando bilhões de dólares em todo o mundo.
  A Cannabis (maconha) é cultivada em praticamente todos os países do mundo, sendo considerada a droga mais amplamente produzida. O Marrocos lidera a produção mundial desse produto, seguido pelo Afeganistão.
Mapa do consumo de maconha no mundo
  Os maiores produtores da folha de coca são a Colômbia, o Peru e a Bolívia.
  Tradicionalmente, os países andinos mascam a folha de coca para inibir a fome, regular a temperatura e atenuar os efeitos da altitude sobre o organismo.
  A cocaína, por sua vez, é obtida por meio de um processo químico de refino da folha da coca, feito em laboratórios e instalações clandestinas. A droga é então enviada para uma extensa rede de traficantes para o mundo inteiro, especialmente para os Estados Unidos e para a Europa Ocidental - principais mercados consumidores. De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), em 2012 existiam entre 20 e 25 milhões de usuários de cocaína no mundo.
Mapa dos principais produtores e consumidores de cocaína
  A heroína é produzida a partir da pasta de ópio, extraída da papoula. O ópio é cultivado há vários séculos na Ásia e consumido na Europa desde o século XIX.
  No início do século XX, a China viveu uma verdadeira "epidemia" do ópio, com o aumento exponencial do número de usuários. Em 1909, foi formada em Xangai a Primeira Comissão Internacional do Ópio, primeiro organismo internacional antidrogas.
  A produção mundial de ópio diminuiu em cerca de 70% desde o início do século XX. O número de usuários decresceu de 90 milhões em 1909 para cerca de 20 milhões na última década. Apesar disso, o ópio ainda é um dos grandes problemas de saúde pública em diversos países asiáticos, em razão dos enormes custos do tratamento da dependência química provocada pelo uso dessa substância.
  O Afeganistão é o líder mundial na produção de ópio, seguido por Myanmar e Laos.
  Na América, a papoula é cultivada para a produção de heroína na Colômbia e no México. Enquanto as medidas tomadas para a redução do cultivo de ópio no Afeganistão começam a surtir efeitos, a produção no México está em escala ascendente, transformando o país em um dos maiores produtores de derivados do ópio.
Mapa do fluxo mundial de heroína
AS DROGAS E A VIOLÊNCIA
  Além da maconha, da cocaína e da heroína, uma série de outras drogas sintéticas - drogas produzidas a partir de substâncias químicas em laboratórios -, como as anfetaminas, contribui para um faturamento estimado em centenas de bilhões de dólares em todo o mundo.
  As consequências do tráfico e do consumo de drogas não afetam apenas seus dependentes e suas famílias, mas toda a sociedade, de diferentes formas.
  As drogas são um dos maiores problemas de saúde pública. Milhares de usuários precisam ser atendidos pelos sistemas médicos dos países que sofrem com o tráfico e o tratamento para a dependência química é complicado, caro e demorado. Além disso, o índice de jovens mortos pelo consumo de drogas aumentam muito a cada ano.
Mapa dos principais problemas com drogas refletido em procura por tratamento
  Outro problema está diretamente relacionado com o poder das máfias e do crime organizado. As fortunas conseguidas com o narcotráfico acabam financiando outros tipos de atividades ilegais, como corrupção de autoridades públicas, extorsões, roubos a bancos e compras de armamento cada vez mais potentes. Além disso, milhares de jovens e crianças são utilizados pelas organizações como mão de obra para o próprio tráfico e para outras atividades ilegais.
O tráfico de drogas contribui cada vez mais para a entrada de jovens no mundo do crime
AS MÁQUINAS DE LAVAR DINHEIRO
  Movimentando uma fortuna superior ao PIB de muitos países, o crime organizado camufla a origem ilegal e a movimentação do dinheiro. Ocorre um processo conhecido como "lavagem de dinheiro", por tornar legal, ou seja, "limpo", o dinheiro "sujo" obtido pelo narcotráfico e pelo crime.
  Uma grande soma obtida ilicitamente é dividida em montantes menores e depositada em centenas de contas "fantasmas" (abertas com documentos falsos em nome de pessoas inexistentes) ou de "laranjas" (pessoas que voluntária ou involuntariamente têm suas contas utilizadas para a transferência de dinheiro sujo). Esse dinheiro é então transferido de diversas formas (saques, ordens de pagamento, cheques de viagem, cartões de crédito) para outras contas, até que fique impossível rastrear sua origem ilegal.
  Preocupados com a falta de controle sobre a movimentação de dinheiro sujo, vários países tentam adotar medidas para dificultar a lavagem, como quebra do sigilo bancário, identificação dos clientes dos bancos e maior vigilância sobre as instituições financeiras.
Esquema da lavagem de dinheiro
OS PARAÍSOS FISCAIS
  A globalização possibilitou que negócios ilícitos estabelecessem suas redes e facilitou a transferência de dinheiro entre sistemas financeiros de diversos países. Atualmente, é possível transferir fortunas de um banco para outro simplesmente apertando a tecla de um computador. Em minutos, o dinheiro pode passar por vários bancos em diversos países, até atingir um destino "seguro".
  O erro cometido por Al Capone alertou outros criminosos, que hoje procuram evitar a possibilidade de condenação por fraudes no imposto de renda. Hoje em dia, o dinheiro, já devidamente lavado, é depositado em paraísos fiscais.
  Os paraísos fiscais são países ou regiões que garantem o total sigilo das operações bancárias e também a quase completa isenção de impostos, criando condições perfeitas para o investimento do dinheiro conseguido ilegalmente.
  No final de todo esse processo, o dinheiro fica disponível para investimentos em negócios legais. No passado, as máfias concentravam suas fortunas principalmente na compra de restaurantes, hotéis e imóveis. Com as facilidades em lavar o dinheiro e com um faturamento centenas de vezes maior, seus "negócios" concentram-se agora em investimentos especulativos, como a compra de ações de empresas em bolsas de valores do mundo inteiro, o jogo com a flutuação cambial e a participação em processos de privatizações de empresas.
Principais paraísos fiscais no mundo
A BIOPIRATARIA
  Outro tipo de comércio ilegal é a biopirataria. A biopirataria é a exploração, manipulação, exportação e/ou comercialização internacional de recursos biológicos que contrariam as normas da Convenção sobre Biodiversidade Biológica.
  A biopirataria não é apenas o contrabando de diversas formas de vida da flora e da fauna, mas, principalmente, a apropriação e monopolização dos conhecimentos das populações tradicionais no que se refere ao uso dos recursos naturais. Atualmente, essas populações estão perdendo o controle sobre os recursos naturais. Este conhecimento é coletivo, e não simplesmente uma mercadoria que se pode comercializar sobre qualquer objeto no mercado.
  O conceito de biopirataria surgiu em 1992 durante a Convenção sobre a Diversidade Biológica apresentada na Eco-92. Desde então a biopirataria vem sendo tema de infindáveis discussões sobre a apropriação indébita por parte de grandes laboratórios farmacêuticos internacionais dos conhecimentos adquiridos por povos indígenas, quilombolas e outros, acerca das propriedades terapêuticas ou comerciais de produtos da fauna e da flora de diversos países, ou de seus princípios ativos utilizados para a confecção de medicamentos.
Os conhecimentos indígenas são os mais cobiçados pelas empresas farmacêuticas
  A biopirataria acontece em qualquer país do mundo que possua recursos naturais com potencial de comercialização e poucos investimentos em pesquisa e regulamentação, principalmente relacionada a medicamentos. O Brasil é o país com a maior biodiversidade do planeta. Isso contribui para o aumento da biopirataria, principalmente relacionada com o tráfico de animais, a retirada dos produtos da flora e os conhecimentos das comunidades tradicionais. A extração ilegal de madeira figura também como biopirataria.
  Dentre os produtos que estão na lista da biopirataria no Brasil está o açaí, que chegou a ser patenteada pela empresa japonesa K. K. Eyela Corporation, mas que devido à pressão de diversas ONGs e da mídia, teve sua patente caçada pelo governo japonês. Outro caso foi o do veneno da jararaca, que teve o princípio ativo descoberto por um brasileiro, mas o registro acabou sendo feito por uma empresa norte-americana (Squibb), que usou o trabalho e patenteou a produção de um medicamento contra a hipertensão (o Captopril), nos anos 1970.
Os produtos da Amazônia são os mais cobiçados no mundo da biopirataria
  A maior parte dos recursos biopirateados vai para as grandes e multimilionárias empresas, sendo que a grande maioria delas encontram-se nos países desenvolvidos. Os produtos biopirateados são comercializados no comércio mundial como se fossem originários dos países onde se encontram a sede dessas empresas.
FONTE: Araújo Regina. Observatório de geografia / Regina Araújo, Ângela Corrêa da Silva, Raul Borges Guimarães. - 1. ed. São Paulo: Moderna, 2009.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

O IMPÉRIO BIZANTINO

  O Império Bizantino ou Bizâncio, foi o Império Romano do Oriente durante o fim da Idade Antiga e a Idade Média, centrado na sua capital, Constantinopla.
  No século IV, o Império Romano dava sinais claros da queda do seu poder no Ocidente, principalmente em decorrência das invasões bárbaras. Diante disso, o Imperador Constantino transferiu a capital do Império Romano para a cidade oriental de Bizâncio, mudando o seu nome para Constantinopla. Essa mudança, ao mesmo tempo que significava a queda do poder no ocidente, contribuiu para aumentar o comércio, graças a localização de Constantinopla, que ficava entre o Mar Negro e o mar Egeu, onde no meio desses mares há o Mar de Mármara, separada pelo Estreito de Bósforo.
UMA CIDADE ENTRE DOIS CONTINENTES
  Por ficar numa área estratégica, que separa a Europa da Ásia, Bizâncio foi uma importante rota comercial da época. Aliada à sua posição estratégica, outro elemento favorável a Bizâncio era a sua topografia, que facilitava a defesa, junto com a construção de muralhas e outras obras.
Fotografia aérea do estreito de Bósforo
  Em 324, por ordem do imperador, foram reunidos arquitetos, engenheiros, artesãos e muitos outros trabalhadores para reformar a cidade e prepará-la para sua nova função. Construíram-se novas estradas, casas, igrejas, muralhas e outras edificações.
  As obras foram inauguradas em 330 por Constantino I com o nome de Nova Roma. Após essas obras, durante a Idade Média, Bizâncio passou a ser chamada de Constantinopla (ou Cidade de Constantino).
Mosaico de Constantino
A RECRIAÇÃO DE UM IMPÉRIO
  Após a morte do Imperador Teodósio I, em 395, o Império Romano foi dividido em duas partes. Constantinopla tornou-se a capital do Império Romano do Oriente, e Roma ficou como capital do Império Romano do Ocidente.
  Após a divisão do Império, Roma foi sofrendo sucessivas invasões de povos germânicos, levando a sua fragmentação e dissolução final. Já na parte oriental, o progresso foi tomando conta do império. Lá se encontravam algumas das maiores cidades da época, o comércio era dinâmico e havia muitas terras férteis para o cultivo. Constantinopla crescia, e em 412 chegou a contar com 250 mil habitantes.
Mapa de Constantinopla
  Ao longo dos séculos seguintes, o Império Romano do Oriente acumulou muitas riquezas, seus habitantes conseguiram resistir às invasões estrangeiras por muito tempo, levando os governantes a ampliar seus domínios.
  Assim, houve uma recriação do Império Romano durante a Idade Média, porém, centrado mais ao leste e com elementos culturais distintos do império localizado a oeste. Para separar essa distinção, o Império Romano do Oriente passou a se chamar "Império Bizantino".
A divisão do império após a morte de Teodósio I
  Império Romano do Ocidente

  Império Romano do Oriente
O CRESCIMENTO COMERCIAL E URBANO
  A localização de Constantinopla, favoreceu a atividade mercantil e o desenvolvimento econômico do Império Bizantino.
  Por meio de seus funcionários, o governo central controlava todas as atividades econômicas, fiscalizando a qualidade e a quantidade dos produtos. O próprio Estado bizantino era dono de negócios de pesca, metalurgia, armas e tecelagem.
  Nas cidades, as oficinas particulares de artesanato organizavam-se em corporações de ofícios, formadas por oficinas de um mesmo ramo, como carpintaria, tecelagem e sapataria.
Corporações de ofício - inicialmente adotadas na Europa, se expandiu no Império Bizantino
  O comércio com outras regiões gerou grandes lucros para os negociantes de Constantinopla. Entre os principais produtos comercializados, destacavam-se:
  • artigos de luxo - perfumes, tecidos de seda, peças de porcelana e vidro, feito por artesãos chineses, árabes, persas ou indianos e revendidos aos europeus mais ricos;
  • produtos agrícolas - trigo, especiarias, vinho e azeite, produzidos no norte da África, na Grécia e na Síria;
  • produtos artesanais das cidades do Império - joias, tecidos e artigos de ouro e marfim.
  A intensa e lucrativa atividade comercial contribuiu para movimentar a vida urbana no Império. A principal cidade era a capital, Constantinopla, que no século X chegou a ter um milhão de habitantes. Outras cidades também foram importantes no Império, como Tessalônica, Niceia, Edessa, Trebizonda e Tarso.
Muralhas bizantinas na cidade de Tessalônica - Grécia
A VIDA NAS CIDADES
  Nas maiores cidades do Império Bizantino viviam grandes comerciantes, donos de oficinas e manufaturas, membros do alto clero e altos funcionários do governo. Eles consumiam artigos de luxo, como roupas de lã e seda bordadas com fios de ouro e prata, vasos de porcelana e tapeçarias. Essas pessoas compunham a elite das cidades bizantinas.
  Também viviam nas cidades do Império escravos, artesãos, empregados de oficinas e manufaturas, funcionários do governo de médio e baixo escalão e pequenos comerciantes. Eram a maioria das populações urbanas.
Arte bizantina
  A vida em Constantinopla era considerada mais confortável do que em outras partes do Império, mas nem todos tinham acesso a seus bens e confortos. Para os trabalhadores livres que ganhavam pouco, era muito difícil comprar roupas e pagar por uma moradia. Por isso, muitos deles viviam nas ruas da cidade.
  Quem não tinha trabalho recebia alimentos gratuitamente. Cada cidadão livre tinha direito a receber seis formas de pão por dia.
A vida numa cidade bizantina
A VIDA NO CAMPO
  A maior parte da população do Império Bizantino era formada por trabalhadores pobres e a maioria deles vivia no campo. Eram os servos das grandes propriedades rurais (os latifúndios) e os escravos (prisioneiros de guerra) que trabalhavam nos serviços domésticos, nas minas, nas pedreiras e nas construções.
  Os latifúndios predominavam na Ásia Menor. Os maiores proprietários de terra eram os mosteiros e os nobres - militares que tinham recebido terras como recompensa pelos serviços prestados aos imperadores. Mas quase todo o trabalho nos latifúndios era feito pelos servos, que dependiam da terra para viver.
  Assim, a agricultura era uma atividade fundamental na economia bizantina, pois dela dependia a maior parte da alimentação do Império. Apesar de produzir mais que o Ocidente, o Império Bizantino nunca teve um grande excedente de alimentos. Sua produção chegava a ser insuficiente para abastecer todos os habitantes do Império.
Maquete de Constantinopla
OS PARTIDOS VERDE E AZUL
  Os dois principais partidos ou facções políticas do Império Bizantino eram os Verdes e os Azuis. Eles reuniam trabalhadores e moradores dos bairros da capital. Eram comandados por membros da elite bizantina, como grandes proprietários de terra, líderes do exército e autoridades da Igreja.
  Em Constantinopla, o principal local de concentração política era o hipódromo. Lá os partidos atuavam como torcidas organizadas das equipes de corrida de cavalos, mas também aproveitavam esses eventos para apresentar suas reivindicações ao imperador.
  As reivindicações dos partidos políticos podiam ser religiosas, sociais ou militares e geralmente visavam garantir privilégios. Os imperadores atendiam a muitas das reivindicações, pois precisavam do apoio dos partidos para governar.
Hipódromo de Constantinopla
O GOVERNO JUSTINIANO
  Justiniano (527-565) foi um dos mais importantes imperadores bizantinos. Durante o seu reinado, foram empreendidas guerras para conquistar territórios que haviam pertencido ao Império do Ocidente, numa tentativa de restaurar o antigo Império Romano.
  Além de enfrentar os germanos no Ocidente, os bizantinos tiveram de combater os persas no Oriente e os povos eslavos, que tentavam invadir o Império a partir da Europa Oriental.
  Todas essas guerras acarretaram enormes despesas com o pagamento de soldados, armas, transporte e abastecimento. Para cobrir esses gastos, os governantes bizantinos cobravam elevados impostos da população.
Imperador Justiniano e sua corte
O CÓDIGO DE JUSTINIANO
  Durante o reinado de Justiniano, o ireito romano foi reunido e revisto por juristas bizantinos, que buscaram adaptá-los às necessidades de uma nova sociedade cristã.
juris civilis (corpo das leis civis, em latim), uma extensa obra constituída de leis e normas, com destaque para o Código Justiniano.
  Posteriormente, essa obra serviria de base para as leis de muitos países ocidentais, como França, Alemanha, Portugal, Brasil, entre outros. 
  As modificações efetuadas pelos juristas bizantinos também ampliaram o poder do imperador e garantiram a manutenção das propriedades da Igreja e dos latifundiários. Os camponeses, por sua vez, continuaram sem direito à terra.
Expansão do Império Bizantino
A REVOLTA DE NIKA
  Em 532, a capital do Império foi palco de uma violenta revolta, fruto da insatisfação popular contra os altos impostos e a opressão pelo imperador e funcionários do governo. A revolta começou no hipódromo, um dos poucos locais públicos onde a população tinha contato com as maiores autoridades do governo. Terminada uma disputada corrida de cavalos, houve dúvida sobre quem teria vencido. O imperador Justiniano, que estava no hipódromo, quis escolher o vencedor. Mas as torcidas verde e azul estavam divididas entre os dois competidores e passaram a gritar: Nika! Nika! ("Vitória! Vitória!").
  As tensões sociais, até então contidas, transformaram-se em protesto popular. O imperador retirou-se para o palácio. Do hipódromo, o conflito ganhou as ruas de Constantinopla e tornou-se uma rebelião contra o soberano.
Mapa do Palácio de Constantinopla, onde teve início a revolta
  Justiniano teve a intenção de fugir da cidade, mas foi convencido por sua mulher, Teodora, a permanecer. A imperatriz foi dura com seu marido, fazendo com que o imperador desistisse da fuga. Seus generais organizaram as tropas, que reprimiram a revolta. O resultado dessa revolta foi um saldo de 35 mil mortos.


  A Igreja católica teve uma grande influência sobre a sociedade bizantina. O cristianismo era a religião oficial do Império e o principal elemento unificador entre os distintos povos que compunham seu universo, como gregos, egípcios, sírios, povos da Mesopotâmia, entre outros.
O CESAROPAPISMO
Os imperadores bizantinos, usando a religião para alcançar mais poder e manter a unidade do Império, assumiram o papel de "representantes de Deus" na Terra. Assim, eles deveriam governar tanto para os assuntos políticos (do Estado) como religiosos (da Igreja católica).
  Esse sistema ficou conhecido como cesaropapismo ou cesaripapismo: os poderes imperial (césar) e papal estavam concentrados na figura do imperador.
  O cesaropapismo foi um sistema de relações entre a Igreja e o Estado em que, ao chefe do Estado, cabia a competência de regular a doutrina, a disciplina e a organização da sociedade cristã, exercendo poderes tradicionalmente reservados à suprema autoridade religiosa, unificando tendencialmente as funções imperiais e pontificiais em sua pessoa. Um dos primeiros imperadores a adotar o cesaropapismo  cristão foi Constantino.
Conversão de Constantino - pintura de Peter Paul Rubens
  No Império Bizantino, o imperador adotava o título de basileu, palavra de origem grega que significa "aquele que tem autoridade suprema". Assim, ele não apenas comandava o Império, mas também submetia a principal autoridade religiosa - o patriarca - que era o chefe da hierarquia eclesiástica na região.
  Essa concentração de poderes, porém, não foi pacífica, pois os patriarcas não aceitavam o domínio dos imperadores sobre os assuntos religiosos sem reagir.
Mosaico do imperador Justiniano

O MONOFISISMO E A INOCLASTIA
  A história bizantina foi marcada por diversas polêmicas e movimentos religiosos. Um deles foi o monofisismo.
  Os membros do movimento monofisista - concentrados principalmente na Síria e no Egito - defendiam que Cristo tinha apenas uma natureza, a divina. Negavam que ele fosse humano e divino ao mesmo tempo, como estava estabelecido na doutrina da Santíssima Trindade (na qual Deus seria, simultaneamente, o Pai, o Filho e o Espírito Santo).
  Outro movimento religioso importante surgido no Império Bizantino foi a inoclastia (ou inoclasmo), palavra que significa "quebra de imagens". Seus seguidores eram contrários ao culto das imagens dos santos, surgido entre os séculos VI e VII. Por isso, pregavam a destruição das estátuas das igrejas, para impedir que elas fossem idolatradas.
Página do Saltério Chludov criticando a inoclastia. No fundo há uma representação da crucificação de Jesus no Gólgota. O artista compara os soldados romanos maltratando Jesus com os patriarcas inoclastas destruindo o ícone de Cristo.
  As questões religiosas muitas vezes estiveram relacionas também com disputas econômicas e políticas. No caso do movimento inoclasta, havia uma briga entre os imperadores e os monges que chefiavam os mosteiros. Muitos mosteiros fabricavam e vendiam imagens de santos e relíquias religiosas. Assim, para controlar o poder desses monges, em 726 o imperador Leão III proibiu a adoração de imagens.
  Essa proibição foi também uma tentativa de unir os habitantes do Império contra os inimigos externos.  Nesse período, os árabes já haviam conquistado vários territórios do Império Bizantino na Ásia e tentavam dominar também a capital do Império, Constantinopla. Povos eslavos, originários da região central da Ásia, também lutavam contras os bizantinos na Europa Oriental.
  Durante mais de um século, os inoclastas destruíram uma enorme quantidade de esculturas e pinturas religiosas. Mas isso não garantiu a unidade dos bizantinos, nem os inimigos foram derrotados. A partir de 843, as pinturas voltaram a aparecer nas igrejas e a ser cultuadas pelos cristãos bizantinos.
Pintura do século XIII, de João Skylitzes, mostrando a execução de monges
A CISMA DO ORIENTE
  Os problemas gerados pelo movimento inoclasta ultrapassaram o limite do Império. Em 731 o papa Gregório III reuniu autoridades católicas para protestar contra as novidades que os bizantinos estavam promovendo - como a proibição e a quebra das imagens dos santos.
  Ao longo dos séculos seguintes, houve diversos conflitos entre os papas e os imperadores e patriarcas bizantinos. Essas diferenças acabaram levando a uma divisão da Igreja católica, em 1054, episódio que ficou conhecido como Cisma do Oriente. A partir de então, o mundo cristão separou-se em duas partes:
  • Igreja Católica do Oriente - conhecida como Igreja Católica Apostólica Ortodoxa, com sede em Constantinopla, continuou a ser comandada pelo patriarca da cidade. Este era nomeado pelo imperador bizantino, a quem se subordinava;
  • Igreja Católica do Ocidente - conhecida como Igreja Católica Apostólica Romana, com sede em Roma, era comandada pelos papas.
Pintura retratando da divisão da Igreja católica (Cisma do Oriente)
  O Cisma do Oriente ocorreu num momento em que o comércio bizantino perdia parte de seus mercados para os comerciantes de cidades como Gênova e Veneza, que tinham relações estreitas com o papa, em Roma. Além disso, estes era apoiado pelos soberanos e nobres católicos da Europa Ocidental que lutavam nas Cruzadas.
  Foi nesse cenário que, em 1204, os comandantes e soldados de uma das Cruzadas ocuparam e saquearam Constantinopla, criando o chamado Império Latino do Oriente.
  A capital do Império Bizantino foi então transferida para Niceia, na Ásia Menor (atual Turquia), até 1261. Nesse ano, os bizantinos conseguiram derrotar os ocidentais e reconquistar sua antiga capital. O ataque dos cruzados consolidou a separação entre cristãos ocidentais e orientais.
Império Bizantino após a Quarta Cruzada
A RELIGIOSIDADE POPULAR
  Apesar da força da Igreja católica ortodoxa e do cristianismo, as populações do Império Bizantino mantiveram, muitas vezes, práticas religiosas proibidas pelas autoridades. Entre elas estava a adoração de deuses pagãos das antigas tradições gregas e romanas.
  Em festas populares, era comum o culto a Dionísio, deus do vinho e da aventura entre os antigos gregos. Para a Igreja cristã medieval, Dionísio era uma espécie de demônio do riso e da embriaguez. Apesar disso, nos carnavais bizantinos, homens e mulheres saíam às ruas mascarados, dançando, cantando e rindo em comemoração à renovação da vida na época das colheitas.
Estátua romana do século II representando Dionísio de acordo com um modelo helenístico
  A religiosidade popular também incluía a devoção aos ícones (pinturas representando santos ou Cristo) e às relíquias dos santos. Todas essas divergências criavam um confronto do mundo oficial do imperador, da corte e da Igreja com as vivências religiosas das pessoas comuns.
ARQUITETURA: IGREJAS E MOSTEIROS
  Na arquitetura bizantina destacaram-se as igrejas e os mosteiros, que expressavam o domínio do Estado sobre os assuntos religiosos. Pouco sobrou dos palácios, aquedutos e outros tipos de construções civis erguidas durante o Império Bizantino.
  O exemplo mais marcante da arquitetura bizantina é a igreja de Santa Sofia ("sagrada sabedoria", em grego). Ela foi construída no século IV e reconstruída entre 532 e 537, logo depois do incêndio que sofreu durante a Revolta de Nika.
  O projeto arquitetônico da igreja de Santa Sofia serviu de modelo para a construção de muitas igrejas no Ocidente e no Oriente.
Basílica de Santa Sofia, em Istambul - Turquia. Um dos exemplos da arquitetura bizantina
  Sua cúpula tem 34 metros de diâmetro, 56 de altura e parece flutuar sobre sua base quadrada. Suas fachadas são relativamente simples, como a maioria dos templos bizantinos, mas toda a parte interna é luxuosamente decorada. Marfim, pedras preciosas e mosaicos cobrem suas paredes, seu teto e seus vitrais. Na sua decoração, foram utilizados cerca de 18 toneladas de ouro.
  Depois da conquista de Constantinopla pelos turcos otomanos no século XV, a igreja de Santa Sofia foi transformada em um templo muçulmano e recebeu quatro minaretes. Os mosaicos bizantinos foram cobertos com uma camada de cal. No século XX, porém, esses mosaicos foram restaurados, assim como o restante do antigo templo ortodoxo, que se tornou um museu.
Interior da Basílica de Santa Sofia
OS AFRESCOS E ÍCONES
  Os afrescos representando anjos, santos e autoridades religiosas foram um tipo de pintura decorativa frequente no Império Bizantino. Quase todos eles encontram-se em igrejas, mas também eram feitos nas casas das pessoas mais ricas.
  Também foram muito apreciados os ícones, pinturas feitas sobre painel de madeira representando imagens sagradas, como santos ou Cristo. Acreditava-se na época que eles não eram simplesmente pintados por mãos humanas, mas que o pintor atuava como um instrumento da revelação divina.
Afresco do Cristo Pantocrator, localizado no Mosteiro de Dafne - Grécia
MOSAICOS E ESCULTURAS
  Na arte bizantina, também se destacaram os mosaicos - obras feitas com pedaços de pedras e vidros coloridos, que eram colados sobre um vidro claro e recobertos por folhas de ouro. Os mosaicos bizantinos geralmente representavam animais, plantas e figuras religiosas ou da política.
  A escultura bizantina serviu principalmente aos ideais religiosos. Feitas em ouro, marfim ou vidro, eram obras com baixos-relevos e podiam ser usadas tanto em edifícios como em capas de livros.
Mosaico de João Batista - localiza-se no interior da Basílica de Santa Sofia
O GREGO E A LITERATURA
  Inicialmente, as obras literárias bizantinas eram escritas em latim, mas, com o tempo, a língua grega tornou-se mais importante. O grego era falado na capital e em outras regiões do Império, mas depois passou a ser utilizado nos textos dos escritores e das autoridades da Igreja e do governo.
  Assim como no Ocidente, as obras literárias em prosa ou poesia, eram manuscritas e depois recebiam ricas decorações, chamadas de iluminuras.
  Entre os gêneros literários desenvolvidos pelos autores bizantinos encontram-se hinos e textos sobre a vida dos santos, a guerra e a diplomacia, poesias líricas e romances épicos. Na escrita da História, destacaram-se Procópio de Cesareia (500-565) e Ana Comnena (1083-1148).
Afresco de Ana Comnena
  Além de escreverem textos originais, muitos autores reuniram, copiaram e traduziram textos da Antiguidade. Trabalhando nos mosteiros ou nas bibliotecas dos imperadores, ajudaram a preservar a cultura dos antigos gregos e romanos. Desse modo, ela pôde ser transmitida aos ocidentais quando Constantinopla passou para o domínio dos turcos otomanos.
A EDUCAÇÃO
  A maior preocupação do ensino bizantino era transmitir a fé cristã e a cultura helenista.
  Essa cultura integrava gregos, egípcios, persas e outros povos do Oriente. Os bizantinos acrescentaram a ela elementos culturais romanos, como o cristianismo e o latim.
  A boa formação educacional era valorizada principalmente entre os mais ricos. Desde os seis anos de idade, os meninos aprendiam a ler e a escrever e começavam a comentar textos de autores gregos como Homero e Platão.
  Mais tarde, os jovens tinham aula de retórica, filosofia, aritmética, música e astronomia. Em algumas escolas os professores também ensinavam direito, medicina e física. Os sacerdotes ensinavam os princípios da religião.
  As meninas de famílias ricas normalmente estudavam em casa, com professores particulares. Os filhos de artesãos, comerciantes e das famílias mais pobres estudavam só até se alfabetizarem.
A Academia de Platão - era uma das inspirações na educação dos bizantinos
 O DECLÍNIO DO IMPÉRIO BIZANTINO
  A história bizantina teve altos e baixos. Uma série de ataques externos enfraqueceu lentamente o Império. A partir do século VII, muitos territórios conquistados pelos bizantinos foram sendo perdidos para os inimigos.
  Seus principais adversários foram os árabes, tanto no aspecto militar quanto no cultural, pois estes conquistaram áreas do Oriente que haviam estado, até então, sob o domínio do Império Bizantino.
  Entre os séculos IX e XI, os bizantinos sofreram novas derrotas militares. Apesar disso, Constantinopla voltou a ser, nesse período, um importante centro de comércio no mundo mediterrâneo e a cultura bizantina alcançou momentos significativos. A administração tornou-se mais eficiente, a economia se estabilizou e as fronteiras na Europa, na Ásia e no norte da África foram reforçadas com tropas militares.
Perdas do Império Bizantino
A QUEDA DE CONSTANTINOPLA
  A prosperidade durou séculos, até que, em meados do século XV, ocorreu a crise que determinaria o declínio do Império Bizantino: em 1453, Constantinopla acabou sendo conquistada pelos turcos otomanos, após sucessivas tentativas de invasões derrotadas pelas forças militares bizantinas.
  Essa conquista é o marco mais comum utilizado para indicar o fim da Idade Média, pois desestruturou o Império Bizantino e desencadeou outros processos históricos.
  Uma das principais consequências do domínio turco otomano foi a mudança de intelectuais bizantinos para a península Itálica. Eles levaram consigo muitos conhecimentos da cultura clássica greco-romana, que havia sido preservada em Constantinopla. Isso teve grande influência na criação do movimento cultural conhecido como Renascimento.
O cerco de Constantinopla - pintado em 1499
  O domínio turco otomano também levou a um aumento no preço dos produtos e nos impostos cobrados dos comerciantes europeus que compravam em Constantinopla as mercadorias feitas na Ásia. Com isso, os produtos asiáticos se tornaram mais caros e difíceis de encontrar nas cidades da Europa Ocidental.
  Outra mudança do domínio turco, foi a transferência da rota marítima do Mediterrâneo para o Atlântico, que provocou a descoberta de novas terras. Esse episódio foi denominado de Grandes Navegações.
  Apesar dessas transformações, ao longo dos séculos seguintes foram mantidos muitos aspectos da cultura, da religião, da arte e do poder dos comerciantes bizantinos, especialmente na península Balcânica e na Rússia.
Restos da muralha de Constantinopla
FONTE: Cotrim, Gilberto, 1955 - Saber e fazer história, 6º ano / Gilberto Cotrim, Jaime Rodrigues. - 7. ed. - São Paulo: Saraiva, 2012.

terça-feira, 23 de julho de 2013

CONHEÇA UM POUCO SOBRE A NOVA ZELÂNDIA

  A Nova Zelândia é um arquipélago localizado a sudeste da Austrália, formado por duas grandes ilhas - a Ilha do Norte e a Ilha do Sul - e várias outras ilhas menores.
  A Nova Zelândia é notável por seu isolamento geográfico: está situada a cerca de dois mil quilômetros a sudeste da austrália, separada pelo mar da Tasmânia e os seus vizinhos mais próximos ao norte são a Nova Caledônia, Fiji e Tonga.
  Devido ao seu isolamento, o país desenvolveu uma fauna distinta dominada por pássaros, alguns dos quais foram extintos após a chegada dos europeus e dos mamíferos introduzidos por eles.
  Muitos dos nichos ecológicos que normalmente teriam sido ocupados por mamíferos eram ocupados por aves, como o kiwi e a moa.  O kiwi (Cyathea dealbata), é característico das florestas nativas deste país e é um símbolo nacional.
Kiwi - ave símbolo da Nova Zelândia
  As moas, agora extintas, podiam crescer até uma altura de três metros. A moa gigante (Dinornis novazealandiae) botava de um a dois ovos grandes com aproximadamente 24 centímetros de comprimento e 17 centímetros de largura.
  A Nova Zelândia é também a residência do tuatara (Sphenodon punctatus), uma espécie antiga de réptil, e do weta (Deinacrida heteracantha), um inseto que pode atingir mais de oito centímetros de comprimento.
Tuatara - réptil típico da Nova Zelândia
  O relevo da Nova Zelândia é constituído predominantemente de montanhas, muitas da quais são vulcões ativos. O país está localizado na faixa do Círculo de Fogo do Pacífico, próximo ao limite de duas placas tectônicas (Indo-Australiana e do Pacífico), em uma zona sujeito a abalos sísmicos e vulcanismo.
  O ponto culminante do país é o Monte Cook, com 3.764 metros de altitude, situado nos Alpes Neozelandeses, na Ilha do Sul. A Ilha do Sul é a maior massa de terra, onde há dezoito picos com mais de três mil metros de altitude.
Monte Cook - ponto culminante da Nova Zelândia
  A Ilha do Norte é menos montanhosa do que a Ilha do Sul, mas é marcada por uma intensidade maior de vulcanismo. Nessa parte da Nova Zelândia, a montanha mais alta é a Ruapehu, com 2.797 metros acima do nível do mar e é um cone vulcânico ativo.
  Também fazem parte da paisagem neozelandesa muitos lagos e planícies. O litoral é bastante recortado e apresenta diversas penínsulas e fiordes.
  O país tem água em abundância, proveniente de seus inúmeros lagos interiores, de origem vulcânica e glacial. Devido ao tamanho reduzido do território e da irregularidade do relevo, os rios nezelandeses têm pequena extensão, mas, apesar disso, são utilizados para a produção de energia elétrica. Destaca-se o Rio Waikato, com 320 km de extensão, localizado na Ilha do Norte.
Vale do Hooker, tendo ao fundo o Monte Cook
   Na Nova Zelândia predomina um clima temperado úmido, com temperaturas médias anuais variando de 10 ºC no sul até 16 ºC no norte.
  Em termos gerais, a Nova Zelândia possui um clima oceânico. No entanto, as temperaturas oscilam entre subtropical no norte, até quase subantártico nas áreas montanhosas do sul. A mudança das estações não são muito marcadas: o verão nunca é desconfortavelmente quente e no inverno as temperaturas não são tão frias como em outras partes do mundo. A precipitação varia de acordo com a área, e os invernos são mais úmidos que os verões.
  A vegetação da Nova Zelândia é composta de florestas temperadas e pradarias. Também se destacam as florestas de coníferas, que foram bastante devastadas.  Atualmente, o país incentiva o reflorestamento.
  A vegetação nativa consiste principalmente em bosques de árvores perenifólias. As florestas, que já ocuparam dois terços do território, reduziram-se no fim do século XX a menos de um terço.
Paisagem da Nova Zelândia
  A população da Nova Zelândia é de pouco mais de quatro milhões de habitantes. O país é predominantemente urbano, com 72% de sua população vivendo em 16 áreas urbanas principais e 53% vivendo nas quatro maiores cidades do país, que são Auckland, Christchurch, Wellington e Hamilton.  A maior parte da população dedica-se a atividades terciárias, relacionada ao comércio e à prestação de serviços.
  A Nova Zelândia foi povoada por imigrantes, a maioria de origem britânica. Os habitantes nativos do território, os maoris, hoje representam menos de 15% da população. Entre as décadas de 1860 e 1870, ocorreram vários conflitos entre esse povo e os colonizadores, resultando na morte de muitos maoris. Ao longo do século XX, esse povo foi bastante reduzido.
  Em 1840, foi assinado o Tratado de Waitangi. Entre os principais termos desse tratado, um afirmava que os maoris continuariam donos de suas terras e dos locais de pesca; em troca aceitariam o poder local dos ingleses. Os ingleses tentaram, assim, acalmar as tensões, mas esse acordo não foi cumprido integralmente. A lei existe até hoje e ainda há maoris que reivindicam na justiça a reintegração da posse de suas terras.
  Embora a maioria de imigrantes sejam do Reino Unido e da Irlanda, a imigração vinda do Leste da Ásia (principalmente da China, Coreia do Sul, Taiwan, Japão e Hong Kong) tem aumentado bastante nos últimos anos.
Jovem maori
  A Nova Zelândia tem uma moderna, próspera e desenvolvida economia de mercado.
  No mercado internacional, a Nova Zelândia é reconhecida por ser um país estável economicamente e com uma infraestrutura completa, o que tende a atrair investimentos externos. 
  A atividade industrial está vinculada, principalmente, à agropecuária, com destaque para as indústrias alimentícias e têxteis, embora os setores siderúrgico e metalúrgico também contribuam para a economia do país.
  Historicamente, as indústrias extrativistas têm contribuído fortemente para a economia da Nova Zelândia, concentrando-se, de acordo com a época do ano, na caça às focas e baleias, ao linho, à extração do ouro e da madeira nativa. Com o desenvolvimento do transporte refrigerado no final do século XIX, a carne e os produtos lácteos passaram a ser exportados para a Grã-Bretanha, comércio este que serviu de base para o forte crescimento econômico da Nova Zelândia. A elevada demanda de produtos agrícolas do Reino Unido e dos Estados Unidos ajudou os neozelandeses a alcançar um elevado padrão de vida.
Centro Financeiro de Auckland, com destaque para a Sky Tower, a estrutura mais alta do hemisfério Sul
  A pecuária e a agricultura têm uma grande importância na economia do país. Apesar das restrições do meio natural, por causa do relevo montanhoso e das extensas áreas de florestas, o alto nível de modernização permite elevar a produtividade dessas atividades.
  A produção de carne, lã e leite se destaca, sendo esses produtos os principais do país, ao lado do kiwi.
  No setor agrícola, a produção de uvas destinada à fabricação de vinho também tem uma importância econômica que se destaca no cenário internacional. O vinho da Nova Zelândia vem sendo considerado um dos melhores do mundo.
Plantação de uvas na Nova Zelândia
  Entre os produtos destinados à exportação, estão os frutos do mar, criados em fazendas marinhas com alto controle de qualidade.
  O parque industrial do país não é muito grande, e sua indústria está ligada diretamente às matérias-primas agropecuárias. O país é um dos maiores produtores mundiais de ovinos.
  A Nova Zelândia destaca-se, ainda, nas políticas ambientais e na maneira como vem desenvolvendo o reflorestamento, aplicando pesquisas em reprodução e em crescimento das florestas nativas.
  O Departamento de Conservação da Nova Zelândia desenvolveu um programa de preservação visando minimizar o impacto ambiental em seu território. Seus objetivos englobam a regeneração da floresta natural, o uso da energia solar e a reciclagem de lixo.
Paisagem da Nova Zelândia
  Outra atividade econômica bastante desenvolvida na Nova Zelândia é o turismo. Essa atividade combina todo o tipo de turismo de aventura: Queenstown é considerada a capital mundial dos esportes radicais. A beleza das montanhas, combinada com as águas do Lago Wakatipu, forma uma bela paisagem. O turista pode realizar uma série de atividades como bungee jump, esqui, snowboarding, rafting, canoagem, montain bike, caiaque, trilhas em carros 4 X 4, parapente, asa-delta e paraquedismo.
Milford Sound - uma das mais populares destinações turísticas da Nova Zelândia
ALGUNS DADOS SOBRE A NOVA ZELÂNDIA
NOME: Nova Zelândia
CAPITAL: Welligton
Visão noturna de Wellington - capital da Nova Zelândia
LÍNGUA OFICIAL: inglês, maori e língua de sinais neozelandesa
GOVERNO:
Monarquia Constitucional Parlamentarista Independência: do Reino Unido em 26 de setembro de 1907
GENTÍLICO: neozelandês

LOCALIZAÇÃO: sudoeste do Oceano Pacífico
ÁREA: 270.534 km² - incluindo as ilhas Antípodas, Auckland, Bounty, Campbell, Chatham e Kermadec (74º)
POPULAÇÃO (ONU - Estimativa 2013): 4.414.400 habitantes (121º)
DENSIDADE DEMOGRÁFICA: 16,32 hab./km² (170º)
MAIORES CIDADES:
Auckland (Estimativa 2013): 1.398.300 habitantes
Auckland - maior cidade da Nova Zelândia
Wellington (Estimativa 2013): 408.600 habitantes
Wellington - capital e segunda maior cidade da Nova Zelândia
Christchurch  (Estimativa 2012): 396.765 habitantes
Christchurch - terceira maior cidade da Nova Zelândia
PIB (FMI - 2011): U$ 161,851 bilhões (56º)
IDH (ONU - 2012): 0,919 (6º)
EXPECTATIVA DE VIDA (ONU - 2005/2010): 80,13 anos (16º)
CRESCIMENTO VEGETATIVO: 0,90% (135º)
MORTALIDADE INFANTIL (ONU - 2005/2010): 5,07/mil (29º)
TAXA DE URBANIZAÇÃO (CIA WORLD FACTBOOK - 2008): 87% (20º)
TAXA DE ALFABETIZAÇÃO (PNUD - 2009/2010): 99% (19º)
PIB PER CAPITA (FMI - 2011): U$ 36.648 (23º)
MOEDA: Dólar Neozelandês
RELIGIÃO (2010): sem religião (34%), protestantes (30%), católicos (13%), outras religiões não-cristãs (13%), outras religiões cristãs (10%)
DIVISÃO: a Nova Zelândia está dividida em 16 regiões para a administração de assuntos ambientais e de transportes. Doze regiões são governadas por um conselho regional eleito, enquanto quatro (uma cidade e três distritos) são governados por Autoridades Territoriais, que também desempenham a função de um conselho regional, e por isso são conhecidas como autoridades unitárias.
  As regiões administrativas são: 1. Northland; 2. Auckland; 3. Waikato; 4. Bay of Plenty; 5. Gisborne; 6. Hawke's Bay; 7. Taranaki; 8. Manawatu-Wanganuí; 9. Wellington; 10. Tasman; 11. Nelson; 12. Marlborough; 13. West Coast. 14. Canterbury. 15. Otago; 16. Southland.

 FONTE: Perspectiva geografia, 9 / Cláudia Magalhães ... [et al] -- 2. ed. -- São Paulo: Editora do Brasil, 2012. -- (Coleção perspectiva)