ALDANN CONSTRUÇÕES

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domingo, 27 de abril de 2014

A FERROVIA TRANSIBERIANA

 
  A ferrovia Transiberiana é uma rede ferroviária que conecta a Rússia Europeia com as províncias do Extremo-Oriente Russo, Mongólia, China e o Mar do Japão. É frequentemente associada com o comboio transcontinental russo que liga centenas de grandes e pequenas cidades da Rússia, tanto na Europa quanto na Ásia.
  Construída em meio a um cenário tão belo quanto hostil, a maior e mais lendária ferrovia do mundo levou 26 anos para ser implantada e custou a vida de quase 10 mil operários: soldados, trabalhadores e prisioneiros chineses. Na difícil tarefa de sua construção, além do frio polar, os trabalhadores precisavam enfrentar o terreno difícil, enchentes, desabamentos, doenças e ataques de bandidos. Em 2004, essa ferrovia completou 100 anos.
Ponte sobre o rio Kama, em Perm - Rússia
  Os planos originais e financiamento para a construção da ferrovia Transiberiana, para ligar a então capital São Petersburgo à cidade portuária de Vladivostok no oceano Pacífico, foram aprovados pelo Czar Alexandre II em São Petersburgo. O filho dele, o Czar Alexandre III, supervisionou a construção. O Czar nomeou pessoalmente Sergei Witte como Diretor dos Assuntos dos Caminhos-de-Ferro em 1889. Em 1891, o Czar Alexandre III abençoou oficialmente a construção do segmento do Extremo-Oriente da linha em Vladivostok e o primeiro segmento entre Chelyabinsk e Omsk. Em março de 1891, o futuro Czar Nicolau II e a Imperatriz Alexandra abriram e abençoaram a construção do segmento do Extremo-Oriente durante a sua passagem por Vladivostok, após a visita ao Japão no final de sua viagem à volta do mundo.
Czar Alexandre II - idealizador da ferrovia
  A linha principal da ferrovia parte de Moscou e, após seis dias e meio de viagem ou cerca de 150 horas, ela chega a Vladivostok, no leste da Rússia, à beira do Mar do Japão (Mar do Leste). Ao percorrer 9.200 quilômetros, atravessar cerca de 70 grandes cidades russas e viajar por áreas de montanhas, taiga, lagos gelados, estepes e desertos - todos assolados pelo frio constante -, a ferrovia cumpre com o papel pelo qual foi feita: integrar o país que é quase um continente. Além das paisagens, a maior atração para o viajante é percorrer oito fusos horários da Terra, cruzando praticamente um terço do mundo e mantendo contato direto com russos, chineses, mongóis, europeus, entre outras nacionalidades.
Trecho da Transiberiana em Tomsk, na Sibéria - Rússia
  A ferrovia possui ramificações que tornam o complexo ferroviário mais descomunal do que já é. Uma das mais usadas é a Trans-Mongólia, que cruza as estepes natais de Gêngis Khan, passa pela Muralha da China e termina em Pequim. A capital chinesa também é o destino da Trans-Manchúria, mas por um caminho que percorre o nordeste da China.
  As principais rotas dessa ferrovia são:
1. Linha Transiberiana
  A rota principal é a linha Transiberiana que inicia-se em Moscou, passa por Iaroslavl no Volga, Perm no rio Kama, Ekaterinenburg nos Urais, Omsk no rio Irtysh, Novosibirsk no rio Ob, Krasnoyarsk no rio Ienissei, Irkutsk perto da extremidade sul do lago Baikal, Tchita, Blagoveshchensk, Khabarovsk até chegar em Vladivostok. Frequentemente, em vez do trecho Moscou-Iaroslavl-Kirov usa-se a rota ferroviária Moscou-Vladimir-Nijni Noygorod-Kirov. A sua construção durou desde 1891 até 1916 e, em 2002, a eletrificação foi finalizada. Cerca de 30% das exportações russas passam por essa linha.
Trecho da Transiberiana em Irkutsk, Sibéria - Rússia
2. Linha Transmanchuriana
  A linha Transmanchuriana coincide com a Transiberiana até Tarskaya, algumas centenas de quilômetros a leste do lago Baikal. De Tarskaya a Transmanchuriana dirige-se para o sudeste da China, terminando seu percurso em Pequim, sendo administrada pelo pessoal e administração russos baseados em Harbin, na Manchúria.
Trecho da Transmanchuriana, no Lago Baikal, na Rússia
3. Transmongoliana
  A Transmongoliana coincide com a Transiberiana até Ulan-Ude, na margem oriental do Lago Baikal. De Ulan-Ude a Transmongoliana dirige-se para o sul, em direção a Ulan Bator, para depois dirigir-se ao sudeste, em direção a Pequim, na China.
Trecho da Transmongoliana, próximo a divisa entre Mongólia e Rússia
4. Linha Baikal-Amur
  Em 1991, uma quarta rota indo mais longe para o norte, foi finalmente terminada, depois de mais de 50 anos de trabalhos cansativos. Conhecida como a Linha Baikal-Amur, esta extensão inicia-se da linha Transiberiana, há várias centenas de quilômetros a oeste do lago Baikal, e passa pelo lago na sua extremidade norte. Chega ao Pacífico a nordeste de Khabarovsk, em Sovetskaya Gavan. Apesar de esta rota dar acesso à costa norte do Baikal, passa também por algumas zonas de acesso restrito.
Linha Baikal-Amur próximo a Vladivostok
  Os trilhos, que ainda são rota de mão única e usam estreitamento em forma de gargalho, terão que entrar na era da mão dupla. Mesmo centenária, a velha senhora ainda tem muitos caminhos a percorrer.
FONTE: Moreira, Igor. Mundo da geografia: 9º ano / Igor Moreira; Ilustrações Antônio Éder [ et al.]. Curitiba: Positivo, 2012.

segunda-feira, 21 de abril de 2014

CONFLITOS NO CHADE E NA REPÚBLICA CENTRO-AFRICANA

CHADE
 
  Localizado no Centro-Norte do continente africano, na área de transição entre a África Mediterrânea e a África Subsaariana, o Chade abriga um dos povos mais pobres do mundo. O país possui cerca de 75% do seu território ocupado pelo deserto do Saara e não possui saída para o mar. Ex-colônia francesa, em seu território habitam mais de 200 grupos étnicos e essa grande diversidade étnica é um dos principais responsáveis pelos constantes conflitos que assola o país.
  Nos seus 54 anos de história como país independente, o Chade nunca teve uma mudança de governo de forma democrática e livre. Todas as mudanças no comando do Estado fizeram-se sempre de forma violenta, através de golpe militar.
  Desde a sua independência da França em 1960, o Chade tem sido palco de guerra civil entre árabes muçulmanos do norte e cristãos subsaarianos do sul. Como resultado, a liderança e a presidência do Chade é disputada entre os cristãos sulistas e os muçulmanos nortistas. Quando um dos lados está no poder, o outro normalmente inicia uma guerra revolucionária para enfrentá-lo.
Comércio de trajes típicos no Chade
1. Primeira Guerra Civil do Chade
  A Primeira Guerra Civil do Chade foi um conflito armado que ocorreu 1965 e 1979. Essa guerra começou com uma rebelião contra o regime ditatorial do presidente François Tombalbaye, continuando depois do golpe de Estado de 1975, durante o qual Tombalbaye foi assassinado. Na guerra, participaram as várias facções e grupos militantes, contando com o apoio dos Estados Unidos, França e Líbia. A guerra terminou em 1979 com a formação de um governo de coalizão liderado por Hissene Habré, tendo como presidente Goukouni Oueddei. Os confrontos continuaram e, em 1983, Habré tornou-se presidente, obrigando Oueddei a fugir do país.
Hissene Habré
2. Conflito entre Chade e Líbia
  A partir de 1972, o Regime Líbio passou a ter dentre os seus objetivos, a transformação do Chade em um Estado cliente da Líbia, uma república islâmica no Jamairia, que manteria estreitas relações com a Líbia para garantir seu controle sobre a Faixa de Aouzou, a expulsão dos franceses da região, e a utilização daquele país como uma base para expandir sua influência na África Central.
  O conflito entre Chade e Líbia foi um estado de guerra que ocorreu de 1978 a 1987, entre as forças militares dos dois países. A Líbia envolveu-se nos assuntos internos do Chade, ocupando uma faixa de terras do território chadiano em 1977. Para ocupar o Chade, o ex-ditador da Líbia Muammar al-Gaddafi contou com várias facções que participaram da guerra civil, enquanto os adversários da Líbia receberam o apoio da França, que interveio militarmente para salvar o governo do Chade em 1978, 1983 e 1986.
Área do conflito entre Chade e Líbia
  Em 1978, a Líbia forneceu armas, artilharia e apoio aéreo aos seus aliados no Chade, assumindo a maior parte da luta. Em 1986, todas as forças do Chade uniram-se à oposição e ocuparam o norte do país pela Líbia. Essa união provocou a Guerra dos Toyota, que envolveu a Líbia, o Chade e a França, pelo controle da Faixa de Aouzou, uma estreita faixa territorial no extremo norte do Chade, que era reivindicada pela Líbia. O nome dessa guerra deve-se ao fato de os soldados chadianos usarem camionetas Toyota Land Cruiser para atravessar o deserto e enfrentar os veículos blindados líbios. Nessa guerra, os líbios foram derrotados e expulsos do Chade, pondo o fim à guerra.
Faixa de Aouzou
3. Conflito entre Chade e Sudão
  Em 2003, o conflito na região de Darfur, no vizinho Sudão, expandiu através da fronteira com o Chade. Os refugiados do Sudão se juntaram aos civis do Chade que estavam tentando escapar da violência rebelde, enchendo os campos de concentração dos refugiados, contribuindo para provocar a Segunda Guerra Civil do Chade, que teve início em dezembro de 2005. O conflito envolveu as forças governamentais e vários grupos rebeldes chadianos, como a Frente Unida pela Mudança Democrática (FUC), a União das Forças para a Democracia e Desenvolvimento (UFDD), a Reunião de Forças pela Mudança (RFC) e a Concórdia Nacional do Chade (CNT). Ao lado dos rebeldes, está a milícia árabe Janjaweed, abertamente apoiada pelo Sudão. A Líbia tentou intermediar o conflito, assim como diplomatas de outros países.
  De acordo com o governo do Chade, em janeiro de 2006, cerca de 614 cidadãos chadianos foram mortos nas batalhas fronteiriças. Em 8 de fevereiro de 2006, foi assinado o Acordo de Trípoli, que cessou a guerra por aproximadamente dois meses.
Milicianos de Darfur
  Em fevereiro de 2008, três grupos rebeldes se uniram e lançaram um ataque contra a capital chadiana, N'Djamena. Depois de lançar um ataque que não conseguiu tomar o palácio presidencial, o ataque foi repelido decisivamente. A França enviou tropas para fortalecer o governo. Muitos dos rebeldes eram antigos aliados do presidente Idriss Déby. Acusaram-no de corrupção contra membros de sua própria tribo.
  Em março de 2008, foi assinado o Acordo de Dacar, feito pelos presidentes do Chade e Sudão, Idriss Déby e Omar al-Bashir, respectivamente. Os dois líderes se comprometiam a pôr em prática pactos de não-agressão firmados nos fracassados tratados anteriores. A assinatura do novo acordo foi feita durante uma cúpula da Organização da Conferência Islâmica, em Dacar, Senegal, contando com a ajuda do secretário-geral da ONU Ban Ki-moon e com a mediação do presidente senegalês Abdoulaye Wade.
Idriss Déby
  Em 12 de junho de 2008, tropas da União Europeia no leste do Chade reforçaram as patrulhas em torno dos campos de refugiados e de ajuda internacional, após os rebeldes anunciarem uma nova ofensiva. O governo do Chade e os rebeldes davam versões conflitantes sobre as movimentações militares na região Dar Sila, perto da fronteira do Sudão, onde soldados irlandeses da UE faziam a proteção dos campos de refugiados das Nações Unidas para chadianos e sudaneses.
  Enquanto porta-vozes dos rebeldes chadianos disseram que os insurgentes avançavam com força no oeste e tinham abatido um helicóptero do governo, fontes governamentais diziam que o helicóptero caiu por causa de problemas técnicos.
Principais locais de conflito
  Em janeiro de 2009, o governo do Chade pediu a retirada dos soldados da ONU do leste do país, alegando a lenta implantação da missão de paz, as melhorias da situação de segurança, entre outras razões para justificar a saída dos soldados da ONU. Em maio desse mesmo ano, a ONU revisou o mandato da missão e autorizou a retirada gradual dos "capacetes azuis" e o encerramento até o final do ano dessa missão de paz, passando toda a responsabilidade de proteção dos civis e das populações deslocadas e refugiados de Darfur para as mãos das forças de segurança do Chade.
  Um acordo para a restauração da harmonia entre o Chade e o Sudão, foi assinado em janeiro de 2010, marcando o fim de uma guerra de cinco anos. A correção nas relações levaram os rebeldes chadianos do Sudão a retornarem ao país, a abertura da fronteira entre os dois países, bem como a implantação de uma força conjunta para proteger a fronteira.
Campo no Chade para refugiados vindos de Darfur
  A guerra civil no Chade é uma guerra regional, que tem profundas ligações com os conflitos no Sudão e na República Centro-Africana.
ALGUNS DADOS DO CHADE
NOME: República do Chade
CAPITAL: N'Djamena
Comércio nas ruas de N'Djamena - capital do Chade
LÍNGUA OFICIAL: francês e árabe
GOVERNO: República Presidencialista
INDEPENDÊNCIA: da França em 11 de agosto de 1960

GENTÍLICO: chadiano, chadiense
LOCALIZAÇÃO: centro-norte da África
ÁREA: 1.284.000 km² (20º)
POPULAÇÃO (ONU - Estimativa 2013): 10.111.337 habitantes (79º)
DENSIDADE DEMOGRÁFICA: 7,87 hab./km² (191º)
MAIORES CIDADES (Estimativa 2013):
N'Djamena: 1.093.492 habitantes
N'Djamena - capital do Chade
Moundou: 142.943 habitantes
Rua de Moundou - segunda maior cidade do Chade
Sarh: 104.432 habitantes
Sarh - terceira maior cidade do Chade
PIB (FMI - 2013): U$ 9,723 bilhões (132º)
IDH (ONU - 2012): 0,340 (184º)
EXPECTATIVA DE VIDA (ONU - 2005/2010): 48,52 anos (189º)
CRESCIMENTO VEGETATIVO (ONU - 2005-2010): 2,88% ao ano (18º)
MORTALIDADE INFANTIL (
CIA World Factbook - 2012): 131,17/mil (
192º)
TAXA DE URBANIZAÇÃO (CIA World Factbook - 2011): 27% (16º)
TAXA DE ALFABETIZAÇÃO (Pnud - 2009/2010): 25,7
% (175º)

PIB PER CAPITA (FMI - 2011): U$ 892 (151º) 
MOEDA: Franco
RELIGIÃO: 53% muçulmanos, 20% de católicos, 14% protestantes, 10% animistas e 3% de ateus.
Catedral de N'Djamena
DIVISÃO: desde fevereiro de 2008, o Chade está dividido em 22 regiões. A subdivisão do Chade em regiões surgiu em 2003 por meio de um processo de descentralização, quando o governo aboliu as catorze prefeituras anteriores. Cada região é encabeçada por um governador designado pela presidência. Os prefeitos administram os 61 departamentos dentro das regiões. Os departamentos se subdividem em duzentas prefeituras, os quais se dividem em 446 cantões.
  A Constituição do país prevê um governo descentralizado para alertar as populações locais sobre o desempenho de um papel ativo em seu próprio desenvolvimento, objetivando declarar que cada organização administrativa e territorial seja redigida por assembleias locais eleitas.
  As regiões do Chade são: 1. Batha 2. Chari-Baguirmi 3. Hadjer-Lamis 4. Wadi Fira 5. Barh El Gazel 6. Borkou 7. Ennedi 8. Guéra 9. RKanem 10. Lac 11. Logone Ocidental 12. Logone Oriental 13. Mandou 14. Mayo-Kebbi Leste 15. Mayo-Kebbi Oeste 16. Moyen-Chari 17. N'Djamena 18. Ouaddai 19. Salamar 20. Sila 21. Tandjilé 22. Tibesti.
Regiões do Chade
REPÚBLICA CENTRO-AFRICANA

  A antiga colônia francesa de Ubangui-Chari fez parte da África Equatorial Francesa. Em 1958, tornou-se república dentro da Comunidade Francesa e totalmente independente em 1960.
  Em 1976, seu presidente, Jean-Bédel Bokassa, declarou-a império e nomeou a si próprio imperador. Após denúncias de atrocidades, ele foi deposto em 1979, e o país voltou a ser uma República. Porém, a instabilidade política persistiu e, em 1981, o general André Kolingba tomou o poder.
André Kolingba
  O governo civil foi restaurado em 1986, com Kolingba ainda presidente. Houve reivindicações por eleições multipartidárias e o Movimento Democrático pela Renovação e Evolução na África Central (MDREC) foi constituído. Uma conferência constitucional fracassou em 1992 e o líder do MDREC foi aprisionado. Em 1993, ocorreram eleições livres, vencidas no segundo turno por Ange-Félix Patassé, ex-primeiro-ministro do governo Bokassa.
Ange-Félix Patassé
  Em 2003, um golpe de Estado depôs Patassé, e o líder rebelde François Bozizé assumiu o poder. Dois anos depois, ele organizou eleições presidenciais, onde saiu vitorioso no segundo turno. Em 2013, Bonzizé foi deposto por um novo golpe, após a coalizão rebelde Seleka assumir o controle da capital e forçar a fuga do ex-presidente para Camarões.
CONFLITO ATUAL
  A República Centro-Africana está há um ano mergulhada na violência entre as comunidades muçulmanas e cristã, que levou a ONU a temer por um genocídio e uma limpeza étnica.
  Com mais de seis mil homens e subordinados à União Africana, a Misca (Missão de Paz da República Centro-Africana) está presente no país, além de cerca de dois mil soldados franceses.
  Nos últimos dias, os soldados africanos foram alvos de disparos dos milicianos anti-balaka, na capital do país, Bangui, obrigando-os a retaliarem. Os anti-balaka são milícias camponesas de autodefesa cristãs e nasceram em reação às agressões cometidas contra a população pelos combatentes Seleka, em sua maioria muçulmanos, desde que eles tomaram o poder, em março de 2013.
Militantes anti-balaka
  A violência no país obrigou a cerca de um milhão de pessoas a se deslocar, em sua maioria muçulmanas, para outros locais do país e do continente africano.
  Os soldados da força internacional para a manutenção da paz não conseguem impedir a limpeza étnica de civis muçulmanos no oeste da República Centro-Africana.
  A situação se deteriorou após a queda do presidente François Bozizé, em março de 2013, deposto por Michel Djotodia e pela rebelião Seleka.
  Djotodia foi forçado a sair do poder em janeiro de 2014, pois foi acusado pelos cristãos de promover massacres contra esse grupo religioso, provocando uma onda incontrolável de violência após o surgimento das milícias anti-balaka.
Corpos de pessoas assassinadas em Bangui
ALGUNS DADOS DA REPÚBLICA CENTRO-AFRICANA
NOME: República Centro-Africana ou República da África Central
CAPITAL: Bangui

Entrada da cidade de Bangui
LÍNGUA OFICIAL: francês, sangho
GOVERNO: República Federal
INDEPENDÊNCIA: da França, em 13 de agosto de 1960

GENTÍLICO: centro-africano
LOCALIZAÇÃO: centro da África
ÁREA: 622.984 km² (43º)
POPULAÇÃO (ONU - Estimativa 2013): 4.444.330 habitantes (120º)
DENSIDADE DEMOGRÁFICA: 7,13 hab./km² (192º)
MAIORES CIDADES (Estimativa 2013):

Bangui: 876.342 habitantes
Bangui - capital e maior cidade da República Centro-Africana
Bimbo: 267.859 habitantes
Escola na zona rural de Bimbo - segunda cidade mais populosa da RCA
Mbaiki: 104.321 habitantes
Vila rural em Mbaiki - terceira cidade mais populosa da República Centro-Africana
PIB (FMI - 2013): U$ 2,168 bilhões (159º)
IDH (ONU - 2012): 0,352 (180º)
EXPECTATIVA DE VIDA (ONU - 2005/2010): 45,91 anos (198º)
CRESCIMENTO VEGETATIVO (ONU - 2005-2010): 1,83% ao ano (65º)
MORTALIDADE INFANTIL (
CIA World Factbook - 2012): 105,38/mil (
185º)
TAXA DE URBANIZAÇÃO (CIA World Factbook - 2011): 39% (137º)
TAXA DE ALFABETIZAÇÃO (Pnud - 2009/2010):
48,6% (162º)
PIB PER CAPITA (FMI - 2011): U$ 456 (174º)
MOEDA: Franco
RELIGIÃO: 67,23% de cristãos (sendo a grande maioria de católicos), 17,39% de crenças tribais, 14,65% de islâmicos e 0,73% de outras crenças.
DIVISÃO: A República Centro-Africana divide-se em 14 prefeituras administrativas, 2 prefeituras econômicas e uma comuna autônoma.
FONTE: Geografia nos dias de hoje, 8º ano / Cláudio Giardino ... [et al.]. 1. ed. - São Paulo: Leya, 2012. - (Coleção nos dias de hoje).

domingo, 20 de abril de 2014

AS LUTAS ANTICOLONIAIS NA ÁSIA

  Para estruturar as colônias europeias no mundo foram necessários mais de quatro séculos, contando a partir do período das feitorias até a segunda metade do século XX.
  Desde antes da Segunda Guerra Mundial, sete países europeus mantinham colônias na Ásia e na África: Inglaterra, França, Holanda, Itália, Bélgica, Espanha e Portugal. Essas antigas colônias vivenciaram profundas transformações no pós-guerra, onde muitas delas iniciaram um processo de independência. De maneira geral, os movimentos de independência ocorreram por várias razões: arruinados após as guerras, os países europeus mal podiam preservar as colônias; em novo estágio, o capitalismo não exigia mais a posse de impérios coloniais; a política de relações internacionais agora proclamava a autodeterminação dos povos; e a eclosão de movimentos de luta pela independência.
  O processo de descolonização asiático contou com o apoio norte-americano e soviético. Isso se deu pelo fato de que naquele momento o mundo vivia o período da História denominado de Guerra Fria. Ambos desejavam expandir suas áreas de influência do capitalismo e do socialismo nos países que iriam emergir com a independência.
  Ao gerar movimentos nacionalistas em favor da libertação, a resistência anticolonial alcançou papel de destaque no processo de independência. Grande parte desses movimentos foi liderada por uma elite ilustrada bilíngue, educada nas metrópoles. Durante o processo de organização dos impérios coloniais, essa elite local havia sido preparada pela metrópole para colaborar e administrar as possessões  coloniais ao lado dos estrangeiros. Com o tempo, composta de advogados, médicos, jornalistas, administradores, etc., e formada nas melhores universidades europeias, essa elite começou a articular em favor da autonomia, desenvolvendo sentimentos anticoloniais e nacionalistas. Nesse contexto, começaram a ser valorizados aspectos das culturas locais em oposição aos imperialistas, como a negritude, o islamismo, o pan-africanismo, o hinduísmo etc. Muitas vezes, os movimentos de libertação foram apoiados pelas grandes potências, que tinham em vista atrair as novas nações para as respectivas áreas de influência.
Colônias europeias na África
  Esses movimentos ocorreram de forma e em momentos diferentes. Alguns aconteceram simultaneamente com a Segunda Guerra Mundial (Índia, Paquistão, Sri Lanka, Filipinas, Indonésia, Vietnã e Laos, por exemplo) e outros se estenderam até meados da década de 1970 (nos países da África Central). A China promoveu a Revolução de Mao Tsé-Tung ou Revolução Socialista, pondo fim à dominação inglesa, alemã e japonesa em seu território. Em 1945, a Coreia deixou de se submeter aos domínios japoneses. Essa ex-colônia japonesa se dividiu em 1948, formando dois países: Coreia do Norte e Coreia do Sul. O Camboja tornou-se independente da França em 1953. A Malásia e Cingapura conseguiram se libertar da colonização inglesa entre os anos de 1957 e 1965, respectivamente.
  Em razão de muitos anos de intensa exploração por parte das metrópoles europeias, as colônias se tornaram independentes, no entanto herdaram muitos problemas de caráter socioeconômico, os quais são percebidos até os dias de hoje.
As antigas colônias da África e da Ásia registram grande número de pessoas vivendo abaixo da linha de pobreza
  As colônias onde hoje se encontra o Oriente Médio se submeteram aos domínios europeus por muito tempo. Países como Líbano e Síria tiveram suas independências oficializadas em 1943 e 1946, respectivamente. O restante dos países que integram o Oriente Médio obteve a independência somente após a Segunda Guerra Mundial. Com exceção do Irã, que teoricamente nunca foi colônia de nenhuma metrópole europeia.
Domínios coloniais no Oriente Médio
A CONFERÊNCIA DE BANDUNG
  Na década de 1950, os movimentos de independência ou nacionalista alcançaram maior força. Em 1955, declarando apoio às lutas anticoloniais, reuniram-se 29 países africanos e asiáticos para discutir as questões do Terceiro Mundo na Conferência de Bandung, na Indonésia. Nesse encontro, buscou-se ainda sugerir uma alternativa à bipolarização capitalistas x socialistas.
  Essa conferência ocorreu entre os dias 18 e 24 de abril de 1955, objetivando mapear o futuro de uma nova força política global (Terceiro Mundo), visando a promoção da cooperação econômica e cultural afro-asiática, como forma de oposição ao que era considerado colonialismo ou neocolonialismo.
  O patrocínio da reunião coube à Indonésia, Índia, Birmânia (atual Mianmar), Ceilão (atual Sri Lanka) e Paquistão, que haviam preparado a conferência em uma reunião anterior em Colombo, Sri Lanka.
Países que participaram da Conferência de Bandung
  A grande preocupação da Conferência de Bandung era criar uma política própria dos países pobres, independentemente dos interesses políticos das superpotências. Na disputa bipolarizada entre elas, esses países deveriam se manter neutros, realizando uma política de não-alinhamento. Consagrou-se a partir daí a expressão países do Terceiro Mundo (embora o termo já fosse utilizado desde 1952), ou seja, aqueles que adotavam uma política de neutralidade em relação aos países do Primeiro Mundo (capitalistas, liderados pelos Estados Unidos) e do Segundo Mundo (socialistas liderados pela União Soviética). Definições como a defesa do desarmamento mundial e a reafirmação da igualdade entre as raças também fizeram parte das resoluções tomadas nessa conferência.
  A única realização concreta dos delegados à conferência foi uma declaração de dez pontos sobre "a promoção da paz e cooperação mundiais", baseada na Carta das Nações Unidas e nos princípios morais do premiê indiano Jawaharlal Nehru, um dos estadistas mais antigos presentes ao encontro.
  1.  Respeito aos direitos fundamentais;
  2. Respeito à soberania e integridade territorial de todas as nações;
  3. Reconhecimento da igualdade de todas as raças e nações, grandes e pequenas;
  4. Não-intervenção e não-ingerência nos assuntos internos de outro país (autodeterminação dos povos);
  5. Respeito pelo direito de cada nação defender-se, individual e coletivamente;
  6. Recusa na participação dos preparativos da defesa coletiva destinada para servir aos interesses particulares das superpotências;
  7. Abstenção de todo ato ou ameaça de agressão, ou do emprego da força, contra a integridade territorial ou a independência política de outro país;
  8. Solução de todos os conflitos internacionais por meios pacíficos (negociações e conciliações arbitradas por tribunais internacionais);
  9. Estímulo aos interesses mútuos de cooperação;
  10. Respeito pela justiça e obrigações internacionais.
Conferência de Bandung, em 1955
  Outros encontros de países terceiro-mundistas foram realizados, incorporando países da América Latina; entretanto, os resultados mostravam-se pouco eficientes no quadro político internacional. No início dos anos 1960, em Belgrado (capital da Sérvia, na época era a capital da Iugoslávia), uma nova conferência reforçou o tom da neutralidade internacional, criando condições para o desenvolvimento do Movimento dos Não-Alinhados. Os resultados concretos da Conferência de Belgrado foram os movimentos de independência que proliferaram na África na década de 1960.
  Na Conferência de Belgrado estiveram presente 24 nações, que apresentavam diferenças políticas e econômicas entre si. Nessa conferência tornaram-se óbvios os conflitos entre os delegados. A Índia foi criticada por ter abandonado o princípio de neutralidade e votado a favor da União Soviética na ONU, em 1956, após a invasão da Hungria por tropas soviéticas.
  Devido a um conflito de fronteira com a China, a Índia buscou o apoio dos países ocidentais, forçando os chineses a se retirarem do território indiano. Também a Iugoslávia buscara um caminho próprio. Tito negociava preferencialmente com os países que não se envolviam no conflito Leste-Oeste. Na época, seus parceiros prediletos eram o Egito e a Índia. Cuba, por sua vez, destacava-se entre os não-alinhados pelo enorme engajamento contra os países ocidentais.
Em azul escuro, os países membros do Movimento dos Não-Alinhados, em azul claro os países observadores.
  O movimento dos países do Terceiro Mundo teve grande impacto também no universo intelectual. Alguns teóricos tentaram conceituar e caracterizar os países terceiro-mundistas, chegando aos seguintes aspectos: economia agrícola; industrialização incipiente; dependência do capital e da tecnologia dos países centrais (Primeiro Mundo); elevado crescimento demográfico, com predomínio das populações rurais; proliferação da pobreza; altas taxas de analfabetismo, subnutrição e mortalidade infantil; pouca tradição democrática.
Para alguns analistas, a subnutrição era uma das características dos países terceiro-mundistas
  Atualmente, o conceito de Terceiro Mundo é bastante questionado, sobretudo porque abrange realidades muito distintas e fortalece a ideia da hierarquia entre os países. Além disso, o fim da bipolarização em razão do desmoronamento da União Soviética, extinguiu o Segundo Mundo.
OS MOVIMENTOS DE LIBERTAÇÃO
  Os impérios coloniais europeus na Ásia foram estabelecidos desde o final do século XIX e basicamente estavam concentrados em três áreas: Índia (colônia inglesa), Indonésia (holandesa) e Indochina (francesa). Consequentemente, foi nessas regiões que ocorreram os maiores movimentos de libertação asiáticos. O primeiro deles se manifestou na Índia, influenciando as demais colônias nesse continente.
Colonialismo na Ásia
  A descolonização se processou de três formas: a pacífica, a violenta e a tardia.
1. Descolonização pacífica
  Resultado de acordos e de negociações entre as colônias e as metrópoles. a independência é concedida pela metrópole em troca da manutenção de vínculos econômicos e/ou políticos que lhe asseguravam uma ascendência sobre a antiga colônia. A colônia tornava-se formalmente independente, mas, na prática, a metrópole inaugurava uma nova forma de dominação. São exemplos desse tipo de descolonização a maior parte das colônias britânicas na Ásia: Índia, Ceilão, Birmânia e Malásia.
Sri Lanka (antigo Ceilão) - um exemplo de descolonização pacífica
2. Descolonização pela violência
  Esse tipo de descolonização ocorreu quando esse processo foi marcado por guerras de independência ou por guerra civil. Na Ásia são exemplos desse tipo de descolonização o Vietnã e as Coreias.
3. Descolonização tardia
  Esse tipo de descolonização ocorreu mais recentemente, principalmente depois da década de 1970. Um exemplo desse tipo de descolonização ocorreu no Timor Leste, que se tornou independente de Portugal.
Timor Leste - exemplo de descolonização tardia
A INDEPENDÊNCIA DA ÍNDIA
  Logo que terminou a Primeira Guerra Mundial, desenvolveu-se na Índia um forte movimento nacionalista contra a Inglaterra. O Partido do Congresso, liderado por Mahatma Gandhi e Jawaharlal Nehru, comandou um movimento que se tornou famoso no mundo inteiro.
  Conduzida por Gandhi no período entreguerras, a luta contra o imperialismo inglês baseava-se na ideia da não-cooperação e não-violência. O objetivo do Movimento de Resistência Pacífica, na qual ficou denominado, era resistir à dominação da Inglaterra, deixando de cooperar com os ingleses e com as instituições coloniais e não reagindo à violência por meio de uma série de práticas - jejum, não-consumo de produtos ingleses, o não pagamento de impostos etc. Como exemplo da desobediência civil, Gandhi jejuava, não cumpria as leis coloniais e fazia marchas pacíficas pela Índia.
Gandhi produzindo a sua própria roupa
  Após muita repressão, lutas e concessões por parte da Inglaterra, a independência foi reconhecida em agosto de 1947. Entretanto, as disputas religiosas entre hindus, siques e muçulmanos dividiram o país, com a criação do Paquistão, de maioria muçulmana, e a Índia, de maioria hindu. Para que a Inglaterra concedesse a independência, os dois países deveriam permanecer integrados aos domínios ingleses por meio da Commonwealth (Comunidade Britânica de Nações). Em 1972, o Paquistão seria subdividido, dando origem ao Bangladesh.
  Embora os custos e as dificuldades com a organização do Estado independente fossem enormes, Gandhi insistia em evitar a divisão do país. Além disso, os conflitos religiosos eram antigos e se radicalizaram ainda mais com as disputas internas. Nesse contexto de radicalização político-religiosa, Gandhi foi assassinado, em 1948, por um fundamentalista hindu.
Descolonização inglesa no Subcontinente Indiano
  Amigo e seguidor de Gandhi, Jawaharlal Nehru foi o primeiro chefe político da Índia independente, governando o país até 1964. Ele procurou desenvolver o Estado de forma independente e dar a ele estabilidade política, alcançando com sucesso. Atuou com destaque no cenário internacional, defendendo a política de neutralidade e a necessidade de construir uma terceira via de desenvolvimento, como alternativa ao socialismo e ao capitalismo. A partir da década de 1960, a Índia se aproximou da União Soviética, buscando proteção política e militar, pois em 1962, a China invadiu a Caxemira, gerando uma situação de guerra.
Nehru e Gandhi em 1942
COLÔNIAS SEGUEM O EXEMPLO DA ÍNDIA
  A independência da Índia contribuiu para que outras colônias inglesas lutassem pela independência. A Birmânia (atual Mianmar) e o Ceilão (que em 1972 passaria a se chamar Sri Lanka) alcançaram a independência em 1948. O processo na Malásia foi mais difícil e demorado, em razão da heterogeneidade religiosa e étnica - pois era habitada por chineses, indianos e malaios -, mas, em 1957 foi instituída a Unidade Malaia.
  Outro processo demorado foi o da autonomia de Hong Kong. Vitoriosos na Primeira Guerra do Ópio, em 1842, os britânicos garantiram, entre outros privilégios, a posse dessa região. Em 1997, ela voltou ao domínio chinês, com o status de Região Administrativa Especial, aumentando o poderio econômico da China, visto que Hong Kong é um dos maiores mercados do mundo, além de possuir um porto com grande movimento. Pelo acordo feito entre China e o Reino Unido, até 2047 Hong Kong deverá manter seu sistema econômico e sua autonomia administrativa.
Visão noturna da cidade de Hong Kong
A DIVISÃO DA COREIA
  Desde o início do século XX, a Coreia foi dominada por outras nações, principalmente por causa da sua localização estratégica no Extremo Oriente, entre a China e o Japão. Ela foi ocupada pelo Japão em 1905 e anexada formalmente a ele em 1910. Em 1945, após o final da Segunda Guerra Mundial, com a derrota japonesa no Oriente, a área foi ocupada pelos Estados Unidos e pela União Soviética.
  Em razão dos interesses soviéticos e norte-americanos na região, em 1948 dividiu-se a Coreia entre as duas superpotências, tendo como limite o paralelo 38. Os Estados Unidos dominaram o sul com o regime capitalista, onde se estabeleceu a Coreia do Sul; os soviéticos influenciaram o norte com o sistema socialista, criando a República Democrática Popular da Coreia do Norte.
Coreia do Norte (vermelho) e Coreia do Sul (verde)
  Em 1950, a Coreia do Norte invadiu a Coreia do Sul, iniciando um conflito que durou até 1953. A Guerra da Coreia colocou em campos opostos os Estados Unidos e a União Soviética, que apoiaram "indiretamente" as tropas do sul e do norte, respectivamente, pondo em risco a política da Guerra Fria e inaugurando um tipo de estratégia que se tornaria comum ao longo das décadas seguintes: o conflito indireto das duas superpotências em um terceiro país.
Ofensivas durante a Guerra da Coreia
INDONÉSIA
  A região era domínio holandês desde o século XVII, tendo recebido o nome de Índias Orientais. No século XV, a Indonésia foi islamizada por indianos. Em 1942, durante a Segunda Guerra Mundial, o Japão invadiu as ilhas que compõem o país, que apoiou os movimentos nacionalistas. Uma frente política nacionalista chegou a proclamar a República, sob o comando de Ahmed Sukarno. A Holanda tentou recuperar sua possessão, mas não alcançou sucesso, reconhecendo a independência da Indonésia em 1949, que se aproximou da política de não-alinhamento, adotando uma política externa de independência no quadro da Guerra Fria, no qual o país foi um dos fundadores do Movimento dos Países Não-Alinhados, sendo o anfitrião dessa reunião, em 1955 na cidade de Bandung. Nesse mesmo ano, as Forças Armadas sufocam uma tentativa de golpe promovido pelo Partido Comunista Indonésio.
Em marrom as ilhas da Indonésia
  Em 1965, um golpe militar comandado pelo general Suharto, de posições pró-ocidentais, derrubou o governo Sukarno, dando início a um regime sangrento que permaneceria até a década de 1990.
INDOCHINA
  A península da Indochina, composta por Vietnã, Camboja e Laos, foi uma colônia francesa até 1954, quando os franceses foram derrotados na batalha de Diem Bien Phu. Também foi ocupado por tropas japonesas durante a Segunda Guerra Mundial.
  Em 1946, um movimento de independência contra a ocupação japonesa, liderado por Ho Chi Minh, libertou o norte do Vietnã, instaurando um governo comunista sediado na cidade de Hanói. A região sul foi devolvida à França, que não conseguiu deter as manifestações nacionalistas. Em 1946, iniciou-se uma guerra civil que terminou somente em 1954.
Península da Indochina
  Nos anos 1950, o conflito alcançou dimensões internacionais, com o apoio dos países que bipolarizavam o cenário internacional (EUA x URSS). Após o término dos conflitos internos, em 1954, o Acordo de Genebra estabeleceu uma saída: a divisão do Vietnã no paralelo 17. Ao sul desse paralelo, formou-se a República do Vietnã do Sul, cuja capital era Saigon e aliada ao bloco Ocidental; e ao norte, formou-se a República Democrática do Vietnã, ou Vietnã do Norte, cuja capital era Hanói, aliada ao bloco Oriental. Com essa divisão do Vietnã, a França também reconheceu a independência de Laos e de Camboja.
  Essa solução não foi suficiente para resolver os problemas da Indochina. A política das superpotências na região era a de não perder posições e não permitir o avanço do inimigo. De acordo com essa estratégia, a oficialização no poder de um comunista no Vietnã do Norte - Ho Chi Minh - representava para os Estados Unidos um grande desequilíbrio.
Vietnã dividido
A GUERRA DO VIETNÃ
  A Guerra do Vietnã começou em 1959, opondo militares do Vietnã do Sul à guerrilha apoiada pelo Vietnã do Norte. Em 1960, procurando reverter suas posições no Extremo Oriente, apesar do desgaste na Guerra da Coreia, os Estados Unidos resolveram apoiar militarmente o Vietnã do Sul, dando início a novos conflitos na região. O então presidente norte-americano Jonh Kennedy não poupou ajuda financeira e militar aos sul-vietnamitas, e seu sucessor, Lyndon Johnson aumentou a escalada militar no Vietnã. No apogeu do conflito, a intervenção norte-americana envolveu cerca de meio milhão de militares. Nessa época surgiu a política dos falcões - em oposição aos pombos - símbolo da paz -, militares que defendiam a ideia de que os Estados Unidos não poderiam permitir que o Vietnã do Sul se tornasse comunista.
Aviões norte-americanos bombardeando o Vietnã do Norte
  A guerra atingiu também o Camboja e o Laos, ocupados pelos norte-americanos e por guerrilhas nacionalistas e de esquerda. A força bélica e tecnológica norte-americana foi superada pela guerrilha vietcongue (resistência comunista do Vietnã do Sul) e do apoio da população do Vietnã do Sul aos guerrilheiros.
  As implicações materiais e sociais da guerra causaram enorme trauma na sociedade norte-americana. As reações internas à guerra surgiram em meados da década de 1960, aumentando os problemas no país.
  Em 1973, os Estados Unidos aceitaram um cessar-fogo, retirando-se dois anos depois da região. A paz foi negociada nesse mesmo ano no Acordo de Paris, mas os conflitos se prolongaram no Laos e no Camboja até 1975, quando os vietcongues tomaram Saigon, capital do Vietnã do Sul, obrigando os norte-americanos a uma retirada desastrosa. No ano seguinte, o país foi unificado e os comunistas assumiram o poder, instituindo um governo pró-soviético. Saigon passou a ser a capital do Vietnã, mas o nome foi mudado para Ho Chi Minh.
Ho Chi Minh - líder do movimento de independência do Vietnã
  No final dessa década, o Vietnã envolveu-se em conflitos no Laos e no Camboja, países aliados da China, sofrendo represália dos chineses e sendo bombardeada por essa potência asiática em 1979, levando o país a sofrer uma grave crise econômica na década de 1980.
TIMOR LESTE
  Timor Leste é um dos mais novos países do mundo. Foi colonizado por Portugal até 1975 e, a partir desse ano, com a retirada de Portugal, foi anexado de forma violenta pela Indonésia. A intransigência da Indonésia chegou ao ponto de proibir a população da ilha de falar o português, além de perseguir, torturar e prender aqueles que defendiam a independência da ilha.
  Inconformada com a situação, a ONU organizou, em 1999, um plebiscito, aceito pela Indonésia, por meio do qual os timorenses teriam a oportunidade de escolher seu futuro, como um povo soberano, ou, se assim quisessem, continuar atrelados ao governo indonésio.
Mapa do Timor Leste
  O resultado foi que 80% da população optou pela independência. Mas os piores dias foram os que se seguiram ao plebiscito. Inconformado com a derrota nas urnas, o governo da Indonésia armou milícias na própria ilha, espalhando o terror entre a população, e muitos timorenses foram assassinados.
  A ONU organizou Forças de Paz e teve papel essencial na expulsão das tropas da Indonésia e na manutenção da ordem e reconstrução do país. Nesse processo, o Brasil enviou soldados ao Timor Leste com o intuito de ajudar na sua reconstrução. Hoje, o Timor Leste é um dos oito países de língua portuguesa no mundo.
  Dois timorenses ganharam o Prêmio Nobel da Paz em 1996: Carlos Ximenes Belo e José Ramos Horta, porque lutaram por uma solução pacífica para o conflito em Timor Leste, ocupado pela Indonésia em 1975 e libertado em 1999. José Ramos Horta foi eleito presidente do Timor Leste no ano de 2007.
Ruas da capital do Timor Leste, Dili, destruída pelos bombardeios indonésios em 1999
FONTE: Moraes, José Geraldo Vinci de, 1960 - História: geral e do Brasil: volume único / José Geraldo Vinci de Moraes. - 2. ed. - São Paulo: Atual, 2005. - (Coleção Ensino Médio Atual)