ALDANN CONSTRUÇÕES

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sábado, 7 de dezembro de 2013

AS GRANDES NAVEGAÇÕES

  A Era dos Descobrimentos ou Grandes Navegações é a designação dada ao período da história que decorreu entre o século XV e início do século XVII, durante o qual os europeus exploraram intensivamente o globo terrestre em busca de novas rotas de comércio. Esse acontecimento histórico marcou a passagem do feudalismo da Idade Média para a Idade Moderna, com a ascensão dos Estados-Nação europeus. Juntamente com o Renascimento e a ascensão do humanismo, foi um importante motor para o início da modernidade, estimulando a pesquisa científica e intelectual. A expansão europeia levou ao surgimento dos impérios coloniais, com o contato entre o Velho e o Novo Mundo a produzir o chamado "intercâmbio colombiano" (Columbian Exchange), que envolveu a transferência de plantas, animais, alimentos e populações humanas, doenças transmissíveis e culturas entre os hemisfério ocidental e oriental.
AS GRANDES NAVEGAÇÕES EUROPEIAS
  No século XV, alguns reis e comerciantes europeus investiram recursos consideráveis em viagens marítimas em busca de mercadorias, metais preciosos e territórios que pudessem conquistar e explorar. Eles queriam incrementar o comércio e aumentar os lucros. O objetivo mais desejado era encontrar um meio de chegar até os centros de especiarias e mercadorias orientais. Até aquela época, o único caminho que se conhecia para o Oriente era pelo Mediterrâneo, mar que estava sob domínio dos turcos otomanos, desde 1493. Mas as chances de fazer bons negócios motivaram navegadores, mercadores e governantes a enfrentar as águas desconhecidas do Atlântico em busca de uma rota que levasse para as Índias, como era chamado o Oriente. Além deles, os religiosos também estavam interessados nessas viagens: esperavam poder levar sua fé, fosse ela católica ou protestante, até os locais conquistados.
Índias Orientais:
  As Índias no sentido inicial, incluindo o Subcontinente Indiano
  As Índias Orientais, conceito posterior
Índias Ocidentais:
  As Índias Ocidentais nomeadas por Cristóvão Colombo em 1492
  As Índias Ocidentais, conceito alargado a toda a América (hoje em desuso)
Uma expansão movida pelo comércio
  Durante grande parte do Período Medieval, alguns europeus mantiveram contato com o Oriente, fonte de produtos bastante cobiçados, especialmente pelos nobres. Mas a expansão árabe no Oriente e no norte da África, entre os séculos VII e XII, praticamente desarticulou as rotas de comércio que faziam esses produtos chegarem à Europa. As viagens se tornaram perigosas, caras e pouco rentáveis.
  Somente a partir do século XI, com as Cruzadas, os contatos dos mercadores europeus com os povos orientais foram reativados e o comércio voltou a florescer. Dessa época até o século XIV, as diferentes regiões europeias eram abastecidas de especiarias, finos tecidos e perfumes orientais pelos dos mercadores das cidades italianas, em especial Gênova e Veneza. Utilizando rotas terrestres e marítimas, esses comerciantes traziam as mercadorias e as revendiam em diversas localidades da Europa, alcançando grandes lucros.
Especiaria num mercado de Goa - Índia
  De 1096 a 1270, expedições foram formadas sob o comando da Igreja, a fim de recuperar Jerusalém e reunificar o mundo cristão, dividido com a Cisma do Oriente. Essas expedições receberam o nome de Cruzadas. O mundo cristão se encontrava dividido. Por não concordarem com alguns dogmas da Igreja Romana (adoração a santos, cobrança de indulgências etc.), os católicos do Oriente fundaram a Igreja Ortodoxa.
  Em 1095, o papa Urbano II convocou expedições com o intuito de retomar a Terra Sagrada. Os cruzados (como ficaram conhecidos os expedidores) receberam esse nome por carregarem uma grande cruz, principal símbolo do cristianismo, estampada nas vestimentas. Em troca da participação, ganhariam o perdão de seus pecados.
Cruzados, de Larousse
  Porém, a Igreja não era a única interessada no êxito dessas expedições: a nobreza feudal tinha interesse na conquista de novas terras; cidades mercantilistas como Veneza e Gênova deslumbravam com a possibilidade de ampliar seus negócios até o Oriente e todos estavam interessados nas especiarias orientais, pelo seu alto valor, como a pimenta-do-reino, cravo, noz-moscada, canela e outros. Esse fato foi o pontapé inicial para as grandes navegações.
Comerciantes portugueses em busca das Índias
  Os portos portugueses se tornaram um importante ponto de distribuição dos produtos orientais, proporcionando o crescimento comercial da região e a formação de um poderoso e rico grupo mercantil.
  No final do século XIV, duas grandes motivações econômicas impulsionavam os portugueses a encontrar um caminho que os levasse diretamente às Índias. O comércio era a principal atividade comercial do reino que não tinha muitas terras para a agricultura. Ampliar as fontes fornecedoras de mercadorias possibilitaria maiores lucros, fortalecendo o pequeno reino. Mas para se atingir esses objetivos era preciso deixar de depender de intermediários italianos que encareciam muito os produtos. Isso só seria possível com a descoberta de outras rotas comerciais pelo Oceano Atlântico.
Porto - Portugal. Importante cidade portuária do país
  Apesar do desejo de se aventurar nas viagens marítimas, os europeus tinham medo do desconhecido. O Oceano Atlântico aterrorizava até mesmo os navegantes mais experientes.
  Mesmo com as novas técnicas náuticas e os elevados valores pagos às tripulações das embarcações, arriscar-se nos mares, naquela época, era um ato de coragem.
  Os tais monstros, que tanto falavam, não existiam, e atravessar o Oceano Atlântico era mais arriscado que viajar pelo Mediterrâneo. No mar aberto, as grandes ondas, correntezas e tempestades podiam facilmente afundar os navios. Os navegantes poderiam sofrer ataques piratas, fome e doenças.
  Na Idade Média, numa época de pouca divulgação cultural ou científica, o povo imaginava monstros e coisas maravilhosas, bem como uma série de criaturas fabulosas a viver nos oceanos. Considerava-se que a Terra e o Mar eram dois mundos paralelos, pelo que certos animais terrestres já conhecidos teriam certamente os seus correspondentes a viver no mar. Mas foi apenas com os primeiros relatos dos descobrimentos que surgem referências escritas a diversos monstros marinhos.
A lenda de monstros marinhos amedrontava os navegantes europeus na época
  Devido às longas viagens e às péssimas condições de alimentação, a falta da vitamina C de frutas e vegetais frescos provocava o aparecimento do escorbuto, doença do sangue que, nos casos mais graves, podia levar à morte. O escorbuto é uma doença que tem como primeiros sintomas hemorragias e inchaço com pus nas gengivas, dores nas articulações, feridas que dificilmente cicatrizam, além de desestabilizar os dentes.
  O litoral desabitado não permitia o reabastecimento de alimentos nas embarcações. A comida e a água eram racionadas e consumidas em péssimo estado de conservação. Era impossível manter a higiene a bordo, pois os marinheiros só tomavam banho quando o navio atracava. Para completar, era difícil e perigoso atracar, por causa dos recifes. Por isso chamavam o Atlântico de "Mar Tenebroso".
Visão do Atlântico para os europeus
Técnicas e artes náuticas
  Embora não existisse um centro especializado em pesquisas náuticas, os navegadores e os construtores de embarcações se dedicaram intensamente ao aperfeiçoamento técnico nessa área.
  Os principais inventos e as técnicas náuticas que facilitaram as viagens marítimas foram o astrolábio, a bússola e a construção de embarcações mais seguras.
  O astrolábio era usado para medir a altitude dos astros no céu e o seu surgimento é o resultado prático de várias teorias matemáticas, desenvolvidas por célebres estudiosos antigos: Euclides, Ptolomeu, Hiparco de Niceia e Hipátia de Alexandria. Também era utilizado para resolver problemas geométricos, como calcular a altura de um edifício ou a profundidade de um poço. O astrolábio náutico tinha a possibilidade apenas de medir a altura dos astros para ajudar na localização em alto mar.
Astrolábio persa do século XVIII
  A bússola é um instrumento de navegação e orientação baseado em propriedades magnéticas dos materiais ferromagnéticos e do campo magnético terrestre. São geralmente compostas por uma agulha magnetizada colocada em um plano horizontal e suspensa pelo seu centro de gravidade de forma que possa girar livremente, e que orienta-se sempre no sentido próximo à direção norte-sul geográfica fazendo com que a ponta destacada - geralmente em vermelho - indique o sentido que leva ao sul magnético da Terra, ou de forma equivalente, a um ponto próximo ao polo norte geográfico do nosso planeta. A bússola foi, provavelmente, o mais importante instrumento utilizado na Era dos Descobrimentos, pois contribuiu para que os navegadores seguissem o sentido das rotas desejadas.

Bússola moderna
  As caravelas, criadas por volta de 1440, eram dotadas de velas triangulares e tinham casco fundo e estreito, com um porão para a carga e os aposentos do capitão. Essas embarcações mediam cerca de 20 metros de comprimento por cinco metros de largura, e podiam transportar até 60 tripulantes. A caravela foi aperfeiçoada durante os séculos XV e XVI.
  As naus, outro tipo de embarcação, tinha aproximadamente 35 metros de comprimento por cinco metros de largura, e transportavam até 150 pessoas. Esse tipo de embarcação comportava velas triangulares com velas quadradas, o que lhe garantia mais estabilidade.
Réplica da nau Santa Maria, que foi utilizada por Cristovão Colombo
EXPANSIONISMO PORTUGUÊS
  Portugal foi o primeiro reino europeu a organizar viagens marítimas pelo Atlântico. Entre os fatores que contribuíram para o pioneirismo português nos mares desconhecidos estava o fato de Portugal, desde o século XIV, já contar com um Estado nacional organizado, o Reino Portucalense. Isso havia ocorrido pela necessidade de reunir um exército capaz de expulsar os muçulmanos que dominavam a Península Ibérica desde 711.
  O Condado Portucalense ou Reino Portucalense, formou-se quando D. Henrique de Borgonha, um nobre de origem francesa, foi um dos primeiros Cruzados a chegar à Península Ibérica na época da Reconquista Cristã e, rapidamente, se destacou no combate aos mouros. Na época, era comum os reis cristãos recompensarem estes cavaleiros, atribuindo-lhes sob certas condições, o governo de extensos territórios. Desta política beneficiou-se também o Conde D. Henrique.
D. Henrique de Borgonha
  D. Henrique recebeu de D. Afonso VI, rei de Leão, uma parte do seu reino - o Condado Portucalense - casando com uma filha legítima do monarca, D. Teresa. O novo Conde tinha a seu cargo o governo, a defesa, o desenvolvimento e a expansão para o sul do Condado Portucalense. Senhor do seu território, D. Henrique era, no entanto, um súdito obrigado a prestar lealdade, auxílio e vassalagem ao seu legítimo rei, D. Afonso VI. Em 26 de julho de 1139, D. Henriques foi aclamado Rei de Portugal internamente.
  Nos portos portugueses havia um intenso movimento de barcos que, antes de atingir o Mar do Norte, ali faziam escalas. A movimentação também decorria da atividade pesqueira, que sempre foi importante para a sobrevivência da população.
A pesca sempre foi uma importante fonte de renda para Portugal
  No século XIV, o reino português enfrentou graves crises econômicas e sociais motivadas pela retração do comércio europeu, pelas guerras e pela peste negra. A situação se agravou ainda mais com as disputas internas pelo poder e pelas guerras com os vizinhos espanhóis, que pretendiam dominar terras portuguesas. Após a vitória das tropas comandadas pelos nobres da dinastia Avis, o reino de Portugal finalmente se consolidou, estabeleceu fronteiras seguras e fortaleceu o poder estatal.
  Além do governo centralizado, capaz de organizar e empreender as viagens marítimas, outros fatores que contribuíram para o pioneirismo português foram: a tradição pesqueira, que proporcionou o desenvolvimento da navegação em mares abertos; a localização privilegiada, pois o país é banhado pelo Oceano Atlântico e está muito próximo do continente africano; o apoio financeiro da Ordem dos Templários (também conhecida como Ordem de Cristo), antiga ordenação católica que surgiu na época das Cruzadas. Além de financiar e administrar diversas expedições marítimas, a Ordem de Cristo atuou como centro de pesquisa náutico e cartográfico.
A posição privilegiada de Portugal foi um dos motivos do seu pioneirismo nas Grandes Navegações
  Aliado a tudo isso, existia a Escola de Sagres, que constituiu um dos grandes mitos da história portuguesa. Essa escola era o centro de arte náutica,  fundada por D. Henrique, por volta de 1417, no Algarve, e que teria formado grandes descobridores, como Vasco da Gama e Cristovão Colombo.
  Após seu regresso de Ceuta, o Infante D. Henrique fixa-se em Sagres, na Vila do Infante, e rodeia-se de mestres nas artes e ciências ligadas à navegação.
Rosa dos ventos da Fortaleza de Sagres, no Algarve, Portugal
Os planos e interesses de Portugal no caminho das Índias
  A expansão marítima portuguesa reuniu diferentes interesses: a monarquia buscava-se fortalecer e ampliar territórios e riquezas; a nobreza estava interessada na conquista de terras, riqueza, títulos e prestígio; a Igreja Católica queria cristianizar outros povos e ampliar seu poder e prestígio; a burguesia mercantil desejava ampliar seus lucros e expandir seus negócios.
  O plano português era chegar às Índias Orientais pelo Oceano Atlântico contornando a África. Se realizassem tal façanha, os portugueses teriam acesso direto às especiarias e a outros produtos orientais, superando seus concorrentes árabes e italianos, que detinham o controle do Mediterrâneo e cobravam altas taxas pelos produtos orientais que revendiam às demais regiões europeias.
  Em 1493, após o início das expedições portuguesas na costa africana, aconteceu a tomada de Constantinopla pelos turcos otomanos, que bloquearam a passagem terrestre da Europa para o Oriente, encarecendo os produtos orientais.
Cerco de Constantinopla - pintura de 1499
Chegada às Índias
  A esquadra portuguesa que chegou a Calicute, na Índia, em 1498, era comandada por Vasco da Gama - um cavaleiro da Ordem de Cristo. Era composta de quatro navios e 160 homens, mas durante a viagem morreram 105 tripulantes. A esquadra de Vasco da Gama voltou com dois navios carregados de especiarias orientais.
  O sucesso estimulou o rei de Portugal a organizar outra expedição para trazer especiarias, em 1500, e entregou o comando dessa esquadra a Pedro Álvares Cabral.
  Em 1502, Vasco da Gama comandou uma expedição às Índias formada por 20 naus, retornando para Portugal com 1.500 toneladas de especiarias. O êxito nessa expedição lhe rendeu o cargo de vice-governador das Índias, em 1524.
Vasco da Gama - navegador português
  O êxito das viagens de Vasco da Gama e Cabral estimulou a organização de outras expedições, que seguiram para o Extremo Oriente, contribuindo para que os portugueses chegassem a várias ilhas do Oceano Índico, à China e ao Japão. Na China, os portugueses e diversos mercadores estabeleceram uma importante base comercial na cidade de Macau, onde se fixaram diversos mercadores.
EXPANSIONISMO ESPANHOL
  Assim como os portugueses, os cristãos de Castela, Leão e Aragão, reinos localizados na Península Ibérica enfrentaram durante séculos a presença árabe em seus territórios. Somente em 1492, quando venceram a última batalha contra os árabes na longa Guerra de Reconquista, esses reinos se uniram para formar uma única monarquia, a Espanha. Essa união se consolidou com o casamento de Fernando e Isabel, os chamados Reis Católicos.
A Península Ibérica em 1210
  O sucesso das expedições portuguesas estimulou os reis espanhóis a também financiarem viagens rumo ao Oriente, objetivando aumentar as riquezas do reino.
Procurando novas rotas
  Enquanto Portugal avançava pela costa da África como país pioneiro nas Grandes Navegações, a Espanha preparava sua aventura oceânica, que começou com o financiamento do projeto implementado pro Cristóvão Colombo, que elaborou um minucioso planejamento náutico para atingir as Índias pelo Ocidente. Considerando o formato esférico da Terra, ideia que ainda era vista com desconfiança, Colombo pretendia seguir no rumo oposto dos portugueses, navegando pelo Atlântico em direção ao oeste. A intenção era dar uma meia-volta em torno do planeta e chegar ao Oriente, nas terras das lucrativas especiarias e dos produtos de luxo.
  Colombo esperava atingir a terra de Khan, da qual os europeus tinham notícia por meio dos relatos do mercador veneziano Marco Polo no livro A terra das maravilhas, que circulava desde o século XIV.
Rotas portuguesas e espanholas
  No dia 3 de agosto de 1492, Cristóvão Colombo partiu de Palos com uma nau (Santa Maria), duas caravelas (Pinta e Niña) e 90 tripulantes, primeiro com destino às Ilhas Canárias e, de lá, em 6 de setembro de 1492, com destino ao desconhecido.
  A viagem durou pouco mais de um mês. Em 12 de outubro, Colombo chegou à terra. Lá ele pôde se aproximar dos primeiros nativos, que ele chamou de "índios" por acreditar que ele chegara às Índias. Colombo procurou insistentemente pela Cidade do Céu, a capital da terra do Khan (atual China), que Marco Polo descrevera como "de ouro e esplendor".
  Na realidade, a frota havia desembarcado numa região das Américas, batizada de Ilha de São Salvador. Navegando pelo mar do Caribe, encontrou outras ilhas, como a de Cuba e Hispaniola (atuais Haiti e República Dominicana).
Cristóvão Colombo
  Recebido na Espanha como herói, Colombo logo retornou à Hispaniola com uma frota de 16 navios e mais de 1.000 tripulantes, para iniciar a colonização e a exploração das riquezas locais. Lá chefiou, entre 1493 e 1496, uma administração desastrosa e ineficiente, além de extremamente severa e cruel com os habitantes locais.
  Entre 1498 e 1502, Colombo voltou mais duas vezes à Hispaniola. Novamente o acusaram de abuso de poder e crueldade no trato com os nativos - e até mesmo com os colonos.
  Em 1503, retornou para a Espanha, onde faleceu em 1506, sem saber que as ilhas descobertas não eram parte da Ásia.
Ilustração da chegada de Colombo em São Salvador, nas Bahamas
  Durante a primeira metade do século XVI, o governo espanhol financiou várias expedições de exploração do continente americano, além da viagem de circunavegação do planeta, sob o comando de Fernão de Magalhães e Sebastião Del Cano, entre 1519 e 1522. Essa expedição comprovou a esfericidade da Terra.
A DISPUTA EUROPEIA PELO NOVO MUNDO
  Portugal, pioneiro nas Grandes Navegações, não aceitou pacificamente a concorrência espanhola nas explorações marítimas. Logo que surgiram notícias sobre o sucesso das viagens de Cristóvão Colombo, os portugueses passaram a disputar a posse das terras ocidentais que os espanhóis diziam ter descoberto.
  Na época, conflitos entre os reinos costumavam ser resolvidos pela Igreja Católica, única instituição com credibilidade para mediar disputas e legitimar acordos. Para resolver a pendência entre Portugal e Espanha, em 1493 o papa Alexandre VI, que era espanhol e amigo dos reis católicos da Espanha, editou a Bula Inter Coetera. Esse documento foi editado em 4 de maio de 1493, e pelos seus termos, o chamado "Novo Mundo" seria dividido entre Portugal e Espanha, através de um meridiano situado a 100 léguas do arquipélago de Cabo Verde: as terras que estivessem a oeste do meridiano pertenceria à Espanha; a leste, à Portugal.
Divisão proposta pela Bula Inter Coetera
  Este arranjo assegurava as terras descobertas no ano anterior por Cristóvão Colombo à Espanha e, a Portugal, a costa africana que vinha sendo explorada com vistas ao descobrimento de um caminho marítimo para as Índias.
  Alguns meses depois, com a chamada Bula da Partição, o papa Alexandre VI tentou confirmar as concessões à Espanha, dessa vez garantindo ao país a posse de praticamente todas as terras descobertas. Portugal, ainda mais prejudicado por essa decisão, deixou claro que lutaria por seus direitos.
  Apesar da divisão negociada entre os dois países ibéricos, navegadores franceses, ingleses e holandeses, por conta própria ou a mando de seus governantes, passaram a invadir as terras americanas para contrabandear tudo que encontrassem de valor ou para saquear os navios carregados de valiosas mercadorias. Essas iniciativas geraram diversos conflitos políticos entre os reinos europeus.
Mont-Tremblant, em Quebec - Canadá - cidade fundada por franceses
O Tratado de Tordesilhas
  Para tentar apaziguar os ânimos entre os reinos de Portugal e Espanha, foi assinado no dia 7 de junho de 1494, na povoação castelhana de Tordesilhas, o Tratado de Tordesilhas. Por esse tratado, Portugal e Espanha repartiram o mundo entre si.
  O tratado definia como linha de demarcação o meridiano de 370 léguas a oeste da ilha de Santo Antão no arquipélago de Cabo Verde. Esta linha estava situada a meio-caminho entre estas ilhas (então portuguesas) e as ilhas das Caraíbas descobertas por Colombo, atribuindo aos portugueses a posse de todas as terras até 370 léguas a oeste de Cabo Verde, ficando o restante sob o domínio espanhol.
  Assim, dividiram o Novo Mundo (América) sem sequer conhecer as dimensões daquilo que negociavam e ignorando quem eram, quantos eram, como viviam e o que pensavam os habitantes desses locais. Apossaram-se de um continente imenso, confiando nas armas para defender a sua parte, pois era previsível que outros países europeus, como a França e a Inglaterra, viriam um dia a cobiçar os territórios "descobertos".
O mundo de acordo com o Tratado de Tordesilhas
A viagem de Cabral
  Com a assinatura do Tratado de Tordesilhas e animados com a alta lucratividade da vigem de Vasco da Gama, os portugueses organizaram uma grandiosa frota com destino às Índias. Sua intenção era estabelecer novas e lucrativas relações comerciais com Calicute, consolidar os domínios lusitanos na região e propagar a fé cristã.
  As despesas com capitães, pilotos, mestres e tripulação, assim como a construção, a manutenção e o abastecimento da frota, além de outros gastos, elevaram tanto o custo do empreendimento que o governo português teve de firmar uma parceria com banqueiros e comerciantes para dividir as despesas da expedição.
  No dia 9 de março de 1500, com missa festiva e muita agitação no porto do Rio Tejo, em Lisboa, a frota de Cabral iniciou sua viagem em direção ao Grande Oceano. A travessia foi marcada por perdas e danos; já na primeira etapa da viagem, uma das naus desapareceu e 150 homens morreram no mar, enquanto os demais lutavam para escapar das tempestades ou se envolviam em conflitos provocados pela monotonia da vida a bordo.
Pedro Álvares Cabral
  A frota cruzou a Linha do Equador em 9 de abril e navegou rumo a oeste afastando-se o mais possível do continente africano, utilizando uma técnica de navegação conhecida como a volta do mar. Os marujos avistaram algas marinhas no dia 21 de abril, o que os levou a acreditar que estavam próximos da costa. Em 22 de abril, a armada de Cabral ancorou em frente a um monte, que Cabral batizou de Monte Pascoal (esse nome foi uma referência à semana da Páscoa), no atual litoral brasileiro, local inicialmente batizado de Ilha de Vera Cruz.
Monte Pascoal, localizado em Itamaraju - BA
  Os portugueses detectaram a presença de habitantes na costa, e os capitães de todos os navios reuniram a bordo do navio de Cabral no dia 23 de abril. Cabral mandou Nicolau Coelho, capitão que havia viajado com Vasco da Gama à Índia, para desembarcar e estabelecer contato. Ele pisou na terra e trocou presentes com os indígenas. Após Coelho voltar, Cabral ordenou que a frota rumasse ao norte, onde, após 65 km de viagem, ancorou em 24 de abril no local que o capitão-mor chamou de Porto Seguro. O lugar era um porto natural, e Afonso Lopes (piloto do navio principal) trouxe dois índios a bordo para conversar com Cabral.
  No dia 26 de abril (domingo de Páscoa), Cabral ordenou aos seus homens a construção de um altar em terra, onde uma missa católica foi celebrada pelo frei Henrique de Coimbra.
Primeira Missa no Brasil, de Victor Meireles
  Os dias seguintes foram gastos armazenando água, alimentos, madeira e outros suprimentos. Os portugueses também construíram uma enorme cruz de madeira. Cabral constatou que a nova terra estava a leste da linha de demarcação entre Portugal e Espanha, que tinha sido estabelecido no Tratado de Tordesilhas. Para solenizar a reivindicação de Portugal sobre as terras descobertas, realizou-se uma segunda missa no dia 1° de maio. Em honra à cruz, Cabral nomeou a terra recém-descoberta de Ilha de Vera Cruz. No dia seguinte, um navio de suprimentos sob o comando de Gaspar de Lemos, retornou para Portugal para informar o rei da descoberta, por meio de uma carta escrita por Pero Vaz de Caminha.
Carta de Pero Vaz de Caminha
  A frota retornou sua viagem no dia 3 de maio de 1500, navegando ao longo da costa leste da América do Sul, fato este que levou Cabral a descobrir que tinha encontrado um continente inteiro.
 RESULTADO DAS GRANDES NAVEGAÇÕES
  A expansão marítimo-comercial dos europeus nos séculos XV e XVI trouxe mudanças significativas tanto para a sociedade europeia da época quanto para os habitantes das regiões conquistadas.
  Para os europeus, as Grandes Navegações representaram o fortalecimento e a mundialização das atividades comerciais; novos mercados foram abertos na Ásia, África e América; produtos diferentes passaram a ser comercializados, alterando hábitos e costumes da população europeia; a descoberta de minas nas regiões conquistadas aumentou a circulação do ouro e da prata nos países europeus.
  Com a transferência de um grande volume de riquezas, a Europa se tornou um centro econômico mundial e assumiu o controle de regiões longínquas e desconhecidas do planeta. Alguns países criaram impérios coloniais, fazendo do Oceano Atlântico seu principal eixo econômico.
Domínios coloniais de 1492 a 2008
Perdas e danos dos povos conquistados
  No processo de expansão marítima, os europeus procuraram impor seus valores e mentalidades aos povos que antes nem conheciam. Para os povos conquistados, o resultado das Grandes Navegações foram dolorosos: terras invadidas e tomadas, riquezas saqueadas, culturas e religiões desorganizadas, milhares de habitantes assassinados, aldeias e cidades destruídas.
  Desde o início das conquistas, alguns europeus se referiam à América como um paraíso terrestre, deslumbrando-se com a riqueza natural e mineral encontradas. Alguns chegaram a reconhecer o grande desenvolvimento que sociedades como a dos astecas havia alcançado. Muitos outros, porém, viram nesses povos sinais de selvageria e atraso, sobretudo porque seguiam outra religião. Desse modo, consideravam que sua missão era converter os nativos, fazendo-os adotar o seu modo de viver e pensar, mesmo que à força. O resultado foi uma matança generalizada ou a imposição da submissão.
Ruínas de Machu Pichu
  Esse primeiro encontro dos europeus com a América constituiu um verdadeiro choque cultural, motivado pelo confronto entre dois modos completamente diferentes de viver e pensar: o do europeu e o do indígena.
  Cartas enviadas por padres e conquistadores que visitaram várias regiões da América relatam, com entusiasmo, a diversidade da fauna e da flora, comentam do maravilhoso clima e das águas limpas e, ao mesmo tempo, descrevem homens estanhos encontrados no local.
  De modo geral os relatos europeus falam dos nativos ora como selvagens integrados à natureza do lugar, dóceis e ingênuos; ora como primitivos, ignorantes, infiéis (pois não eram católicos) e violentos.
Muitos nativos praticavam a antropofagia
FONTE: Ribeiro, Vanise. Encontros com a História: 7° ano / Vanise Ribeiro, Carla Maria Junho Anastásia; Ilustrações Divanzir Padilha ... [et al.] - 3. ed. - Curitiba: Positivo, 2012.