ALDANN CONSTRUÇÕES

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terça-feira, 23 de dezembro de 2014

ISOLADA E EXÓTICA, A TASMÂNIA É O LADO SURREAL DA AUSTRÁLIA

  Cachoeiras escondidas em matas fechadas, trilhas que levam a florestas úmidas com árvores retorcidas abraçadas por musgos, e animais não encontrados em nenhuma outra parte do planeta. Este destino está a 240 km ao sul da Austrália, abriga centenas de picos montanhosos e 40% de seu território é formado por parques nacionais e reservas, transformando o local em um dos que possui o ar mais puro do planeta.
  Considerada o menor estado australiano, a Tasmânia possui 300 km de norte a sul e 340 km de leste a oeste. A costa leste, cujos discretos índices pluviométricos não ultrapassam os 600 milímetros anuais, é marcada por praias de tons turquesa e areias brancas, às margens de terras mais planas. Do outro lado da ilha, uma região conhecida como "oeste selvagem", as chuvas ditam o ritmo do lugar com três mil milímetros de água por ano e são responsáveis pelos paralisantes cenários verdes e montanhosos que encantam a beleza do lugar.
Paisagem da Tasmânia
HISTÓRIA DA TASMÂNIA
  A Tasmânia era antigamente habitada por populações indígenas, os aborígenes tasmanianos, existindo evidências que indicam sua presença há pelo menos 35 mil anos. Durante a colonização britânica, por meio de perseguições e doenças, a população nativa foi quase toda dizimada, restando apenas alguns descendentes mestiços que se espalham pelo território. Em 1803, os britânicos estimaram que haviam cerca de 5.000 indígenas no estado.
  Os habitantes indígenas da ilha eram originalmente negros, possuíam cabelos crespos, não-liso de cor negra, baixa estatura - com 1,60 metro para os homens e 1,48 metro para as mulheres -, magros, e dedicavam-se à caça e a coleta com meios bastante rudimentares.
Aborígenes tasmanianos sendo capturados por britânicos no século XIX
  O primeiro europeu a avistar a Tasmânia foi o explorador holandês Abel Tasman, em 24 de novembro de 1642, que chamou a ilha de Anthoonij van Diemenslandt, em homenagem ao seu patrocinador, governador das Índias Orientais Holandesas. O nome foi encurtado mais tarde pelos britânicos para Van Diemens Land. O capitão britânico James Cook avistou a ilha em 1777, e diversos outros europeus embarcaram na ilha.
  A primeira colônia foi iniciada pelos britânicos em Risdon Cove, na margem oriental do estuário do rio Derwent, em 1803, por um grupo enviado de Sydney, tendo a frente John Bowen. Essa colônia foi abandonada anos mais tarde.
  A segunda colônia foi estabelecida pelo capitão David Collins em 1804, em Sullivan's Cove, na margem ocidental do Derwent, onde a água doce era mais abundante. Esta última ficou conhecida como Hobart Town, atual capital do estado Hobart.
Hobart Town, em 1879
  Os primeiros colonos eram na grande maioria presidiários e seus guardas militares, com a missão de desenvolver a agricultura e outras atividades. Diversas outras colônias penais foram estabelecidas em Van Diemens Land, além de prisões secundárias, como as severas colônias penais de Port Arthur no sudeste, e Macquarie Harbou na costa oeste. Van Diemens Land foi proclamada uma colônia à parte da Nova Gales do Sul, com seu próprio sistema judiciário e conselho legislativo, em 3 de dezembro de 1825.
  A Tasmânia atraiu a atenção mundial diversas vezes, principalmente durante a década de 1970, quando o governo da época anunciou planos para inundar o Lago Pedder, de grande importância ambiental. Em 1967, a Tasmânia foi seriamente afetada pelos incêndios que provocou uma grande perda de vidas e de bens. Em 1975, a ponte de Tasman desmoronou quando foi atingido pela transportadora de minério a granel MV Lake Illawarra, tornando impossível o cruzamento do rio Derwent em Hobart.
Lago Pedder - Tasmânia
  Outro assunto que foi destaque mundial sobre a Tasmânia aconteceu no dia 29 de abril de 1996, quando o caçador Martin Bryant matou 35 turistas e residentes e feriu outras 37 pessoas, em um incidente conhecido como o "Massacre de Port Arthur".
  Em 2006, o colapso da mina de Beaconsfield foi desencadeada por um pequeno terremoto. Uma pessoa morreu e outras duas ficaram presas no subsolo durante 14 dias.
Homem morto durante o Massacre de Port Arthur, em 1996
GEOGRAFIA DA TASMÂNIA
  A Tasmânia possui uma área de 68.401 km², o estado, segundo estimativa do governo australiano, contava, em 2013, com uma população de 513.400 habitantes, com um crescimento vegetativo de 1,1% ao ano. A capital e maior cidade é Hobart. Outros grandes centros populacionais são Launceston, Devonport e Burnie. É formada por uma grande ilha também chamada Tasmânia, de formato triangular, que possui uma área total de 64.519 km² e é a 26ª maior ilha do mundo, e por várias outras ilhas menores. As ilhas vizinhas que constituem o estado são Bruny, King e Flinders, além de muitas ilhotas e da ilha de Macquarie, que está localizada a cerca de 1.450 quilômetros a sudeste da Tasmânia. A Tasmânia é banhada pelos oceanos Índico e Pacífico, sendo separada da Austrália pelo Estreito de Bass.
Hobart - capital da Tasmânia
   Geograficamente, a Tasmânia é similar à Nova Zelândia, principalmente no leste. Como o estado não teve atividade vulcânica nas eras geológicas recentes, possui montanhas arredondadas semelhantes às encontradas no interior da Austrália. A parte mais elevada é a região central, que cobre a maior parte do centro-oeste da Tasmânia. O ponto culminante do estado tasmaniano é o monte Ossa, com 1.617 metros. Os Midlands é uma região bastante plana, localizada no centro-leste e cuja área é bastante utilizada para a agricultura. 
Monte Ossa - ponto culminante da Tasmânia
  O clima predominante na Tasmânia é o temperado, cujo ambiente rústico proporciona uma beleza incomum, fato este que atrai milhares de turistas todos os anos para apreciarem as belezas naturais que são encontradas na ilha.
  A região sudoeste possui uma grande densidade de florestas, com o Parque Nacional do Sudoeste apresentando uma das últimas florestas temperadas do hemisfério sul. O Tarkine, localizado no extremo noroeste da ilha, é a maior floresta temperada da Austrália, cobrindo cerca de 3.800 km².
Tarkine
  Com sua topografia acidentada, a Tasmânia possui um grande número de rios. Vários desses rios foram represados para produção de energia hidrelétrica. Muitos deles nascem no Planalto Central e fluem para fora da costa. Os grandes centros populacionais da Tasmânia situam-se sobretudo em torno dos estuários dos rios. Os principais rios do estado são Sul Esk Rio, Derwent, Huon, Tamar e Mersey.
  O rio Derwent flui para o sul e banha a capital do estado, Hobart; o Tamar flui para o norte a partir da cidade de Launceston; Mersey também flui para o norte até a costa Noroeste, onde deságua na cidade de Devonport. O rio Esk Sul é o maior rio da Tasmânia, e chega até a cidade de Launceston, onde é represado pela barragem Trevallyn Dam.
Trevallyn Dam
  A Tasmânia também possui um grande número de lagos. Um dos principais lagos do país é o Dove Lake, um lago na forma de circo. Esse lago está localizado no Parque Nacional Cradle Mountain-Lake Saint Clair. O lago é uma das principais atrações turísticas da Tasmânia.
Dove Lake
  A fauna da Tasmânia é composta por um grande número de animais endêmicos dessa ilha, com destaque para o famoso diabo-da-tasmânia (Sarcophilus harrisii). Esse animal é um carnívoro do tamanho de um cachorro, possui aparência de urso, é robusto e musculoso. Sua pelagem é escura com manchas brancas na região da garganta, das bochechas e lombar. Sua dieta é a base de carniça, sendo um caçador pouco eficiente, preferindo animais de pequeno porte. Possui hábitos noturnos, sendo bastante solitário. Acasala-se uma vez por ano, gerando ninhadas de dois a quatro filhotes que são desmamados aos oito meses de idade.
  O animal é o símbolo da Tasmânia e de muitas organizações, grupos e produtos associados ao estado. Ficou popularmente conhecido através do personagem Taz dos desenhos animados Looney Tunes. Devido a restrições de exportação e do fracasso reprodutivo dos demônios-da-tasmânia no exterior, quase não há indivíduos fora da Austrália.
Sarcophilus harrisii - diabo-da-tasmânia
ECONOMIA DA TASMÂNIA
  A economia da Tasmânia está fortemente ligada à natureza, tanto no setor primário, com a produção do vinho e da agricultura, como na indústria madeireira. A atividade turística também é bastante importante para a sua economia. O turismo ecológico e o turismo de aventura têm influência significativa sobra a economia da ilha. Outra importante fonte de renda é a pesca. Os principais produtos agrícolas cultivados na ilha são cereais, batata, feno e árvores frutíferas (maçã, uva, entre outros). Dentre os principais recursos minerais se destacam ferro, zinco, chumbo, cobre e estanho. No setor de serviços, além do turismo, se destaca o setor de comunicações e de informática.
Launceston - segunda maior cidade da Tasmânia
FONTE: Perspectiva geografia, 9 / Cláudia Magalhães ... [er al.]. - 2. ed. - São Paulo: Editora do Brasil, 2012. - (Coleção perspectiva)

sábado, 20 de dezembro de 2014

OS INDÍGENAS BRASILEIROS

  São designados povos indígenas, nativos, autóctones ou aborígenes aqueles que viviam numa área geográfica antes da sua colonização por outro povo ou que, após a colonização, não se identificam com o povo que os coloniza.
  A Organização das Nações Unidas (ONU) definiu que "As comunidades, os povos e as nações indígenas são aqueles que, contando com uma continuidade histórica das sociedades anteriores à invasão e à colonização que foi desenvolvida em seus territórios, consideram a si mesmos distintos de outros setores da sociedade, e estão decididos a conservar, a desenvolver e a transmitir às gerações futuras seus territórios ancestrais e sua identidade étnica, como a base de sua existência continuada como povos, em conformidade com seus próprios padrões culturais, as instituições sociais e os sistemas jurídicos".
Índios da nação Katukinas, do Acre
  No território que hoje forma o Brasil, também havia diversos povos que antecederam o colonizador, entre eles os grupos tupi-guarani e macro-jê. Os povos indígenas do Brasil compreendem um grande número de diferentes grupos étnicos que habitam o país desde milênios antes do início da colonização portuguesa, que principiou no século XVI, fazendo parte do grupo maior dos povos ameríndios.
  As civilizações incas, maias e astecas foram dominadas pelos colonizadores espanhóis. O mesmo aconteceu com os grupos nativos do território brasileiro na relação com os portugueses. Se no passado foram acuados pelo processo de colonização e expansão territorial dos portugueses, hoje veem seu espaço reduzido pela invasão de garimpeiros e madeireiros.
  De forma geral, em muitos países da América Latina, os indígenas fazem parte de uma minoria étnica que sofreu muito preconceito e discriminação ao longo da história. Por se tratar de um grupo fragilizado do ponto de vista político e econômico, foi colocado à margem do desenvolvimento e do convívio social nas sociedades latino-americanas.
  No momento da Descoberta do Brasil, os povos nativos eram compostos por tribos seminômades que viviam da caça, pesca, coleta e da agricultura itinerante, desenvolvendo culturas diferenciadas. Grande parte dos povos indígenas no Brasil foram exterminados pelos colonizadores por meio de guerras e de doenças, além da aculturação promovida pelo colonizador.
Mapa das tribos que habitavam o território brasileiro antes da chegada dos europeus
ORIGEM DOS POVOS INDÍGENAS BRASILEIROS
  Os povos das Américas são descendentes do grupo que seguiu para o leste e povoou a Ásia. Sua penetração na América foi explicada por várias teorias, e atualmente a mais aceita diz que a passagem foi feita através do Estreito de Bering, ainda durante a Idade do Gelo.
  Naquele tempo, com o declínio da temperatura mundial, o gelo do mundo se expandiu, rebaixando o nível do mar e expondo terra seca entre as penínsulas de Chukotka, no extremo nordeste da Ásia, e de Seward, na América do Norte, criando uma ligação transitável entre os dois pontos. Com o fim da Idade do Gelo o nível do mar subiu, inundando a ligação que existia entre os dois continentes, impedindo novas migrações e separando as populações que ficaram na Ásia das que migraram para a América. Como não havia outra alternativa, essas pessoas continuaram se deslocando, ao longo de milhares de anos, rumo ao sul, povoando áreas da América Central e América do Sul.
  Outra teoria da vinda dos descendentes dos ameríndios para o continente americano é que eles teriam vindos da Oceania, em canoas, e aportado no oeste da América do Sul, mais precisamente na costa peruana.
Provável rota dos descendentes dos povos pré-colombianos
O fóssil de Luzia
  Luzia foi o nome que recebeu do biólogo Walter Alves Neves o fóssil humano mais antigo das Américas, com cerca de 11.500 a 12.000 anos e que reacendeu os questionamentos acerca da origem do homem americano. Este crânio de uma mulher, com cerca de 20 anos, foi encontrado no início dos anos 1970 pela missão arqueológica franco-brasileira. O crânio foi achado em escavações na Lapa Vermelha, uma gruta localizada na região de Lagoa Santa e Pedro Leopoldo, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.
  Os estudos realizados na região habitada por Luzia e outros paleoíndios demonstram que eles desconheciam a cerâmica e que sua indústria lítica era relativamente simples, além da tendência de que esses índios eram sedentários e vegetarianos. O período em que Luzia e seus ancestrais habitaram o continente americano é conhecido como Pleistoceno, que vai de 100000 a 12000 a.C..
Crânio de Luzia
  Os arqueólogos denominam essa fase como um complexo cultural onde os elementos são intimamente associados. No final do período Pleistoceno a temperatura variou amplamente em fases de expansão e contração das geleiras. No período arcaico médio (entre 5000 e 8000 a.C.), o nível do mar se encontrava cerca de dez metros abaixo do nível atual. Muitas regiões do país, como o Piauí, eram muito úmidas, permitindo o desenvolvimento da agricultura nessas regiões. Antes disso, os homens viviam da caça, da pesca e da coleta, fato este comprovado por achados arqueológicos e representações em pinturas pré-cabralinas.
  Na região Nordeste, vários sítios arqueológicos indicam o desenvolvimento da pedra lascada, contendo lesmas, lascas, furadores e fogões para assar a caça. As pinturas rupestres dessa região têm-se revelado muito interessante, destacando os sítios arqueológicos encontrados na região de São Raimundo Nonato, no Piauí, nas regiões do Seridó e do Apodi, no Rio Grande do Norte, e de Ingá, na Paraíba.
Pintura rupestre em Ingá - PB
  No litoral destacam-se os sambaquis, montes de conchas e moluscos (com os quais se alimentavam as populações antigas) formados pela ação humana. Normalmente são encontrados juntos dos sambaquis esqueletos dos antigos ameríndios, peças líticas, restos de alimentos, entre outros objetos arqueológicos.
  Grande parte dos sambaquis brasileiros se encontram cobertos pelo mar devido às mudanças climáticas ocorridas durante o pleistoceno tardio e o holoceno. Os sambaquis existem em quase todo o litoral brasileiro, e são associados à tradição Itaipu. Os povos que habitavam o litoral são normalmente definidos como pescadores seminômades.
Sambaqui Santa Marta I, em Laguna - SC
  As datações mais antigas da região amazônica atribuem aos primeiros habitantes da região em torno de 12500 a.C.. Os arqueólogos identificaram um desenvolvimento da técnica de lascar pedras, começando pelo lascamento por percussão e seguindo para o lascamento por pressão. As mudanças nas técnicas de lascamento são associadas a diferentes modalidades de caça, uma voltada para os animais de grande porte, e outra para os animais de pequeno porte. A descoberta de sítios arqueológicos formados por sambaquis na região amazônica indicam que eles também se alimentavam de moluscos, pequenos animais e frutos.
  Entre 3000 e 1000 a.C., os povos amazônicos adotaram um estilo de vida similar ao estilo adotado por muitas tribos amazônicas atuais, com uma relativa fixação na terra, realizando a horticultura de raízes. Esses grupos desenvolveram a primeira cerâmica elaborada da América, com temas geométricos e zoomórficos, pinturas em tinta branca e vermelha, destacando a arte marajoara e a arte guarita.
Arte marajoara
  As sociedades amazônicas eram bastante complexas e hierarquizadas, onde constituíam-se chefias centralizadas na figura do cacique que, além de dominar amplos territórios, organizava continuamente seus guerreiros visando conquistar novos territórios. Havia urnas funerárias elaboradas (associadas ao culto dos chefes mortos), o comércio e uma densidade demográfica de escala urbana. A monocultura era praticada, cultivando principalmente raízes, além da caça e da pesca intensivas, bem como a prática do armazenamento de alimentos.
ALGUMAS DAS ANTIGAS CIVILIZAÇÕES PRÉ-CABRALINAS
Kuhikugu (1500 a.C. - 400 a.C.)
  Uma das civilizações amazônicas conhecidas por ter desenvolvido grandes cidades e vilas durante o período Pré-Colombiano foi a de Kuhikugu. Localizado dentro do Parque Nacional do Xingu, era um grande complexo urbano que abrigava em torno de 50 mil habitantes. Construído provavelmente pelos antepassados dos atuais povos Kuikuro, o sítio abriga construções complexas como estradas, fortificações e trincheiras para proteção. O desaparecimento dessa civilização pode está relacionada à entrada de doenças trazidas pelos europeus.
Sítio arqueológico do Kuhikugu
Monte de Teso dos Bichos (400 a.C. - 1300 d.C.)
  O Monte de Teso dos Bichos está localizado na Ilha do Marajó e é o local onde floresceu uma das mais elaboradas civilizações da Amazônia pré-cabralina, ocupando uma área de cerca de 2,5 hectares. A população estimada era de cerca de 500 mil pessoas pertencentes a uma sociedade de tuxauas, senhores da foz do Amazonas. Nessa sociedade havia a divisão do trabalho entre homens e mulheres, uma dieta rica em proteína animal e vegetal e refrescos fermentados. Uma das características marcantes das sociedades complexas da Ilha do Marajó são os "tesos" - aterros artificiais de grande porte construídos para a colocação de habitações, visando evitar inundações.
A arte marajoara é praticada desde a época pré-cabralina
ALGUNS DOS SÍTIOS ARQUEOLÓGICOS DO BRASIL
Caverna da Pedra Pintada
  A Caverna da Pedra Pintada é um sítio arqueológico localizado no município de Monte Alegre, no Pará, na margem esquerda do rio Amazonas, e é reconhecido mundialmente por apresentar pinturas rupestres que datam de aproximadamente 11.200 anos, retratando cenas de plantas, animais e até de um parto. Os habitantes pré-históricos moravam em cavernas confortáveis e protegidas, tinham uma dieta saudável e produziam cerâmicas, pinturas rupestres e pontas de flechas. Eram caçadores de pequenos animais e coletores de frutas. No auge de sua civilização, chegaram a abrigar em torno de 300 mil indivíduos.
Pedra Pintada, em Monte Alegre - PA
Pedra Furada
  O sítio arqueológico da Pedra Furada está localizado no município de São Raimundo Nonato, no Parque Nacional Serra da Capivara, Piauí. Os achados (pedras lascadas e vestígios de fogueiras) datam de aproximadamente 11 mil anos. O sítio também abriga o Museu do Homem Americano, onde painéis iluminados e auto explicativos contam a história da presença do homem no continente americano com desenhos, mapas e textos. O espaço também guarda urnas funerárias em argila e réplicas de dois esqueletos humanos encontrados em cavernas da região. Um deles, uma índia de cerca de 30 anos de idade foi encontrado praticamente completo, datando de aproximadamente 9,7 mil anos.
Pedra Furada, em São Raimundo Nonato - PI
  Na região foram encontrados desenhos na Toca do Boqueirão, também na Pedra Furada, que parecem representar uma cena de ataque dos terríveis felinos que já habitaram o continente.
  O Parque Nacional Serra da Capivara é uma unidade de conservação brasileira de proteção integral à natureza e está localizado nos municípios piauienses de Canto do Buriti, Coronel José Dias, São João do Piauí e São Raimundo Nonato.
Figuras rupestres localizadas no Parque Nacional Serra da Capivara
  O parque é a área de maior concentração de sítios pré-históricos do continente americano e o que contém a maior quantidade de pinturas rupestres do mundo. Estudos científicos confirmam que a Serra da Capivara foi densamente povoada em períodos pré-históricos
  Existem atualmente 737 sítios arqueológicos catalogados onde foram encontrados artefatos líticos, esqueletos humanos e pinturas rupestres com aproximadamente 30 mil figuras coloridas e que representam cenas de sexo, dança, parto, animais, plantas, entre outras.
Figuras rupestres encontradas na Pedra Furada
Lagoa Santa
  O sítio arqueológico da Lagoa Santa está localizado no município de Lagoa Santa, Minas Gerais. Foi nesse sítio arqueológico que foi encontrado a ossada de Luzia. As ossadas humanas encontradas na região estão desafiando as teorias a respeito da ocupação humana do continente americano. Isso porque os fósseis encontrados são bem mais antigos que as datas estabelecidas pelas teorias de ocupação do homem americano, além do fato de que os humanos que habitavam essa região possuíam traços negróides, e não mongoloides como são todos os povos indígenas americanos até então conhecidos, indicando que deve ter havido alguma forma de povoamento vindo do Pacífico Sul ou da África.
Ossada humana pré-cambralina de Lagoa Santa
Pedra do Ingá
  O sítio arqueológico da Pedra do Ingá está localizado no município paraibano de Ingá. É um monumento arqueológico identificado como "itacoatiara", sendo constituído por um terreno rochoso que possui inscrições rupestres entalhadas na rocha.
  A formação rochosa em gnaisse cobre uma área de cerca de 250 m². No seu conjunto principal, um paredão vertical de 50 metros de comprimento por 3 de altura, e nas áreas adjacentes, há inúmeras inscrições cujos significados ainda são desconhecidos. Neste conjunto estão entalhadas figuras diversas, que sugerem a representação de animais, frutas, humanos e constelações, como a de Orion.
  Não se sabe como, por quem ou com que motivações foram feitas as inscrições nas pedras que compõem o conjunto rochoso. Têm sido apontadas diversas origens, e há muitos que defendem que a Pedra do Ingá tenha origem fenícia. Outros defendem que os sinais do Ingá tenha sido obra de engenharia extraterrestre.
  Porém, uma datação em Carbono 14, que poderia detectar a idade das inscrições, é inviável, pois o conjunto de rochas fica na várzea do rio Bacamarte, o qual, em tempos de enchentes, cobre todo o conjunto rupestre, revolvendo a terra e friccionando as camadas superficiais da rocha.
Pedra do Ingá sendo lavada pelas águas do rio Bacamarte
Conjunto Arqueológico do Seridó e do Curimataú
  Os sítios arqueológicos do Seridó é um conjunto de sítios arqueológicos localizados nos estados do Rio Grande do Norte e da Paraíba, compreendendo os municípios de Cerro Corá, Lagoa Nova, Currais Novos, São Vicente, Florânia, Caicó, Cruzeta, Acari, Carnaúba dos Dantas, Bodó, Tenente Laurentino Cruz, São José do Seridó, Jardim do Seridó e Parelhas, no Rio Grande do Norte, e Picuí, Frei Martinho, Pedra Lavrada, Nova Palmeira, Junco do Seridó, São Vicente do Seridó, Seridó, São José do Sabugi, Tenório, Santa Luzia e Cubati, na Paraíba. Compreende diversos sítios arqueológicos que registram pinturas em cavernas e rochas datados de aproximadamente entre nove e dez mil anos, e que retratam cenas do cotidiano dos antigos moradores da região.
  As figuras rupestres dos sítios arqueológicos dessa região é da tradição Nordeste, que apresentam cenas de dança, luta, sexo, caça e de animais que habitavam a região em tempos passados.
Figura rupestre no Sítio Arqueológico Xique-Xique I, em Carnaúba dos Dantas - RN
Lajedo do Soledade
  O Sítio Arqueológico do Lajedo do Soledade está localizado no município de Apodi, no Rio Grande do Norte. É uma grande área que contém arte rupestre e fósseis da Era Glacial e dos primeiros habitantes do estado.
  O lajedo é constituído por uma área de rocha calcária que sofreu erosão da água das chuvas, abrindo um mini cânion com cavernas e fendas onde estão gravadas pinturas rupestres, representando figuras de espécies que habitavam a região entre 8 e 10 mil anos.
Lajedo do Soledade, em Apodi - RN
TRIBOS PRÉ-COLOMBIANAS DO BRASIL
  Os povos pré-colombianos brasileiros são identificados por meio de grupos linguísticos. Quando os europeus passaram a ocupar a costa oriental da América do Sul, encontraram etnias vinculadas a quatro principais grupos linguísticos: aruaques, tupi-guaranis, jê e karib. Dentro de um mesmo grupo linguístico havia numerosas e diferentes unidades identitárias que possuíam dialetos, práticas culturais e filosofias próprias.
  O primeiro contato entre índios e portugueses, em 1500, foi de muita estranheza para ambas as partes. As duas culturas eram muito diferentes e pertenciam a mundos completamente opostos.
  Os indígenas que habitavam o Brasil em 1500 viviam da caça, da pesca e da agricultura de milho, amendoim, feijão, abóbora, batata-doce e principalmente mandioca. Esta agricultura era praticada de forma bastante rudimentar, utilizando principalmente a técnica da coivara (derrubada da mata e queimada para limpar o solo para o plantio). Domesticavam animais de pequeno porte, como o porco-do-mato e a capivara. Não conheciam o cavalo, o boi e a galinha.
Primeira missa no Brasil, de Victor Meireles - 1860
  Quando os portugueses começaram a explorar o pau-brasil, escravizaram muitos indígenas ou utilizaram o sistema de escambo (em troca pelo trabalho desenvolvido pelos índios, os portugueses ofereciam objetos que para eles não tinham muito valor, mas para os índios eram bastante valiosos, como pentes, espelhos, apitos, colares e chocalhos).
  Interessados nas terras, os portugueses usaram da violência contra os índios. Para tomar essas terras, chegavam a matar os indígenas ou introduzir doenças. A visão que o europeu tinha a respeito dos índios era eurocêntrica, pois achavam-se superiores e deveriam dominá-los e colocá-los a seu serviço.
  As tribos indígenas da época do descobrimento possuíam uma relação baseada em regras sociais, políticas e religiosas. O contato entre as tribos aconteciam em momentos de guerras, casamentos, cerimônias de enterro e também no momento de estabelecer alianças contra um inimigo comum.
  Os índios faziam objetos utilizando matérias-primas da natureza. Construíam canoas, arcos e flechas e suas habitações eram chamadas de oca. A palha era utilizada para fazer cestos, esteiras, redes e outros objetos. A cerâmica era muito utilizada para fazer potes, panelas e utensílios domésticos em geral. Penas e peles de animais serviam para fazer roupas ou enfeites para as cerimônias das tribos. O urucum era muito utilizado para fazer pinturas no corpo.
Uma das mais antigas representações dos indígenas brasileiros foi postado no Atlas Miller, de 1519
Organização social dos índios
  Desde antes do descobrimento até os dias atuais, os índios não adotam classes sociais. Todos têm os mesmos direitos e recebem o mesmo tratamento. A terra pertence a todos e quando um índio caça, costuma dividir com os habitantes da tribo. Apenas os instrumentos de trabalho (machados, flechas, arcos, arpões) são de propriedade individual. O trabalho na tribo é realizado por todos, porém, a divisão é feita de acordo com o sexo e a idade. As mulheres são responsáveis pela comida, crianças, colheita e plantio. Os homens são encarregados do trabalho mais pesado: caça, pesca, guerra e derrubada de árvores.
  Duas figuras importantes na organização das tribos são o pajé e o cacique. O pajé é o sacerdote da tribo, pois conhece todos os chás e ervas para curar doenças. É ele quem faz o ritual da pajelança, onde evoca os deuses da floresta e dos ancestrais para ajudar na cura. O cacique faz o papel de chefe, pois é quem orienta e organiza os índios.
Pajé da tribo Guarani
  Na educação indígena, os pequenos índios, conhecidos como curumins, aprendem desde cedo e de forma prática, o que os adultos fazem. Ao atingir os 13 anos, o jovem passa por um teste e uma cerimônia para ingressar na vida adulta.
O canibalismo
  Na época do descobrimento algumas tribos eram canibais, como por exemplo, os tupinambás, que habitavam o litoral da região Sudeste. A antropofagia era bastante praticada, pois acreditavam que ao comerem a carne humana do inimigo, estariam incorporando a sabedoria, valentia e conhecimentos do mesmo. Assim, não se alimentavam da carne de pessoas fracas ou covardes. A prática do canibalismo era feita em rituais simbólicos.
Cena de canibalismo
Religião indígena
  Cada nação indígena possuía crenças e rituais religiosos diferenciados, mas todas acreditavam nas forças da natureza e nos espíritos dos antepassados. Para estes deuses e espíritos, faziam-se rituais, cerimônias e festas. O pajé era responsável por transmitir estes conhecimentos aos habitantes da tribo. Algumas tribos chegavam a enterrar o corpo dos índios em grandes vasos de cerâmica, onde além do cadáver ficavam os objetos pessoais, mostrando que estas tribos acreditavam na vida após a morte.
PRINCIPAIS ETNIAS LINGUÍSTICAS DO BRASIL
Tupi-guarani
  A família linguística tupi-guarani é uma das mais importantes da América do Sul. Engloba várias línguas indígenas, das quais a mais representativa atualmente é o guarani, um dos idiomas oficiais do Paraguai. Grande parte das tribos indígenas que habitavam o litoral brasileiro, quando da chegada dos portugueses ao Brasil em 1500, falavam línguas pertencentes a esta família. Fazem parte desse grupo, além dos Tupis e Guaranis, os Tupinambás, Tupiniquim, Tabajara, Potiguara, entre outros.
  A primeira área a ser povoada por esse grupo foi a região das cabeceiras dos rios Madeira, Tapajós e Xingu e sua expansão aconteceu entre 3 mil e 2 mil anos atrás. Os povos de língua cocama e omágua dirigiram-se ao rio Amazonas, enquanto os guaiaquis  chegaram ao Paraguai e os xirinós à Bolívia. Os tapirapés e tenetearas deslocaram-se em direção ao Nordeste. Os povos de língua pauserna, cajabi e camaiurá deslocaram-se até o extremo sul do Brasil. Os oiampi chegaram até a região das Guianas.
  A última fase de dispersão dos povos tupi-guaranis ocorreu por volta do ano 1000 d.C., quando os falantes de línguas associadas à família tupi-guarani já estavam instalados no Sul do Brasil (guaranis), na bacia Amazônica e no litoral brasileiro (potiguaras, tabajaras, tupinambás, tupiniquins, entre outros).
Mapa da distribuição linguística tupi-guarani
Macro-Jê
  O tronco macro-jê é um tronco linguístico cuja constituição ainda permanece consideravelmente hipotética, e estende-se por vários estados do Brasil. Essa nação era inimiga dos tupi-guaranis que os chamavam de tapuias ("selvagens" ou "os que falam com a língua travada" - devido os tupis não entenderem o que os macro-jês falavam). As línguas associadas à matriz linguística Macro-Jê sofreu diferenciação por volta de 6 mil anos atrás. Sua expansão iniciou-se há 3 mil anos, pela região Centro-Oeste, sendo originários das nascentes dos rios São Francisco e Araguaia. Muitas das tribos macro-jê já foram extintas. Dentre os povos dessa etnia linguística destacam-se: cariris, bororós, carajás, xavantes, caiapós, timbiras, goitacás, janduís, entre outros.
Distribuição aproximada da nação macro-jê
Caraíbas
  Os povos de língua caraíbas ou karib, são povos indígenas das Pequenas Antilhas e que passaram por um processo de expansão há aproximadamente 3 mil anos. Essa família linguística é provavelmente originária da região das Guianas e do extremo norte do Brasil. Os Yukpa e os Karijona, ramificações dessa família linguística, teriam se diferenciado e migrado para a Colômbia, enquanto os Bakairi teriam seguido para o centro do Brasil. Muitas tribos caraíbas eram canibais.
Comunidade indígena Bakairi
Aruaques
  As línguas de matriz aruaque concentram-se atualmente na região sudoeste da bacia Amazônica. A principal família linguística associada a esse grupo é a Maipure, dividida em quatro subgrupos regionais: Tariana, Palikur, Baniwa e Yawalapiti.
  Os povos de língua aruaques são originários da região fronteiriça entre Brasil e Venezuela. Dessa região, se expandiram em todas as direções, como a Bolívia, a Ilha de Marajó e o noroeste da Argentina.
Índios Palikur
Povos isolados
  Há vários registros de avistamento de povos indígenas sem contato com a civilização. A Funai (Fundação Nacional do Índio) criou em 1987 um departamento especial para tratar deles. Vários desses avistamentos ocorreram dentro de terras já demarcadas, o que favorece a sua proteção, mas outros estão expostos em regiões que sofrem grande pressão ambiental, e seu destino é muito incerto.
  Muito pouco se sabe sobre esses povos. O certo é que eles desejam permanecer isolados, onde muitas vezes disparam flechas contra intrusos e aviões, ou simplesmente evitam o contato, escondendo-se dentro da floresta.
Índios isolados da fronteira entre o Brasil e o Peru
ESTATUTO DO ÍNDIO
  O Estatuto do Índio foi criado por meio da Lei nº 6.001, de 19 de dezembro de 1973, que definiu a situação jurídica dos índios e de suas comunidades. A lei dividiu as terras indígenas em três categorias: Terras Ocupadas Tradicionalmente, Terras Reservadas e Terras de Domínio dos Índios.
  As Terras Ocupadas Tradicionalmente referem-se a todas as áreas indígenas do país e estavam definidas nas Constituições de 1967 e 1969. As Terras reservadas são terras destinadas pela União para usufruto dos índios, não necessariamente as terras de ocupação tradicional, assegurando ao dono da terra a indenização em caso de desapropriação. As Terras de Domínio dos Índios são as terras adquiridas por intermédio de compra e venda ou usucapião.
Estatuto do Índio - garantiu vários direitos aos indígenas brasileiros
  Ainda segundo o Estatuto, as áreas reservadas possuem as seguintes modalidades:
  • Reserva Indígena - nos moldes descritos acima.
  • Colônia Agrícola Indígena - que teria uma ocupação mista entre povos indígenas aculturados e não-índios. A ideia era conciliar os conflitos entre as reivindicações da área indígena com os interesses dos não-índios que já ocupassem a área indígena.
  • Território Federal Indígena - que seria uma unidade administrativa subordinada à União na qual pelo menos um terço da população seria composta por indígenas.
  • Parque Indígena - inspirada na criação do Parque Nacional do Xingu, seria "área contida em terra na posse dos índios", associada à preservação ambiental.
Parque Nacional do Xingu - primeira área indígena demarcada no Brasil
  O Estatuto também declarou nulos e extintos os efeitos jurídicos "dos atos de qualquer natureza que tenham por objeto o domínio, a posse ou a ocupação das terras habitadas pelos índios ou comunidades indígenas" mas reservou ao Estado brasileiro o direito de intervir nessas terras em casos previstos "por imposição da segurança nacional", para a realização de obras públicas que interessem ao desenvolvimento nacional", ou "para exploração de riquezas do subsolo de relevante interesse para a segurança e o desenvolvimento nacional".
Usina de Belo Monte - é com base na lei do Estatuto da Terra que o governo brasileiro está construindo essa usina
FONTE: Perspectiva geografia, 8 / Cláudia Magalhães [et al.]. - 2. ed. - São Paulo: Editora do Brasil, 2012. - (Coleção perspectiva)

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

ESTADOS UNIDOS E CUBA DECIDEM RETOMAR RELAÇÕES POLÍTICAS APÓS 53 ANOS

  Os presidentes Barack Obama dos Estados Unidos e Raúl Castro de Cuba anunciaram nesta quarta-feira - 17 de dezembro de 2014 - o restabelecimento das relações entre os dois países, suspenso há 53 anos. Apesar do início das conversações entre ambos, o embargo econômico ao país caribenho continuará. Cuba libertou o prisioneiro americano Alan Gross e, em troca, três agentes de inteligência cubanos que estavam presos nos Estados Unidos voltaram à ilha.
  Foram anunciadas as seguintes medidas por parte dos Estados Unidos:
  • restabelecimento das relações diplomáticas entre os dois países;
  • facilitar viagens de americanos a Cuba;
  • autorização de vendas e exportações de bens e serviços dos Estados Unidos para Cuba;
  • autorização para norte-americanos importarem bens de até US$ 400 de Cuba;
  • início de novos esforços para melhorar o acesso de Cuba a telecomunicações e internet.
Barack Obama e Raúl Castro se cumprimentam durante a cerimônia fúnebre de Nelson Mandela, em dezembro de 2013
  As medidas incluem ações práticas, dentre elas o restabelecimento de uma embaixada americana em Havana e a revisão da designação dada pelos Estados Unidos a Cuba Estado que patrocina o terrorismo. Obama vai lutar para que o Congresso norte-americano aprove o fim do embargo que o país mantém a Cuba, no qual proíbe a maioria das trocas comerciais.
  Os dois países não mantinham relações desde 1962, quando, durante a Guerra Fria, Cuba se aliou à União Soviética e, no dia 14 de outubro deste ano, os Estados Unidos divulgaram fotos, coletadas através de um voo secreto sobre Cuba, que apresentavam instalações preparadas para abrigar mísseis nucleares soviéticos. O então presidente norte-americano John Kennedy logo comunicou sua população do risco existente com a possibilidade de um ataque altamente destrutivo, encarando o fato como um ato de guerra. Do outro lado do Atlântico, o Primeiro-Ministro soviético Nikita Kruschev alegou que a base com os mísseis resultavam apenas de uma ação defensiva e serviriam também para impedir uma nova invasão dos Estados Unidos à Cuba.
Vista aérea mostrando base de lançamento de mísseis em Cuba, em novembro de 1962
  A Crise dos Mísseis, como ficou conhecida esse episódio, soou o alarme no mundo para uma nova guerra durante treze dias, sendo um dos momentos de maior tensão durante a Guerra Fria.
  O presidente Barack Obama afirmou que os Estados Unidos poderão "fazer mais para ajudar o povo cubano" ao negociar com o governo da ilha.
  Em Havana, Raúl Castro confirmou o restabelecimento das relações diplomáticas e disse que quer restabelecer os vínculos entre os dois países, especialmente no que se refere a viagens, correio postal direto e telecomunicações.
  Castro disse ainda que reconhece que há "profundas diferenças" entre os dois países, "fundamentalmente em matéria de soberania nacional, democracia, direitos humanos e política exterior". O presidente cubano disse ainda que a ilha vai libertar e mandar para os Estados Unidos um homem de origem cubana que espionou para os americanos.
Havana - capital de Cuba
  Dentre os esforços para facilitar as negociações históricas entre os Estados Unidos e Cuba está o papel desenvolvido pelo Vaticano, através do Papa Francisco, que foi o principal intermediador das conversações entre os dois países. Após o anúncio, o Papa Francisco parabenizou os dois chefes de Estado e disse que continuará a apoiar o fortalecimento das relações bilaterais entre ambos.
  O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, disse que a troca de prisioneiros entre Estados Unidos e Cuba foi um gesto "corajoso" do presidente Barack Obama e que tratou-se de uma vitória para a ilha.
Chegada de Alan Gross na instalação militar dos Estados Unidos Joint Base Andrews, em 17 de dezembro de 2014
OS MOTIVOS DO AFASTAMENTO DIPLOMÁTICO ENTRE CUBA E ESTADOS UNIDOS
  Localizada no Mar do Caribe, Cuba é um arquipélago com cerca de 1.600 ilhas, sendo que a Ilha de Cuba é a principal delas. No país predomina o clima tropical e um território formado principalmente por vales férteis e montanhas. É o único país latino-americano que adotou o sistema socialista.
  Durante o Período Colonial, o território que hoje forma Cuba esteve sujeito ao domínio espanhol. Entre 1902 e 1933, o país foi ocupado militarmente, sucessivas vezes, pelos Estados Unidos, que intervinha nos assuntos internos da ilha e controlava a exportação do principal produto cubano: o açúcar.
  Na década de 1950, um movimento contrário ao ditador Fulgêncio Batista, que reivindicava o fim do domínio norte-americano na ilha, mudou os rumos da história de Cuba. O movimento revolucionário foi liderado por Ernesto Che Guevara e Fidel Castro, que tomou o poder em 1959 - durante episódio que ficou conhecido como Revolução Cubana -, contrariando os interesses dos Estados Unidos.
Fidel Castro comemora a Revolução Cubana, em 1959
  O novo governo realizou uma série de mudanças, entre elas a reforma agrária e a nacionalização das empresas, e passou a destinar recursos à educação e à saúde. 
  Com a vitória da revolução, os guerrilheiros que ajudaram Fidel Castro a tomar o poder receberam cargos em seu governo. Che Guevara tornou-se presidente do Banco Central, ministro da Indústria e, mais tarde, percorreu diversos países em missão diplomática. Os opositores e críticos da revolução fugiram para os Estados Unidos ou foram presos.
  O governo de Fidel Castro fez uma reforma agrária em Cuba, transferindo para o Estado as terras dos latifundiários, incluindo as da própria família de Fidel. Os meios de produção, como hotéis, refinarias de petróleo e outras empresas existentes no país, foram estatizados.
  Uma ampla campanha nacional, com o envio de professores para o campo, permitiu o fim do analfabetismo no país. A educação básica tornou-se obrigatória. Foram garantidas vagas nos cursos superiores a todos os interessados. Os serviços de saúde também foram estendidos a toda a população; os médicos passaram a visitar regularmente todas as famílias em suas casas.

Fidel Castro discursa em Havana após a vitória da Revolução Cubana
  Essas transformações puderam ser realizadas em grande parte por causa do apoio recebido da União Soviética.
  Em 1960, Fidel Castro foi a Nova York para explicar a Revolução Cubana na assembleia da ONU. Ele pretendia solicitar o apoio do governo estadunidense, mas não foi recebido por Dwight Eisenhower, então presidente dos Estados Unidos. Entretanto, o governante soviético Nikita Kruschev, também presente à reunião, aceitou conversar com Fidel e convidou-o a visitar a União Soviética.
  A aproximação com o governo soviético e as atitudes nacionalistas de Fidel Castro incomodaram o governo dos Estados Unidos e os donos das empresas e dos bancos que tinham propriedades em Cuba. Mas John Kennedy, o novo presidente dos Estados Unidos se recusou a comprar o açúcar cubano, principal produto de exportação do país. Mas a pressão econômica dos EUA não funcionou, pois os soviéticos se ofereceram para comprar açúcar e fornecer petróleo a Cuba.

Che Guevara e Fidel Castro
  Em abril de 1961, seis aviões dos EUA, pintados com as cores da Força Aérea Cubana, bombardearam aeroportos da ilha. Apenas três aviões foram atingidos em terra, mas sete civis cubanos foram mortos. No enterro dos civis, Fidel Castro declarou que a Revolução Cubana era socialista.
  A repercussão desse acontecimento foi péssima para o governo Kennedy. Em vez de abalar o poder de Fidel Castro, fortaleceu ainda mais o apoio à Revolução Cubana.
  Ainda em abril de 1961, exilados cubanos que viviam nos EUA desembarcaram na baía dos Porcos para tentar derrubar o governo de Fidel Castro. O governo Kennedy não cumpriu a promessa de enviar apoio aéreo, temendo agravar os problemas causados pelo bombardeio anterior. Sem a ajuda prometida, em apenas três dias os exilados cubanos foram vencidos pelas forças leais a Fidel.
Mapa de Cuba
  Apesar de todas as melhorias sociais, os cubanos enfrentam vários problemas. O sistema de transporte é pouco eficiente, faltam produtos básicos e persiste uma enorme burocracia.
  O maior dos problemas cubanos é a situação econômica do país depois da fragmentação da União Soviética. O boicote liderado pelos Estados Unidos aos produtos de Cuba após a Revolução Cubana fez com que o país estabelecesse relações comerciais com um grupo reduzido de países, principalmente os que pertenciam à esfera socialista entre as décadas de 1960 e 1980.
  O apoio soviético ao governo de Fidel Castro favorecia Cuba nas trocas comerciais, permitindo que obtivesse uma série de vantagens. A maior parte da produção de açúcar da ilha era comprada pelos países socialistas. Com o fim da União Soviética, Cuba deixou de contar com o mercado certo para seus produtos e ainda teve de enfrentar a pressão  internacional liderada pelos Estados Unidos. Foram proibidos investimentos  norte-americanos em Cuba, encerrando as relações comerciais entre os dois países. 
Carros antigos circulam pelas ruas de Havana
  Em 2008, após 49 anos como presidente, Fidel Castro, com sérios problemas de saúde, renunciou oficialmente ao cargo, aos 81 anos de idade. Seu irmão, Raúl Castro, assumiu o governo cubano.
  As dificuldades econômicas e as pressões internacionais levaram o governo a fazer uma série de concessões. Atualmente, podemos encontrar em Cuba traços que evidenciam mudanças na economia do país, como a presença de propriedades privadas, o fim da equidade salarial, a permissão para que os cubanos possuam dólares e licenças para trabalho particular.
  Em 2009, o governo norte-americano diminuiu as restrições para cubanos-americanos visitarem o país. Nesse mesmo ano, Cuba foi aceita novamente como membro da Organização dos Estados Americanos (OEA).
  Em 2011, novas leis permitiram aos cidadãos cubanos a compra e a venda de veículos e imóveis pela primeira vez desde a Revolução de 1959. Antes dessa data era proibida a compra e a venda de carros fabricados antes da revolução.
Plantação de tabaco em Pinar del Río
FONTE: Portal de Notícias G1.